MÚSICA

Bon Jovi enfrenta chuva e problemas de som em show morno no Morumbi

Sem surpresas, banda fez apresentação quase idêntica à do Rock in Rio para 60 000 pessoas; versão de Pretty Woman foi uma das poucas boas cartadas do ídolo dos anos 80

Por: Tiago Faria - Atualizado em

Bon Jovi no Morumbi
Bon Jovi no Morumbi: show burocrático (Foto: Stephan Solon/Divulgação)

As fãs mais dedicadas de Jon Bon Jovi se espremeram na pista premium do Estádio do Morumbi para tentar repetir a façanha da subgerente Rosana Guedes, que ganhou um beijo do ídolo no show de sexta (20), no Rock in Rio. Em vão. Na noite chuvosa de domingo (22), o cantor americano de 51 anos evitou as baladas mais açucaradas de sua banda – o hit Always foi limado do setlist – e não atendeu aos pedidos de beijos (“kiss me”) e abraços (“hug me”) desenhados em dezenas de cartazes coloridos. Dançar com Jon no palco? Não dessa vez. 

Apesar da euforia no bis, quando o grupo emendou uma versão de Pretty Woman, de Roy Orbison, com o sucesso Born to be My Baby, as 60 000 pessoas que lotaram o estádio queriam mais. E tiveram que esperar – muito – por sinais de entusiasmo em um show prejudicado por problemas no som, pela falta do baterista Tico Torres (e do guitarrista Richie Sambora, afastado da turnê por “problemas pessoais”) e por uma forte forte chuva que caiu na meia hora final. “Este foi um ano difícil”, admitiu o vocalista, que ainda provoca gritinhos quando rebola no palco e lança sorrisos para as meninas e senhoras. “Mas, sempre que subimos no palco, damos o nosso melhor.”

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A promessa pouco convenceu. Além de ter seguido quase rigorosamente o repertório executado no Rio de Janeiro (à exceção das duas músicas do bis), o cantor conversou pouco com o público e não arriscou canções que exigiam maior alcance vocal, a exemplo de These Days, I’ll be There for You ou Bed of Roses. O volume baixo do som frustrou boa parte dos fãs, que chegaram a fazer coro para protestar contra o áudio embolado. “Isso aqui está funcionando?”, perguntou Bon Jovi, apontando para o microfone, na balada Memory. Curiosamente, as caixas estavam mais potentes na apresentação da banda de abertura, a canadense Nickleback.

Se o Rock in Rio anulou quase todas as surpresas, apenas um truque eficiente ficou reservado para São Paulo: o uso do telão para exibir uma seleção de imagens para cada música, com cenas de, por exemplo, carros em movimento (para Lost Highway) e gotas azuladas de água (na abertura, com a pouco conhecida What the Water Made Me). O público parece ter aprovado o recurso: muitos registraram grande parte do show em seus telefones celulares. Em Wanted Dead or Alive, um dos poucos momentos de comoção, Jon sugeriu que os fãs ligassem os aparelhos para “iluminar a noite chuvosa”. Um pedido prontamente aceito por uma multidão sintonizada na atmosfera nostálgica da banda, que oscila entre o hard rock setentista e o romantismo de estações FM de rádio.

Apesar disso, a celebração resultou incompleta. A ausência do baterista Torres, hospitalizado para uma cirurgia na vesícula, foi sentida pela banda, que esperou o bis para mostrar pela primeira vez no telão seu substituto Rich Scannella. O tecladista David Bryan era o único integrante oficial além de Jon em cena.

Ao contrário do que se viu no Rock in Rio, no entanto, o grupo soava mais entrosado, sem quebras nos andamentos das músicas. A competência que marcou as quase duas horas e meia de show, porém, trouxe resultados eletrizantes a conta-gotas, como nas obrigatórias You Give Love a Bad Name, Livin' on a Prayer, It’s My Life, Bad Medicine e I’ll Sleep when I’m Dead, quando Bon Jovi arriscou um trecho de Start Me Up, dos Rolling Stones. Uma cartada que, diga-se, já havia sido usada há três dias no Rio.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO