Aniversário

Bike Sampa completa um ano com novidades

Com mais de 149 000 usuários cadastrados, o programa contará com outras 100 estações até junho

Por: Juliana Deodoro - Atualizado em

Bike Sampa
Bike Sampa: paulistanos poderão liberar bicicleta com bilhete único (Foto: Divulgação)

Há dez meses, quando percebeu que o sistema de empréstimo do Bike Sampa estava funcionando a pleno vapor, o arquiteto André Moral, de 38 anos, pode enfim tomar uma decisão que modificou totalmente a sua rotina. André vendeu o carro e passou a fazer o percurso de casa ao trabalho - e entre as obras e atividades corriqueiras durante o dia - somente de bicicleta. "Entre a minha casa e o trabalho, demorava cerca de 20 minutos de carro. Mas para achar uma vaga era quase o mesmo tempo. Mudei meu estilo de vida sabendo que os sistema iria me ajudar."

André é um dos mais de 149 000 usuários cadastrados no programa, que completa no dia 24 de maio um ano de existência. Quando começou, o projeto tinha apenas seis estações. Atualmente, são 100 e até junho outras 100 serão inauguradas na cidade. Com esse aumento, 2 000 bicicletas estarão circulando pelas ruas de São Paulo até o fim do ano.

+ Testamos a integração da bicicleta com o metrô

O arquiteto usa a bike para atividades simples do dia como ir para a aula de yoga e para vistar clientes. "O escritório fica na Vila Mariana e a maioria dos meus clientes fica nos Jardins e em Moema. A bicicleta é uma mão na roda. Sem ela, teria de ir de táxi para todos esses lugares."

Na avaliação do cicloativista William Cruz, do Vá de Bike, o projeto tem duas vantagens. A primeira é que, como as estações estão muito próximas umas das outras, as pessoas acabam optando por fazer pequenos trajetos de bicicleta, diminuindo o número de carros nas ruas. A segunda, mais promissora, é que as bikes emprestadas servem de porta de entrada para muitos novos ciclistas. "Com a experiência do Bike Sampa, muita gente se sente segura para aderir à bicicleta."

Na Vila Mariana, bairro piloto para instalação do projeto, as opiniões são diversas. André Moral, por exemplo, mora e trabalha na região e diz cruzar com usuários a todo momento. Já o comerciante Edemar de Morais, de 25 anos, afirma que o dia a dia continua o mesmo e que a mudança é sentida principalmente nos fins de semana. "No sábado e no domingo com menos carros nas ruas e com a ciclofaixa de lazer, as pessoas se sentem mais seguras. Infelizmente, muita gente ainda tem medo de andar de bicicleta pois ainda falta respeito."

De acordo com levantamento da Serttel/Samba, empresa responsável pelo sistema e manutenção das bicicletas, as estações mais populares em empréstimos e devoluções de bicicletas são aquelas próximas dos parque Ibirapuera e do Povo e algumas vias do Itaim Bibi, Pinheiros e Jardins.

O autônomo Manuel de Morais, de 58 anos, lista dois problemas que considera cruciais no Bike Sampa: a necessidade do cartão de crédito para se cadastrar e do celular para liberar as bicicletas. "Se não fossem essas duas exigências, eu seria um dos usuários. Desta forma, eles estão elitizando o negócio."

Na semana passada foi colocado em teste a integração do Bilhete Único com as bicicletas. Dessa forma, caso seja necessário fazer alguma cobrança - na situação em que o usuário fica mais de trinta minutos com a bicicleta -, ela seria feita pelo Bilhete Único. Apenas 100 usuários e três estações estão testando essa possibilidade.

William Cruz também cita um contraponto. "A única crítica é que o sistema está numa área restrita, seria bem legal expandir para outros bairros da cidade", diz.  "Mas não tem jeito. As bicicletas laranjas já foram incorporadas à cidade, as pessoas já se acostumaram com a presença delas."

Fonte: VEJA SÃO PAULO