Futebol

A boa fase do Santos

Na final da Libertadores, o time mobiliza sua grande torcida na capital

Por: Manuela Nogueira

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A cantora Mariana Belém: fase exuberante do time (Foto: Mario Rodrigues)
Santos é o atual bicampeão paulista. Ganso e Neymar estão entre os maiores craques do país. Para completar a fase, classificou-se para a final da Libertadores, cuja primeira partida, contra o Peñarol, do Uruguai, está marcada para a próxima quarta (15), no Estádio Centenário, em Montevidéu. O segundo jogo será no Pacaembu, uma semana depois. Isso não ocorria desde 2003, quando o clube chegou à decisão do torneio e perdeu o título sul-americano para o Boca Juniors, da Argentina. “Deus só pode estar do nosso lado”, acredita o presidente Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. O assédio em torno do clube é um reflexo de todo esse sucesso. Por semana, seu departamento de comunicação recebe setenta pedidos de entrevista com os atletas. Em véspera de disputas importantes, cerca de 100 jornalistas esportivos se acotovelam no centro de treinamento. “Queremos entrar para a história conquistando o tricampeonato da Libertadores”, afirma o meio-campista Elano, outro destaque do esquadrão praiano. Ivan Storti
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O meio-campista Elano: “Queremos entrar para a história” (Foto: Ivan Storti)
O meio-campista Elano: “Queremos entrar para a história” Não faltam motivos, portanto, para encher de orgulho os 5,2 milhões de torcedores espalhados pelo país (o número é de um levantamento recente do Ibope, feito para o jornal esportivo Lance!). Do total desse contingente, apenas 500.000 moram na Baixada. Com aproximadamente 1 milhão de adeptos, a capital paulista concentra o grosso dos fãs. São torcedores como a cantora Mariana Belém, que acompanha os jogos fazendo comentários em seu Twitter. “Tenho uma bandeira autografada e toda vez que posso vou ao estádio”, diz ela. Outras personalidades, como o músico Zeca Baleiro, o governador Geraldo Alckmin e o rapper Mano Brown, engrossam o coro. “O Santos é de Santos, mas ao mesmo tempo não é”, afirma o jornalista Odir Cunha, autor de sete livros sobre o alvinegro. “A ligação com os paulistanos sempre foi muito forte.” + Entrevista com o jogador Paulo Henrique Ganso + Grandes times de futebol investem em espaços para vender produtos da marca+ Neymar, futuro papai e caça colírios Nos anos 50, Chico Buarque, ainda criança, ia ao Pacaembu para assistir às partidas do Santos e aos gols de seu ídolo Pagão. Ao longo desta edição da Libertadores, milhares de torcedores puderam fazer o mesmo. Dos seis jogos disputados no Brasil, três ocorreram ali. Foi uma opção estratégica da agremiação, que pretende se aproximar ainda mais do público da capital. Faz parte dos planos da diretoria, por exemplo, abrir uma loja oficial e criar aqui uma espécie de embaixada para que os sócios paulistanos possam votar nas eleições do clube sem ter de descer a serra. Mario Rodrigues
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Luis Alvaro: presidente do clube vive o momento de glória do Santos (Foto: Mario Rodrigues)
Luis Alvaro: presidente do clube vive o momento de glória do Santos Nos últimos tempos, o alvinegro vivia de altos e baixos, até que, no fim de 2009, o empresário do setor imobiliário Luis Alvaro assumiu o comando. Em apenas um ano, conseguiu aumentar a receita em mais de 50%, diminuiu a dívida e triplicou o número de novos sócios. “Enquanto os outros clubes lucram com a venda dos jogadores, o Santos fatura com a exploração da imagem deles”, diz Paulo Vinicius Coelho, comentarista da ESPN, citando como exemplo o esforço para manter no elenco Neymar, assediado constantemente pelo futebol europeu. A ideia é segurar ele e outros craques para que o time continue forte em 2012, ano em que o Santos completa seu centenário. A VIRADA DO PEIXEOs grandes indicadores da transformação recente do clubeFaturamentoem 2009: 70,4 milhões de reais em 2010: 116,5 milhões de reais Deficit em 2009: - 46,4 milhões de reais em 2010: - 8,6 milhões de reais Sócios adquiridos em 2009: 3.533 em 2010: 10.657 Jogadores na seleção brasileira em 2009: nenhumem 2010: 4 (André, Ganso, Neymar e Robinho)

Fonte: VEJA SÃO PAULO