Entrevista

'Quero um título mundial', diz o pentacampeão da Stock Car Cacá Bueno

Em busca do sexto título na prova, piloto conta como está a preparação para a nova etapa do circuito e diz que objetivo é ser o melhor do mundo

Por: Marcus Oliveira - Atualizado em

Cacá Bueno
Cacá Bueno luta em 2013 pelo seu sexto título na Stock Car (Foto: Bruno Terena / Red Bull Content Pool)

Não se pode negar que a estrela de Cacá Bueno vem brilhando a cada ano. Atual pentacampeão da Stock Car, o piloto vai brigar em 2013 pelo seu sexto título na categoria, que reúne alguns dos possantes mais turbinados do automobilismo. E ele já começa com pé direito. No domingo (3), na primeira etapa do torneio, Cacá terminou a corrida no Autódromo de Interlagos com a primeira posição.

Veterano das pistas, ele permanece na equipe Red Bull Racing  ao lado do parceiro Daniel Serra e admite que não se sente ameaçado com os novatos que entram na disputa esse ano, entre os nove novos, Rubens Barrichello. “A chegada dele é somente um reflexo do momento que o nosso esporte vive. Ele pode trazer visibilidade internacional, mas na verdade, é uma comprovação do sucesso da Stock”, garante.

Aos 36 anos, o filho do apresentador Galvão Bueno pretende registrar seu nome em rankings além de solo brasileiro. Entre os desafios desse ano, um dos maiores, segundo ele, é a disputa do campeonato mundial FIA GT Series, a partir do fim de março, com uma equipe totalmente brasileira: o BMW Team Brasil. "Eu tenho desejo de ser campeão do mundo um dia", conta.

Dias antes da estreia da temporada em Interlagos, Cacá Bueno contou à VEJASAOPAULO.COM como anda a preparação rumo ao hexa.

VEJASÃOPAULO.COM — Como estão os preparativos para a temporada de 2013?

Cacá Bueno — É mais voltada à parte física e estratégica do que desenvolimento técnico. Estamos criando ainda estratégias para o acerto inicial do carro. Mudamos o pneus de Goodyear para Pirelli e isso faz diferença. No começo dá uma bagunçada, mas depois se ajeita. É fundamental ficar focado, voltado para isso. Fazer um planejamento com tudo o que pode acontecer e começar saindo bem nas primeiras provas.

E voce faz alguma atividade física?

É mais o aeróbico mesmo. A corrida não exige muito da parte muscular. Eu faço natação e jogo tênis. Tento fazer uma atividade física todos os dias. Cada um escolhe o que prefere fazer. Já estou acostumado com o o calor, mas alguns pilotos se preparam mais pra isso, alguns preferem fazer exercício na sauna. Eu sou mais tranquilo quanto a isso. 

Como acha que será a luta para o sexto título?

Eu mantenho a mesma base, a equipe, o companheiro, não tem porque mexer. Não perder tudo isso já é uma grande ajuda para irmos rumo a um novo título. Além de não deixar de trabalhar jamais, como estamos fazendo. A continuidade vai ajudar nessa disputa do novo título.

Cacá Bueno
Cacá permanece na equipe Red Bull Racing em 2013 (Foto: Bruno Terena / Red Bull Content Pool)

Quais os principais adversários esse ano? 

Se não me engano, essa é uma das maiores renovações de gride dos últimos anos. São nove novatos e alguns deles já com experiência. Creio que eles vão demorar um pouco a se adaptar, mas alguns novos, como Rafael Matos e o Rubinho [Barrichello], podem fazer uma diferença. Acho até que o Rubinho está na lista dos favoritos. Falo pelos menos dez nomes que prometem dar trabalho. Sempre diputo com mais de dois na final. O ano passado foram sete, por exemplo. Estou focado no meu titulo e a partir da sexta etapa mais ou menos já é possível levantar alguns possíveis adversários.

A chegada do Rubinho ajuda a projetar mais a Stock Car?

Na verdade, só comprova o momento de qualidade que a Stock Car está vivendo. Já tivemos sete pilotos de Fórmula 1 correndo na Stock. Ele pode trazer uma visibilidade internacional, mas na verdade é mais uma comprovação mesmo. O melhor lugar para quem não esta na F1 é nesse campeonato. Além disso, pode morar perto da família, tem um bom retorno publicitário, compromissos. Vejo como o principal torneio para pilotos brasileiros que não estão no GP. Acho que ainda não estamos prontos para receber pilotos de fora, mas em algum tempo isso já será possível.

A Corrida do Milhão (com prêmio de 1 milhão de reais) este ano, além do prêmio, terá a pontuação dobrada. Isso faz a disputa aumentar ainda mais?

Meu foco é ganhar o campeonato. Ainda não ganhei nenhuma do [Corrida do] Milhão. Sempre chego perto. Não vejo ela no campeonato como a mais importante. Não gosto muito dessa questão, na verdade. O piloto tem que ser o melhor o ano todo e um detalhe pode tirar o título dele. Não acho muito justo, não reflete o esporte. Mas temos que trabalhar nesse conceito. É mais importante estar forte no fim do ano. É lá que se define um campeão. Ele será decidido na última etapa, tenho certeza. E vou brigar pelo campeonato. Se ganhar o milhão, melhor ainda.

Você se acha um piloto agressivo na pista?

Acho que sou mais estrategista. Já fui mais arrojado e hoje em dia sou mais observador. Não só a velocidade me atrai e isso vem com a experiência. Claro que sempre quero ser o mais rápido. O prazer de ser o mais mais veloz existe. Mas agora busco ter calma na decisão. Usar mais o planejamento. Ter mais cálculo que arrojo. Não assumo mais alguns tipos de ricos na pista.

Cacá Bueno
O piloto disputa em 2013 um campeonato mundial em busca de um título inédito na carrreira (Foto: Bruno Terena / Red Bull Content Pool)

Vai correr algum outro campeonato esse ano?

Sim. Vou disputar o Campeonato Mundial de GT [Gran Turismo], que começa em 31 de março, na França. Corro pela BMW, com uma equipe totalmente brasileira. A estrutura toda, desde mecânico, engenheiro, toda brasileira em uma competição internacional. Somos em quatro pilotos: eu, o Ricardo Zonta, Allam Khodair e o último deve ser o Valdeno Brito. Estamos muito ansiosos com esse projeto.

Sempre soube que seria um esportista?

Sempre. Comecei desde pequeno a me envolver com velocidade. Quando fazia kart na juventude eu já tinha certeza que era isso que eu queria para a minha vida. Só não sabia como. Poderia ser como engenheiro, mecânico, qualquer coisa, queria participar mesmo que fosse fora do carro. Mas, graças a Deus, me consagrei como piloto. Hoje em dia vejo pessoas que com 17 anos não sabem o que fazer da vida e eu com apenas 12 anos já sabia. Era meu foco e sempre foi meu sonho. Ganho bem, consigo viver do automobilismo.

Quais são seus próximos passos no esporte?

Eu tenho desejo de ser campeão do mundo um dia. Esse projeto novo mata um pouco desse desejo. A Stock continua sendo meu carro-chefe, mas um título mundial seria algo até pessoalmente incrível. Ser o melhor do mundo é um objetivo. Ainda não penso fora do automobilsimo. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO