Animais

Conheça os cães do bem, que ajudam pessoas em diferentes atividades

Os pets fazem de tudo, de resgate em desastres a acompanhamento em atendimento médico

Por: Carolina Giovanelli

Cachorro sessão terapia cão
A psicóloga Lilian ao lado de Lola: juntas em sessões de terapia (Foto: Ricardo D'Angelo)

A fêmea de labrador Dara, de 4 anos, possui faro aguçado. Consegue detectar cheiros específicos a grande distância. A característica se faz obrigatória para integrar o quadro de “funcionários” caninos da Defesa Civil de Osasco, especializados em agir em casos de desastre na capital e em cidades próximas. Além dela, há dois labradores (Fanny e Radar) e uma border collie (Panda) no canil, em operação desde 1996.

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Esses animais são adestrados para encontrar pessoas desaparecidas, quando há suspeita de morte. Uma peça de roupa ou outro objeto que contenha o odor do usuário costuma ajudar nas buscas. Os pets também reconhecem o cheiro de cadáveres. Ao longo do treinamento, uma gaze passada num corpo em estado avançado de putrefação é empregada para condicionar seu olfato. “Eles ficam sempre a postos, alertas e descansados para agir”, afirma Wanessa Camargo, gestora do local.

Em 2009, os cães auxiliaram, por exemplo, nas buscas em um deslizamento no Morro do Socó, em Osasco. Mãe e três crianças morreram soterradas. Os bichos atuam ainda em ocorrências policiais. Em janeiro, um executivo americano desapareceu, e seu assassino confessou ter escondido o corpo em um ponto próximo à Rodovia dos Imigrantes. Lá foram os labradores à procura do corpo. Como nem sempre há muita ação no pedaço, os bichos costumam marcar presença em igrejas, escolas, entidades e eventos da prefeitura. Quando podem, doam sangue a parceiros caninos em necessidade. Aos 8 anos, ganham o direito à aposentadoria. Os funcionários da Defesa Civil têm preferência na adoção.

Cachorro cão defesa civil
Dara, “funcionária” da Defesa Civil de Osasco: auxílio em acidentes (Foto: Ricardo D'Angelo)

A equipe de patas de Osasco é um exemplo de como os pets podem ajudar as pessoas em situações delicadas, emergências e tratamentos diversos. Na iniciativa privada, outra turma realiza trabalhos valiosos na Humanimais. Fundada em 2011, a empresa oferece serviços em que mascotes agem no papel de facilitadores em várias áreas. Na sede de Pinheiros, a fêmea de pastor-australiano Lola alegra sessões de terapia com a psicóloga Lilian Bertolo.

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O fisioterapeuta Vinicius Ribeiro e a pedagoga Andrea Petenuci, da entidade, também fazem uso desse método. “Os pacientes ficam muito mais motivados e relaxados com a presença dos animais”, garante Ribeiro. Os cachorros ainda acompanham rodas de leitura para incentivar o hábito nas crianças. No setor corporativo, animam funcionários de firmas durante oexpediente. O serviço custa a partir de 300 reais e inclui uma visita de dois pets por cinquenta minutos.

Outra atividade que traz bons resultados é a cão terapia. Trata-se da ida dos animais a hospitais, asilos e entidades voltados a pessoas com deficiência e em situação vulnerável. Criado em 1998 pelo adestrador Alexandre Rossi, o Instituto Cão Terapeuta é uma ONG independente desde 2013. Reúne 54 bichos voluntários. São cerca de 250 pacientes beneficiados, de dez instituições, por mês. “Lembro-me de uma moça com paralisia cerebral que não respondia a nenhuma das atividades do hospital, entre elas natação, pintura, música...”, recorda Tatiane Ichitani, coordenadora do grupo. “Na presença dos animais, ela começou até a fazer careta, jogar bolinhas.” O cão precisa ter mais de 1 ano e meio, ser castrado e muito sociável com humanos. Em tempo: ele deve ficar também à vontade com a situação, pois seu bem-estar está em jogo.

Instituto Cão Terapeuta
Pet voluntário do Instituto Cão Terapeuta: cerca de 250 pessoas beneficiadas por mês (Foto: Divulgação)

Autor do livro Cara de um, Focinho de Outro, o veterinário e psicanalista Marcos Fernandes explica que a interação com cachorros serve de apoio complementar para a melhora de quadros de depressão e agressividade. “A recuperação é mais rápida”, diz. Em 2013, o Hospital Israelita Albert Einstein, um dos principais do Brasil, passou a aceitar que os donos levem suas mascotes para dentro do espaço. Na maioria dos casos, trata-se de longas internações. E são aceitas ainda espécies como gatos e passarinhos.

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Os cães-guia também fornecem ajuda crucial à rotina de muitos humanos. A fêmea de golden retriever Júlia, de 6 anos, é fiel escudeira do analista de sistemas Gabriel Vicalvi, deficiente visual desde o nascimento. A página no Facebook na qual o dono conta a rotina da cadela reúne quase 10 000 seguidores. “Eu cuido dela e ela cuida de mim”, afirma. “Desde que a Júlia entrou na minha vida, tudo mudou. Temos uma ligação muito forte.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO