Cidade

Avenida Paulista, o novo paraíso dos camelôs

Repórter de VEJA SÃO PAULO trabalha de ambulante na Paulista para mostrar como funciona o novo paraíso do comércio informal na metrópole

Por: Ana Carolina Soares - Atualizado em

camelô paulista abre
Área do Shopping Center 3: os hippies são os donos dos “pontos” (Foto: Reinaldo Canato)

Com uma circulação de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas por dia, a Avenida Paulista é um dos espaços mais valorizados da cidade. Ali, o custo mensal de locação do metro quadrado para lojas gira em torno de 70 reais, o mais alto da metrópole, segundo o Zap, índice de referência do mercado. Mas a turma que vem tomando a via nos últimos tempos não paga absolutamente nada para estar no local. Um pedestre distraído pode tropeçar nas mercadorias dispostas na calçada, tamanha a concentraçãode toda sorte de quinquilharias.

De segunda a sexta, mais de 150 barraquinhas apresentam adornos, comidas, bebidas, DVDs piratas e uma grande variedade de produtos no principal cartão-postal da metrópole. Aos domingos, o número chega perto de 400. Para mostrar os personagens e o funcionamento desse novo paraíso do comércioinformal, atuei como camelô por lá entre abril e maio. Oferecia bijuterias de fundo de quintal em um tablado, variando de esquinas a cada jornada de trabalho. No período de quase um mês, fui intimada por concorrentes que não queriam dividir o “ponto”, conheci gente que fatura até 3 000 reais por mês, constatei várias irregularidades e nenhum tipo de fiscalização sobre o movimento.

+ Avenida Paulista terá exposição com 320 gatos de raça e vira-latas. É grátis

camelô meninas
Eunice Lundgardh com a filha Nicole: “Muita gente olha as mercadorias, mas não leva nada no final” (Foto: Rodrigo Dionísio)

O primeiro regulamento específico para a atividade de ambulantes em São Paulo surgiu em 1898. Naquela época, esse tipo de comércio concentrava-se no centro. No fim da década de 70, a Paulista recebeu as primeiras barraquinhas. Entre 1997 e 2012, alternaram-se períodos de grande repressão e de “vistas grossas” do poderpúblico ao problema. Em maio de 2013, o prefeito Fernando Haddad assinou a Lei No 15 776, o que liberou o espaço para artesãos venderem artigos na cidade. O interessado precisa fazer uma prova prática em um órgão municipal, a Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco), a fim de receber uma habilitação.

Na teoria, o negócio foi criado para o candidato demonstrar suas habilidades diante de especialistas. Isso ajudaria a barrar espertalhões com o intuito apenas de lucrar sem pagar impostos. Na prática, essa avaliação é feita de forma totalmente superficial. Qualquer um pode passar pelo crivo. Com a ajuda de vídeos no YouTube,aprendi uma forma rudimentar de tecer pulseirinhas. Em 7 de abril, depois de uma demonstração de quarenta minutos, tirei a carteirinha número 87 629 (veja o quadro na pág. 40). Na sequência, comprei uma mesa por 58 reais na Rua 25 de Março e teci trinta peças, formando meu estoque inicial. Estreei na calçada da Avenida Paulista cinco dias depois.

+ 5 festas juninas da cidade que são imperdíveis

Há algumas regras básicas para quem vai montar um “escritório” na via. Nada de armar barraca em cima de bueiros e a pelo menos 5 metros de distância de pontos de ônibus, orelhões, estações de metrô, hospitais, farmácias e faculdades. Só que ninguém respeita essas leis. É também solenemente ignorada a determinação do governo municipal de limitar a atividade dos ambulantes a cinquenta espaços, que ficam demarcados com tinta amarela nas calçadas da Paulista. Ou seja, poderiam atuar, no máximo, cinquenta camelôs por ali. No dia a dia, a quantidade chega a ser oito vezes maior. O menu de opções gastronômicas oferecidas inclui brigadeiro,tapioca, milho e bolo, entre outros. Para acompanhar, água, cerveja e refrigerante. Tudo também vetado pela prefeitura. Na mesma categoria dos proibidos encontram-se itens manufaturados, de pilhas a massageadores, facilmente encontráveis por lá, assim como banquinhas de CDs piratas.

camelô piauí
Piauí Ecologia: um dos “sem-carteirinha” (Foto: Rodrigo Dionísio)

O aumento do desemprego no país funciona como combustível da tomada da Paulista pelos ambulantes. A fila na Sutaco é um bom indicador. De um ano para cá, a procura pela licença de camelô cresceu 40% (são emitidas mais de sessenta carteirinhas por semana). Com isso, a espera atual para agendar a prova é de dois meses, em média. “Vim para São Paulo em 2013, época em que o Brasil era um país em ascensão”, diz Ramazan Serin. Formado em administração de empresas, o imigrante turco conseguiu vaga por aqui, mas perdeu o emprego de atendente de uma companhia aérea em Guarulhos no ano passado. Desde janeiro, atua vendendo brigadeirosna principal avenida da capital. “Tiro em média 100 reais por dia. Dá para ajudar a pagar as contas.”

+ Operação da Receita Federal fecha grande centro de compras no Brás

Em meu primeiro dia como camelô, tive como “vizinho de ponto” o nigeriano Esosa Iyere, na cidade desde 2010. Ao me ver em sua vaga habitual (no número 21 da avenida, quase na esquina com a Rua Frei Caneca), ele fechou a cara e abriu sua mesinha com roupas africanas quase no meu colo. Propus que se um fiscal encrencasse com o “overbooking”, eu, novata, sairia na hora dali. Iyere e os outros do pedaço aceitaram o combinado. Éramos oito em um local com cinco demarcações. Depois do pequeno stress inicial, os veteranos relaxaram e até me ensinaram algumas regras da “classe”. Quando um ambulante precisa ir ao banheiro, por exemplo, alguém por lá se encarrega de olhar o “escritório”.

Na hora do almoço, um colega fica com a missão de buscar marmitas para todos (cada uma custa 12reais na Paulista). A quentinha é consumida na calçada, para ninguém perder oportunidade de venda. Durante esse mês, cumpri uma jornada diária de sete horas na avenida. Fora o estranhamento inicial com o discurso “esse lugar tem dono”, foi divertido: camelôs solidários, clientes simpáticos... Até ganhei uma pulseirinha de um artesão. O lado ruim: o barulho, a poluição que impregna a pele e o cabelo e a indisponibilidade de banheiros. O único lugar onde é impossível se instalar é em frente ao Shopping Center 3, o ponto dos hippies. Fui alertada que a disputa de espaço por ali é feia, com direito a socos e “bombas” de latinhas com urina. Depois de um bate-boca, procurei um canto longe da rapaziada que não é tanto paz e amor quanto parece.

camelô estudante
Danilo Lemos: o estudante se vira como vendedor de bijuterias (Foto: Rodrigo Dionísio)

Repeti a tática da boa vizinhança em outras esquinas da área, mas nunca precisei deixar o pedaço de repente, muito menos correr de um “rapa”, quando a polícia baixa de surpresa recolhendo todas as mercadorias. Fiscais da prefeitura? Em quatro semanas, não vi nenhum deles por lá. “Fazemos um trabalho constante de vigilância, mas são apenas dezenove agentes, que trabalham com 72 pessoas divididas por equipes e encarregadas de cobrir uma área de 26,20 quilômetros quadrados,referente aos nossos oito bairros”, justifica Gilmar Tadeu, subprefeito da Sé, responsável pela Paulista. A região conta ainda com 491 policiais militares da Operação Delegada, acordo entre os governos estadual e municipal segundo o qual guardas em horários de folga fazem “um bico oficial” na fiscalização de ambulantes. Neste ano, a ação apreendeu mais de 151 500 objetos falsificados na região central.

Infação na avenida

Peças vendidas na Paulista são bem mais caras que as equivalentes da Rua 25 de Março. Confira os produtos e preços na galeria abaixo:

  • Voltar ao início

    Compartilhe essa matéria:

  • Todas as imagens da galeria:

Jamais tirei da minha bolsa o “RG de camelô” da Sutaco. Nas ruas, falsificações do documento podem ser compradas por 50 reais. “Para combater esse problema, vamos disponibilizar à prefeitura nosso banco de dados com os cadastros”, afirma Elisabete Bacelar do Carmo, subsecretária da Sutaco. Além disso, há um projeto para mudar o certificado, que passará a conter um código de barras. “Pretendemos começar a emitir os novos modelos no segundo semestre”, completa Elisabete. Parte da categoria que labuta na Paulista simplesmente despreza ou desconhece esse registro. “Essa imposição é fuleiragem”, define Antônio José da Silva, conhecido como Piauí Ecologia, líder informal dos hippies.

Ele encabeça um tapetão com doze expositores aglomerados em frente ao Center 3. Entre incontáveis goles de long necks consumidas ao longo do dia, ficam observando o vaivém das pessoas e atendendo os clientes. No meio deles, um músico de rua costuma mandar um cover deJimi Hendrix na guitarra. Os acordes podem ser ouvidos dentro das lojas do centro de compras. “Nunca ouvi falar de carteirinha da prefeitura”, conta Matías González, vendedor de bijuterias. Vindo de Montevidéu, fez uma escala na capital antes de seu objetivo final: faturar no Rio de Janeiro com os Jogos Olímpicos.

+ 20 sites e eventos de troca de produtos e serviços na capital

Por falar em evento esportivo, há quem tenha saudade da Copa do Mundo de 2014, apesar dos 7 a 1 da semifinal contra a Alemanha. Eunice Lundgardh diz que o mercado era bem melhor na época do campeonato de futebol da Fifa. “Agora só tem ‘Miranda’”, reclama, na gíria usada para aquele cliente em potencial que olha os itens na banquinha, faz mil perguntas, mas depois sai sem comprar nada. Nem todos têm motivo para queixa.

Em frente ao Shopping Cidade São Paulo, Danilo Carvalho Lemos, estudante de odontologia, tira em torno de 3 000 reais por mês com a venda de pulseiras e colares. Trabalhava como analista de suporte, mas percebeu que teria um lucro maior fora do escritório, com seu hobby de praticar artesanato. “Não pretendo parar nem quando começar a atuar como dentista”, jura. Uma banca boa precisa ter muitos itens (no caso de bijuterias, pelo menos 300 unidades). Boa parte incrementada com coisas importadas ou compradas na Rua 25 de Março.

camelô raphaela
Raphaela Galletti, do movimento de moradores: queixas contra a superlotação da área (Foto: Leo Martins)

O movimento vem incomodando comerciantes legalizados e moradores da região. “Sempre as mesmas pessoas entopem as calçadas e ninguém faz nada”, diz Raphaela Galletti, presidente do Movimento de Moradores da Avenida Paulista. “Isso aqui virou uma terra de ninguém, e muita gente sofre com prejuízos”, reforça Célia Marcondes, fundadora da Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro de Cerqueira César (Samorcc). Alguns estabelecimentos relatam prejuízos.Encolheu, por exemplo, a bilheteria do cinema Reserva Cultural, conjunto de salas de cinema que oferece uma programação de filmes premiados. “Perdemos em média 20% da renda habitual, especialmente aos domingos”, diz Jean Thomas Bernardini, diretor do cinema.

O complexo tem um janelão voltado para a calçada. Volta e meia, são avistados de lá aulas de zumba, forró, vendedores de pulseirinhas, apanhadores de sonhos, araras de roupas (sem contar os mendigos de calças abaixadas, quefazem a rua de banheiro e motel). “Os imóveis do entorno correm o risco de desvalorização e muitos pontos comerciais estão ficando vazios”, diz Vilma Peramezza, presidente da Associação Paulista Viva, que representa 400 empresas. Ela relata que a crise, o fechamento da via para os automóveis aos domingos e as constantes manifestações espantam clientes. “Todo mundo tem direito ao trabalho, mas questionamos a falta de fiscalização, a sujeira e o barulho dos cantores”, acrescenta Vilma.

Há também preocupação com a segurança. Em frente a uma farmácia, ambulantes comercializam DVDs piratas. “Não sabemos nada sobre esse pessoal”, despista o gerente do estabelecimento, que preferiu não se identificar. Segundo dados do site Onde Fui Roubado, no qual as vítimas marcam o local do crime, a AvenidaPaulista está em décimo lugar no ranking dos logradouros mais perigosos da cidade, com treze denúncias em 2016. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, não é possível confirmar os dados da página, pois a polícia não separa ocorrências por vias.

camelô turco
O turco Ramazan Serin: oferta de brigadeiros para garantir uma renda mínima (Foto: Rodrigo Dionísio)

Outra característica forte do movimento é a sua babilônia de sotaques, com destaque para os sul-americanos. Contei em um dia cerca de vinte equatorianos nas redondezas, oferecendo echarpes e luvas trazidas do seu país natal. Os africanos também comparecem. Certa vez, um nigeriano me contou que contrabandeiachapéus de seu país. “Damos um jeitinho para os policiais no aeroporto liberarem as mercadorias, e os fiscais aqui nunca reparam”, gabou-se, aproveitando para me aconselhar. “Passe lá no centro, porque, só com essas trinta pulseirinhas aí na sua banca, você não vai vender nada.” Ele estava certo. Segui as regras da prefeitura, ofereci apenas produção própria e só tirei 90 reais em toda a minha temporada nas ruas. Um fracasso perto dos colegas campeões de faturamento no camelódromo que cresce a cada dia no nosso cartão-postal.

Colaborou Sérgio Quintella

Carteira_Artesao_2
(Foto: Reprodução)

Passaporte da rua

Como a repórter virou camelô registrada

O registro oficial para trabalhar nas ruas é a carteira da Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades (Sutaco). Tirei o meu em 7 de abril, depois de dois meses de espera para agendar a prova. No dia do teste, basta levar documentos, uma foto 3x4 e fazer uma peça diante de um funcionário. A certidão sai na hora.“Por causa da crise e da nova lei municipal, a procura aumentou 40%”, diz Elisabete Bacelar do Carmo, subsecretária do órgão. Dos quinze candidatos por dia, em média, um ou dois não passam no teste. “Só reprovamos quem não mostra uma técnica artesanal ou aqueles sem a mínima habilidade”, declara.

+ As principais notícias da cidade

Glossário do ambulante

As gírias e expressões mais curiosas usadas pela turma

  • Abrir ou fechar o escritório: montar ou desmontar a banquinha
  • Corre: tem dois significados. Refere-se ao ambulante com produtos ilegais que foge da polícia. E “olha o corre” virou sinônimo de “olha o rapa”
  • Industrianato: produtos industrializados comprados na Rua 25 de Março, mas vendidos como artesanato
  • Maluco da BR: os hippies vindos das mais diferentes partes do Brasil, vendedores de artesanato, sem endereço fixo, que viajam pelas estradas (as BRs) do país
  • Miranda: o cliente que mira e anda, ou seja, “namora” diversos itens na banquinha, experimenta peças e faz uma série de perguntas ao vendedor, mas depois vai embora sem comprar nada
  • Paraquedista: aquele que expõe mercadorias ilegais em uma lona no chão e, ao ver um fiscal, recolhe tudo numa “trouxona” nas costas, como um paraquedas
  • Pedra do artesão: pontos tradicionais de trabalho nas ruas de artesãos hippies (como em frente ao Center 3)
  • Rato de rua: o comerciante que se acha o dono do ponto e até sai no tapa por ele se algum concorrente ameaçar seu domínio sobre o pedaço
  • Veja São Paulo Recomenda

    Atualizado em: 3.Jun.2016

    Os seis melhores programas culturais e gastronômicos da semana
    Saiba mais
  • Comportamento / Instant Article

    Cartas da edição 2481

    Atualizado em: 3.Jun.2016

  • Conheça os bastidores e as curiosidades mais quentes sobre o museu
    Saiba mais
  • Os trens turísticos da CPTM

    Atualizado em: 3.Jun.2016

    O Expresso Turístico oferece roteiro para Jundiaí, Mogi das Cruzes e Paranapiacaba
    Saiba mais
  • Instant Article

    Campanha Moocalor estimula doação espontânea de roupas

    Atualizado em: 3.Jun.2016

    Idealizada pelo projeto Viva Mooca, ação está presente em pelo menos dez pontos da região
    Saiba mais
  • Instant Article

    Confira as novidades da semana do Terraço Paulistano

    Atualizado em: 1.Dez.2016

    Notas exclusivas sobre artistas, políticos, atletas, modelos e empresários que são destaque na cidade
    Saiba mais
  • Instant Article

    Rodovia Imigrantes tem alta nos números de casos de roubo

    Atualizado em: 14.Jun.2016

    No final de maio, tentativa de assalto no final da serra acabou em morte
    Saiba mais
  • Instant Article

    Barra Funda ganha fábrica de vinis

    Atualizado em: 6.Jun.2016

    Fábrica, que funciona em um galpão de 200 metros, aumenta o circuito de negócios paulistanos que surgem na onda da redescoberta dos LPs
    Saiba mais
  • Zuleika Mariani lidera 153 pessoas que cuidam de mães e bebês da entrada no hospital até o momento de alta
    Saiba mais
  • Instant Article

    Expectativa X realidade: a real depois do reality show

    Atualizado em: 3.Jun.2016

    Enquanto o formato se mantém sucesso de audiência e gera novos produtos, muitos participantes costumam se frustrar com a expectativa gerada pelos cinco minutos de fama
    Saiba mais
  • Técnicas de rejuvenescimento, combate a celulite e gordura localizada e tratamentos com laser são os queridinhos da temporada, que é a mais indicação quando o assunto é cuidar da beleza
    Saiba mais
  • Instant Article

    Google inaugura câmpus de empreendedorismo em São Paulo

    Atualizado em: 4.Jun.2016

    Prédio de seis andares no Paraíso, o primeiro do Google na América Latina, foi totalmente reformado para incorporar o estilo da empresa
    Saiba mais
  • Método de exercícios com alta intensidade está bombando nas academias
    Saiba mais
  • Instant Article

    Confira as novidades da semana da coluna Bichos

    Atualizado em: 2.Dez.2016

    Fique por dentro das tendências do mundo dos pets
    Saiba mais
  • As Boas Compras / Instant Article

    As Boas Compras: Especial Dia dos Namorados

    Atualizado em: 10.Jun.2016

    Uma seleção de presentes que podem ser combinados e vão agradar a todos os casais
    Saiba mais
  • Italianos

    Ristorantino

    Rua Doutor Melo Alves, 674, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3063 0977

    VejaSP
    4 avaliações

    Com almoços tranquilos e jantares disputados, a casa de Ricardo Trevisani completa um ano. Quem toca a cozinha é o jovem Henrique Schoendorfer, hoje supervisionado pelo chef Marcelo Almeida (ex-Manioca). Uma das entradas mais refrescantes, o salmão marinado vem com burrata e ovas de truta (R$ 48,00). Feito com azeite, o risólio leva arroz italiano cozido com precisão, camarõezinhos frescos e tomate desidratado (R$ 85,00). Duas sobremesas competem pela preferência da clientela: o mil-folhas de creme de limão com cobertura de frutas vermelhas (R$ 32,00) e o suflê de gianduia com chocolate belga e sorvete de creme (R$ 34,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Bar-restaurante / Pubs

    Camden House

    Rua Manuel Guedes, 243, Itaim Bibi

    Tel: (11) 2369 0488

    VejaSP
    3 avaliações

    É um pub com pegada gastronômica. Vencedor da categoria cozinha de bar no ano passado, continua um ótimo lugar para comer e beber. Uma novidade da chef e proprietária da casa, Elisa Hill, são os rolinhos de massa folhada com uma ótima linguiça, para mergulhar no molho barbecue (R$ 35,00 a porção). Outra atração, os pedaços de barriga de porco fritos com generosidade na gordura são cobertos de purê de maçã (R$ 38,00 a porção). Só não se sai tão bem o bolovo, meio frio no interior, mas acompanhado de uma deliciosa maionese defumada (R$ 11,00). Além da seleção mutante de chopes, dá para pedir um uísque sour com tamarindo, ácido na medida (R$ 31,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Rotisserias

    Mesa III

    Rua Alves Guimarães, 1474, Pinheiros

    Tel: (11) 3868 5501

    VejaSP
    1 avaliação

    Faz 21 anos que Ana Soares pôs a rotisseria Mesa III para funcionar. Quem frequenta o bonito espaço montado pela cozinheira sabe que suas receitas são ótimas, mas estão longe de ser baratas. Um exemplo é o tortelli de brie e pera seca (R$ 57,50; 500 gramas). Na contramão dessa tendência, a chef lançou em meados deste ano uma série de opções com preços mais convidativos. Assim, o fettuccine integral mais um pote de molho de tomate e outro de caponata, todos para quatro pessoas, sai a R$ 69,30. Antes, esse combo custava R$ 77,00. Sentiu falta da sobremesa? Prove o bolo de polenta com limão-siciliano e amêndoa (R$ 35,00, 500 gramas).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

    Saiba mais
  • Neste fim de semana, a vigésima edição do Cultura Inglesa Festival oferece uma série de oficinas grátis: basta retirar os ingressos uma hora antes do início de cada atividade. Para brincar de estilista e customizar a própria roupa, os meninos e meninas devem levar uma camiseta lisa para a aula de serigrafia, técnica que usa moldes pré-produzidos. São quatro horários no sábado (4) com vinte vagas para casa sessão, às 11h, 13h, 15h e 17h. A garotada mais radical pode fazer o icônico penteado dos punks ingleses, o moicano, junto com uma pintura facial bem colorida. Apelidada de Submarine Rock Station, a atração acontece tanto no sábado (4) quanto no domingo (5), sempre às 9h e às 18h. Nos dois dias, também estão programados shows de mágica com Alexandre Ogata. Completam a extensa lista apresentações de peças de teatro e um workshop de afinação e ritmo disfarçado de um divertido karaokê, marcado para o último dia, às 14h e às 16h30. Formado por Edgard Scandurra, Taciana Barros e outros músicos, o grupo Pequeno Cidadão ensina os artistas mirins a soltar a voz e conduz a criação coletiva de um show para os pais — que vão suspirar de orgulho, é claro. Dias 4 e 5/6/2016.
    Saiba mais
  • Durante toda a sua vida, Pablo Picasso guardou para si uma seleção de obras representativas de todas as suas fases e movimentos. Quando morreu em 1973, aos 91 anos, 5 000 obras da sua coleção pessoal foram reunidas pela família e deram origem ao Museu Picasso, em Paris. No Instituto Tomie Ohtake, são apresentadas 150 peças da coleção conhecida por “Os Picassos de Picasso”. São pinturas, desenhos, esculturas, gravuras, cerâmicas e vídeos divididos cronologicamente e em dez núcleos temáticos, que permitem a imersão na produção desse mestre. O primeiro ambiente, por exemplo, é dedicado à fase azul: em 1900, quando Picasso conheceu Paris, ficou encantado pelo tom usado pelos artistas locais. Do cubismo, fase mais emblemática do mestre espanhol, está a célebre tela Homem com Violão, além de vários estudos preliminares, que denotam a criação do estilo que retrata corpos e objetos em formas geométricas em múltiplas perspectivas. Dê preferência ao agendamento pela internet. De 22/5/2016. Até 14/8/2016.
    Saiba mais
  • Rafael Primot é um ator que se revelou potente dramaturgo em O Livro dos Monstros Guardados (2009), cineasta interessante em Gata Velha Ainda Mia (2013) e, na primeira direção individual no teatro, se mostra capaz de aproveitar a bagagem na nova empreitada. Escrito por Franz Keppler, o drama Chuva Não, Tempestade! parte de um argumento corriqueiro para, calcado em subtextos, alcançar um resultado impactante. Cynthia Falabella e Natalia Gonsales vivem respectivamente a cabeleireira Teresa e a empresária Simone. Em comum, elas amam o mesmo homem, Hugo. Simone o conheceu primeiro. Teresa começa o relacionamento sabendo da existência de rival. Uma semana antes do casamento, Simone descobre Teresa e decide procurá-la. As personagens são propícias ao estereótipo. Cynthia e Natalia, no entanto, recorrem a todos os contrastes da personalidade de cada uma, como simplicidade e elegância, conformismo e arrogância, de formas alternadas. Cenas desenvolvidas no plano da imaginação de cada uma são aplicadas ao contexto, sem parecerem forçadas a criar imagens ou quebrar a linearidade da narrativa. Algumas espectadoras poderão até acusar a montagem de machista, mas a parceria de Keppler e Primot oferece uma boa leitura das decepções amorosas — e a cena final é a melhor representação disso. O ator Guilherme Mazzei faz participação especial. Estreou em 11/5/2016. Até 28/7/2016.
    Saiba mais
  • Comédia / Musical

