Transporte

Dobra o número de modelos de bicicletas elétricas na capital

Atualmente, vinte versões podem ser encontradas nas lojas especializadas

Por: Flora Monteiro - Atualizado em

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A relações-públicas Carol Althaller chama atenção quando circula pelos Jardins. Pedestres acenam e os mais curiosos pedem até que ela pare. O motivo para tanto alvoroço é seu meio de transporte: uma bicicleta elétrica estampada com flores. A carioca, radicada em São Paulo há sete anos, ganhou o presente do namorado em fevereiro e, desde então, cruza a Rua Oscar Freire de ponta a ponta para ir e voltar do trabalho todos os dias.

“Como não sei dirigir, dependia de carona ou fazia o percurso a pé, o que significava sair mais cedo de casa e chegar suada na empresa”, conta. “Além de otimizar meu tempo e esforço físico, o modelo não polui a cidade e impõe mais respeito no trânsito que os tipos convencionais.” Aos poucos, graças ao aumento da oferta do veículo, outras pessoas começam a engrossar a frota.

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Atualmente, vinte versões podem ser encontradas nas lojas especializadas, o dobro do que estava disponível na metade do ano passado. Segundo a Associação Brasileira de Veículos Elétricos, existem cerca de 2.000 delas trafegando pelas ruas da capital, número ainda tímido se comparado ao do Rio de Janeiro, com aproximadamente 5.000 unidades. Mas o negócio está evoluindo rápido por aqui. “Desde agosto, quando inauguramos a loja, as vendas mensais aumentaram 60%”, diz Ricardo Uchoa, dono da eBike Store, em Perdizes, que comercializou trinta dessas bicicletas em fevereiro.

Com preços variando entre 2.500 e 17.000 reais, elas pesam cerca de 25 quilos e atingem, no máximo, 35 quilômetros por hora. “Não foram feitas para andar apenas com a força da bateria”, explica Uchoa. “É importante pedalar até chegar a uma boa velocidade, para não forçar demais o motor.” Antes de colocar a bike na rua, é preciso conectar sua bateria a uma tomada — oito horas de carga permitem percorrer aproximadamente 40 quilômetros.

Apesar do funcionamento semelhante, os modelos têm algumas particularidades: uns são dobráveis, outros apresentam melhor desempenho em ladeiras (veja na galeria de fotos). “Em junho iniciamos a produção de cinco tipos, e vamos diversificar ainda mais nossa oferta nos próximos meses”, afirma Claudio Rosa Junior, presidente da Kasinski, que deve inaugurar no segundo semestre uma fábrica no Rio com capacidade para até 10.000 unidades por mês. “Devo destinar uns 20% do total para São Paulo.”

Atualmente, as mulheres representam cerca de 65% dos usuários. “Está chegando a hora de pensar numa legislação específica para fiscalizar o novo tráfego”, acredita a corretora de imóveis Vivian Chenaud, que comprou um modelo elétrico no passado. Antes de criar as regras, no entanto, será necessário definir se esse tipo de veículo se enquadrará como bicicleta comum ou moto (o que tornaria obrigatórios o curso de direção, a carteira de motorista e o emplacamento).

No Rio, um ciclista foi multado em abril durante uma blitz da Lei Seca por estar sem capacete. Após o episódio, a prefeitura publicou um decreto equiparando as bicicletas elétricas às convencionais, desde que o condutor obedeça a um limite de velocidade de 20 quilômetros por hora e tenha, no mínimo, 16 anos de idade. A medida causou polêmica, pois contraria uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito, que exige capacete e habilitação para os modelos mais potentes. Em São Paulo, o assunto continua estacionado: a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz que está em fase de estudos para decidir a questão.

Fonte: VEJA SÃO PAULO