Joias

Brilho do bem

O leilão com peças de Lily Safra traz raridades de JAR e de Suzanne Belperron, a designer mais importante do século XX, e terá 100% da renda revertida a instituições

Por: Patricia Moterani - Atualizado em

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Colar de esmeraldas colombianas e diamantes, do século XIX: acervo “elegante e atemporal”, segundo a Christie’s (Foto: Divulgação)

Foram precisos quatro décadas e quatro casamentos bilionários (um industrial argentino, um dos maiores revendedores brasileiros de aparelhos domésticos, um empresário marroquino e o banqueiro Edmond Safra, morto num incêndio na cobertura do casal em Mônaco, em 1999) para a socialite Lily Safra, de 74 anos, acumular uma das coleções de joias mais vistosas do século XX. Não mais de duas horas serão necessárias para parte desse tesouro passar a baús alheios.

Lily Safra retrato
Lily Safra: relíquias em nome da filantropia (Foto: Divulgação)

A Christie’s vai leiloar setenta lotes de peças, feitas entre os anos 1820 e 2000, no dia 14 de maio, em Genebra, cidade onde a herdeira de 1,2 bilhão de dólares mantém uma casa. A ideia é levantar fundos para vinte instituições entre teatros e centros de pesquisas científicas. Estima-se em 20 milhões de dólares a arrecadação da venda, batizada de Jewels for Hope (Joias da Esperança).

Par de brincos de rubi e safiras JAR
Par de brincos de rubis, safiras azul e amarela e diamantes: criação exclusiva de JAR para a socialite, em 1987 (Foto: Divulgação)

Entre os quilates mais disputados devem estar dezoito criações sob medida do joalheiro americanoJoel Arthur Rosenthal. Radicado em Paris, JAR, como é chamado pelas clientes, produz em média oitenta peças por ano e só atende quem importa na alta-roda. Essa não é a única razão pela qual o leilão cintila.

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Bracelete de diamantes e safiras da década de 40, de Suzanne Belperron: o lance mínimo será de 80 000 dólares (Foto: Divulgação)

O bracelete acima é obra da francesa Suzanne Belperron, a única mulher a se destacar no mercado nas décadas de 30 e 40, dominado pela expertise de grifes como Cartier e Van Cleef & Arpels. Morta em 1983, Suzanne não assinava as peças — produziu aproximadamente 7 000 em cerca de quarenta anos — e é quase desconhecida hoje. Para os especialistas, trata-se da grande joalheira do século passado. “Ela se libertou do art déco para desenhar um estilo próprio, marcado por formas orgânicas e pela combinação pioneira de pedras clássicas, como o rubi, com mais modernas, como a ametista”, diz Nico Landrigan, presidente da joalheria Verdura, em Nova York, e organizador de uma biografia sobre a designer, com lançamento previsto para 2013.

Landrigan estará em Genebra em busca do tal bracelete. De safiras e diamantes, é a única Belperron disponível. “Lily Safra tem um olhar perspicaz e gosto apurado”, completa François Curiel, diretor internacional do departamento de joias da Christie’s. “Suas joias são elegantes e atemporais.” Não à toa, é conhecida como Gilded Lily — ou Lily Dourada.

Jewels for Hope: The Collection of Mrs. Lily Safra.14 de maio, 20h. Four Seasons Hotel des Bergues. 33, Quai des

Bergues, 1201, Genebra, ☎ 41 (22) 908-7000, christies.com

Fonte: VEJA SÃO PAULO