    Rainhas do Orinoco
    VejaSP
    Sem avaliação
    Encenador de assinatura marcante, Gabriel Villela criou um estilo único, repleto de referências à cultura popular. Sua profícua produção, no entanto, por vezes o leva a repetições, como é o caso da comédia musical Rainhas do Orinoco. Walderez de Barros e Luciana Carnieli protagonizam a peça do mexicano Emilio Carballido (1925-2008) como duas artistas mambembes que suam no figurino para manter o sustento com mínima dignidade. Mina (papel de Walderez) e Fifi (interpretada por Luciana), agora, estão a bordo de um barco à deriva em alto-mar. Sem perspectivas, elas se apoiam no carinho mútuo que as une e na convicção de que sozinhas tudo ficaria pior. Luciana explora com desenvoltura a linguagem clownesca, em um misto de melancolia e ingenuidade, e Walderez, menos à vontade, conquista gradualmente o espectador. O excesso de números musicais, no entanto, torna a montagem arrastada, e Villela deixa de explorar com mais profundidade uma possível dúbia relação de Mina e Fifi, tanto na vida pessoal como na arte. O ator e músico Dagoberto Feliz acompanha as atrizes e executa a trilha no acordeão e no piano. Estreou em 13/5/2016. Até 3/7/2016.
    Saiba mais
  • Música boa, de graça, curtida ao vivo com o pé na areia. Essa é a proposta do Vento Festival, que chegou de mansinho ao Litoral Norte no ano passado. Na época, a ótima escalação incluía Tulipa Ruiz, Céu, Guizado e O Terno. Na edição 2016, a aposta da programação na Praia do Perequê, em Ilhabela, concentra-se em dezessete atrações talentosas e mais recentes no mercado. É o caso da Mahmundi, carioca que acaba de pôr seu disco homônimo nas lojas. Descoberta pelo produtor Carlos Miranda, a moça canta faixas ensolaradas e dançantes, que misturam guitarras e batidas eletrônicas. Exemplos desse clima musical são as canções Eterno Verão e Hit. Destaque também para a melancolia suave de Quase Sempre e a suingada Meu Amor. Ela apresenta-se na quinta (9/6), seguida por Russo Passapusso e Sergio Erege. Na sexta (10/6), ainda há o projeto Salada de Frutas, integrado por três nomes em evidência: Liniker, Rico Dalasam e As Bahias e a Cozinha Mineira. Sobem ao palco também Bonde do Rolê, Aldo, The Band e Jaloo, seguidos por Aláfa, Karina Buhr, Johnny Hooker e Filipe Catto, no sábado (11/6). Encerram a festa, no domingo (12/6/2016), Bruno Morais, O Grande Grupo Viajante e Dom Pescoço. Local: Praia do Perequê. Avenida Princesa Isabel, s/nº. Quando: Quinta (9), a partir das 21h; sexta (10) e sábado (11), a partir das 19h; domingo (12), a partir das 15h. Ingresso: Grátis.
    Saiba mais
  • Antes de Tomorrowland e Electric Daisy Carnival desembarcarem por aqui, os baladeiros já tinham uma megarave para curtir. A Tribe completa quinze anos de festas que arrastam até 30 000 pessoas para o interior, em Itu. No último ano foram vendidas mais de 40 000 latinhas de cerveja e 22 000 energéticos. Seguindo a linha megalomaníaca, 1 200 funcionários organizam esta edição, dividida em cinco palcos (no total, são utilizadas quarenta toneladas de equipamento). Entre as mais de sessenta atrações, há Alok, Armin Edge & Dance, Boris Brejcha, FTampa, o duo sul-africano Goldfish e Vintage Culture. Dia 11/6/2016. Local: Haras Alto do Sagrado (30 000 pessoas). Rodovia Santos Dumont, km 50, Itu, (11) 5505-1013, ramal 121. Quando: Sábado (11), a partir das 16h. Entrada: R$ 120,00 a R$ 300,00. Estacionamento (R$ 70,00 a R$ 120,00).
    Saiba mais
  • Rock the Kasbah é o nome de uma canção da banda The Clash e o título original de Rock em Cabul. A trama gira em torno de Richie Lanz, um veterano empresário musical que está quase entregando os pontos e agenciando artistas medíocres. Bill Murray interpreta o personagem, mais um para a sua coleção de melancólicos irônicos. A fim de dar a volta por cima, aceita a sugestão de um colega e leva uma cantora (Zooey Deschanel) para fazer apresentações para militares americanos no Afeganistão. Logo na chegada a Cabul, a jovem, atordoada com o cenário de guerra, desaparece levando o passaporte e o dinheiro de Lanz. O cara precisa se virar para voltar para casa e, então, une-se a uma dupla de traficantes de armas. O clima delirante e surreal toma conta da primeira parte do roteiro, com Murray usando e abusando da cara de sonso e do humor afiado. Até Bruce Willis entra na parada na pele de um mercenário impiedoso. Da metade em diante, o filme toma outro rumo — mais leve, mais musical, mais ingênuo e fantasioso. Trata-se de uma história inspirada na trajetória de Setara Hussainzada, uma mulher que desafiou as tradições muçulmanas (não convém revelar mais detalhes). Ao gosto do freguês, o longa-metragem oferece dois enredos em um, mesmo havendo ruídos entre as duas partes. Estreou em 2/6/2016.
    Saiba mais
  • Cinco anos depois do lançamento de Meu País, o diretor André Ristum retoma o drama familiar, agora inspirado no livro autobiográfico do jornalista Luiz Fernando Emediato, também produtor do longa-metragem. A trama tem início em 1963 numa pequena cidade do interior de Minas Gerais. Sonhador e idealista, Antônio Trindade (Eduardo Moscovis) compra uma caminhonete e muda com a família para Brasília, a então terra da prosperidade. Lá chegando, descobre que a casa fica em Taguatinga, uma região em lento desenvolvimento. Antônio passa a fazer frete enquanto se envolve com movimentos sociais. Seu filho, Nando (Davi Galdeano), de 12 anos, atravessa um processo de transformação — seja conhecendo o primeiro amor, seja descobrindo o mundo por meio dos livros. Com recriação de época detalhista, o filme faz um registro, com carinho e afeto, do relacionamento de pai e filho. No terço final, a barra pesa quando os militares tomam o poder, um momento crítico da história do Brasil, visto aqui pelos olhos de uma criança. Estreou em 2/6/2016.
    Saiba mais
  • Comédia romântica

    Uma Loucura de Mulher
    VejaSP
    Sem avaliação
    Depois do fiasco de Prova de Coragem, Mariana Ximenes volta a estrelar e produzir mais um longa-metragem. Trocou o drama pela comédia romântica e se deu melhor — ao menos na tentativa de conquistar um público maior. Em enredo de novela das 7 mas querendo (e não conseguindo) fazer uma crítica aos podres poderes de Brasília, a história traz Mariana na pele da dondoca Lúcia. Servindo de vitrine para o marido (Bruno Garcia), que deseja ser governador, a bela vira uma fera quando um senador abusado (papel de Luiz Carlos Miele, em sua despedida do cinema) a assedia numa festa — e ela revida com um tabefe. Para “consertar” o imbróglio, um assessor dá a ideia de interná-la numa clínica alegando distúrbio emocional. A protagonista, então, foge para o Rio de Janeiro, vai morar no apartamento de seu pai, fica amiga da vizinha (Guida Vianna) e, disposta a recomeçar, procura o namoradinho de infância que virou um cirurgião plástico famoso (papel de Sergio Guizé). Num roteiro todo arrumadinho e previsível, infidelidade conjugal e conchavos políticos são tratados de forma insípida e estereotipada. Contudo, o romance do casal central dá liga. Estreou em 2/6/2016.
    Saiba mais
  • Instant Article

    Essa é boa

    Atualizado em: 3.Jun.2016

    Contadores de piadas não são novidade. Tampouco estão só nos palcos
    Saiba mais

Fonte: VEJA SÃO PAULO