Negócios

Grife Cachorro Locco conquista os motoboys

Marca faz sucesso entre esses profissionais com mochilas e acessórios

Por: Carolina Giovanelli

motoboy cachorro locco
Pereira na fábrica da Cachorro Locco: lucro com bolsas para pizzas (Foto: Divulgação)

Há tempos o bairro de Santa Ifigênia é point de motoboys. A área concentra diversas mecânicas e lojas especializadas. No fim da década de 90, Antonio Augusto Pereira comandava uma oficina de restauração de bancos na Rua dos Gusmões. O ofício havia sido herdado de seu pai, também Antonio, que anos antes fora dono de uma fábrica de assentos. Enquanto esperavam até uma hora no pequeno espaço de 4 metros quadrados para ter uma peça nova em folha, os clientes batiam papo com Pereira. Depois de ouvir algumas reclamações sobre suas mochilas, que se estragavam facilmente, ele teve uma ideia que o tornou um empresário de sucesso no meio. Nascia então a Cachorro Locco, marca que há quinze anos vende acessórios para motoqueiros, entre mochilas, jaquetas e camisetas. Hoje com quarenta funcionários, a empresa tem um faturamento mensal aproximado de 250 000 reais, o dobro da receita registrada há cinco anos.

O grande segredo da Cachorro Locco está em ouvir a opinião dos usuários. Pereira foi quem criou, sem conhecimento algum em design, o protótipo da mochila de lona impermeável. Atualmente, são vendidas 8 000 unidades por mês, em média, em vários modelos. “Quando pus a bolsa à mostra na oficina pela primeira vez, os motoqueiros me ajudaram a melhorá-la, dizendo para mudar a alça e aumentar seu tamanho”, conta o empreendedor de 45 anos.

Para emplacar no mercado o negócio que criara, ele pediu a seus amigos que fossem a uma das maiores lojas da região e solicitassem diariamente a mochila da Cachorro Locco, como se quisessem comprá-la. Depois de tanta insistência, o dono do estabelecimento encomendou os itens, o que ajudou a dar visibilidade a eles.O nome, inspirado no apelido dos motoboys que circulam pelas ruas em alta velocidade, sempre “costurando” no trânsito, também foi ideia da turma, que rejeitou a grafia de “louco” e escolheu algo mais diferente (“locco”).

“Acho que essa participação ajudou muito a identificação deles com os produtos”, afirma Pereira, que sempre anda pela cidade com um caminhãozinho personalizado e precisa carregar por onde vai um bolo de adesivos, pois os motociclistas vivem pedindo o colante para colocá-lo no capacete ou na moto. Um dos que divulgam a marca por aí é Luiz Bicchioni, motoboy há 25 anos. “Não tem para ninguém, a qualidade é 100%”, diz.  “Os produtos aguentam chuva, sol, buraco...” Todas as peças levam costura reforçada e quase sempre são produzidas com náilon, colocando em primeiro lugar a segurança e o conforto do condutor.

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“Tenho a impressão de que são roupas de guerra, pois a funcionalidade é mais importante do que a beleza”, afirma Jana Rosa, apresentadora do programa de moda Perua MTV Intense. “Adorei, porém, as polainas para chuva. Elas fazem lembrar as uggboots, botas que famosos como a Britney Spears usam e todo mundo acha feias, mas eu amo.”

Outro motivo para a rápida expansão da empresa consiste nas inovações. Pereira se diz responsável, entre outras coisas, por criar a mochila térmica para pizza. “Antes, o pessoal levava os discos no baú mesmo, e aí eles chegavam à casa do cliente virados e frios”, explica. “Depois que eu inventei o modelo, vários copiaram.”

Desde o começo do ano, ele passou a investir também nas consumidoras, com jaquetinhas e conjuntos impermeáveis. Nos produtos para motoqueiras, que pedem algo mais discreto, a marca não usa seu logotipo usual, que estampa um cachorro com a língua para fora (o pit bull Ryan, que inspirou o desenho, morreu há duas semanas), mas um símbolo mais clássico com as letras CLC. O mesmo acontece com os alforjes, bolsas de couro sintético mais trabalhadas que são colocadas na lateral de motos maiores.

Paulistano da Casa Verde, Pereira tem curso de administração incompleto. Para ir trabalhar, reveza-se entre um HB20 Hyundai e uma scooter 300i prata da Dafra. Pretende, em breve, expandir os negócios fabricando capacetes e luvas, além de se mudar para um espaço maior, que unifique no mesmo endereço a fábrica e o escritório, localizados na Lapa, e outra fábrica no município de Caieiras, na região metropolitana.

Aceleração máxima

O tamanho da empresa dobrou de cinco anos para cá

› A marca foi fundada em 1998

› Quarenta funcionários se dividem entre o escritório e uma fábrica, localizados na Lapa, e outra fábrica em Caieiras

› A empresa tem faturamento médio de 250 000 reais por mês

› Revende seus produtos para cinquenta lojas na capital, além de enviá-los ao interior e a outros estados, como Minas Gerais

› As mochilas configuram o maior hit da grife. No total, são vendidas 8 000 unidades mensalmente

Fonte: VEJA SÃO PAULO