Passeio

Caminhada noturna pelo Centro de São Paulo

Todas as quintas, grupo faz roteiro noturno a pé por lugares como a Praça da Sé, o Centro Cultural Banco do Brasil e a Cracolândia

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

Com colete amarelo, o grupo de andarilhos passa por pontos históricos como a Praça da Sé e o Pátio do Colégio. A cada parada, o guia dá uma breve explicação sobre o lugar onde estão. Alguns transeuntes estranham o vaivém. Esse passeio pelas ruas do centro ocorre todas as quintas-feiras, sempre à noite. No último dia 11, às 20 horas, enquanto um aguaceiro caía sobre a cidade, quinze pessoas se reuniram em frente ao Teatro Municipal, ponto de encontro da turma. "Quando o tempo está bom, recebemos em média cinqüenta interessados", afirma o empresário Carlos Beutel, idealizador da Caminhada Noturna pelo Centro, que surgiu há dois anos como uma brincadeira de amigos.

O itinerário varia de semana para semana. Se o número de paulistanos é maior que o de turistas, Beutel se arrisca por áreas consideradas menos seguras, a exemplo da Praça Júlio Mesquita e da Cracolândia, ou Nova Luz, que ficou tristemente famosa como reduto de traficantes, drogados e prostitutas. "Quando há muitos gringos, prefiro ir ao Centro Cultural Banco do Brasil", diz ele. O arquiteto Cleiton Honório de Paula, habitué do grupo, inicia o périplo com uma pequena aula sobre a cidade. Depois, dá detalhes acerca de algumas construções. "Popular por aqui nos anos 30, o estilo art déco pode ser visto em vários edifícios", conta. A estudante uruguaia Stefania Botta elogiou a arquitetura da região, mas criticou sua conservação. "Embora os prédios sejam lindos, o entorno é sujo e cheio de mendigos." Para a professora de inglês Maria Nicolau, que não perde uma caminhada, as andanças servem de subsídio para as aulas. "Com o que aprendo aqui, faço apostilas sobre o centro para os meus alunos."

Caminhada Noturna pelo Centro. Ponto de encontro no Teatro Municipal (Praça Ramos de Azevedo, s/nº). Quintas, a partir das 20h. Grátis. Informações, 3256-7909.

Fonte: VEJA SÃO PAULO