Teatro

Musical 'Bixiga' preserva memória do tradicional bairro paulistano

Divertida e popular, a montagem foca na rotina dos imigrantes nos cortiços

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

Bixiga - 2181
Ingenuidade e leveza: 23 atores e 25 músicos recriam o reduto de imigrantes (Foto: Adriano Escanhuela)

Na última década, São Paulo caminhou para se firmar como filial da Broadway, com os musicais virando alvo de forte investimento. Espetáculos grandiosos e produções que quase nunca deixam a dever aos exemplares estrangeiros resultam, na maioria das vezes, em ingressos pouco acessíveis a boa parte do público. Diante da aspiração cosmopolita, Bixiga, em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso, pode parecer um primo pobre do gênero — mas não é.

Escrito por Enéas Carlos Pereira, Edu Salemi e Ana Saggese, com direção de Mario Masetti e Carlos Meceni, o musical reúne 23 atores e 25 instrumentistas da Orquestra Jazz Sinfônica, regidos pelo maestro Fabio Prado. A divertida montagem remete ao teatro de revista para focalizar a rotina dos imigrantes nos cortiços e a movimentação das cantinas e dos teatros. Tudo perfeitamente costurado ao gancho dramático do amor proibido entre uma italiana (Alexandra Bragheroli) e um rapaz negro (Eduardo Mafalda).

A ingenuidade e a simplicidade marcam as letras das doze canções, as coreografias e também os números interativos com os espectadores, protagonizados pela atriz Ju Colombo. Nada disso depõe contra. Na cidade dos grandes musicais, ‘Bixiga’ mostra relevância e produção cuidadosa. Deve ser visto como um espetáculo que recupera a história de um tradicionalíssimo bairro e busca uma plateia mais popular e não menos importante.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO