Paulistana Nota 10

Voluntária, pianista toca para pacientes em hospitais e residências

Betth Ripolli sofria agressões do ex-marido, mas deu a volta por cima através da música 

Por: Adriana Farias

Pianista Betth Ripolli
“A música e as palavras amenizam a dor das pessoas”, diz Betth Ripolli (Foto: Ricardo D'angelo)

Em 1987, a pianista Betth Ripolli decidiu encerrar o casamento por causa do comportamento repressor do marido. Apaixonada por música, era impedida de se apresentar em restaurantes ou tocar em festas na casa de amigos. “Ele dizia 'mulher minha não sai à noite, quem faz isso é biscate'”, relembra. Com o divórcio, Betth passou a ser perseguida e sofrer agressões físicas. 

Em uma ocasião, foi arrastada pelos cabelos no prédio onde morava, na Vila Nova Conceição, e ameaçada de morte. Em outra, teve o carro avariado ao sair de um bar. “Fiquei um mês sob a escolta de um segurança." Ao todo, registrou sete boletins de ocorrência contra o ex. A encrenca durou quatro anos e só foi resolvida por meio de um acordo, em que ficou acertado que ela retiraria as queixas sob a condição de que ele parasse de incomodá-la.

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Para superar o trauma pelo assédio, Betth resolveu apresentar-se publicamente. No caso, escolheu os hospitais como seu principal palco. Nos últimos quinze anos, mais de 10 000 pacientes e outros espectadores assistiram a seus shows em instituições como Santa Catarina, Sírio-Libanês e Albert Einstein. Nesse período, ela colecionou relatos emocionantes. “Uma vez, depois de dedilhar Fascinação, clássico na voz de Elis Regina, no Hospital do Coração, um senhor veio me agradecer, pois sua mãe havia acabado de morrer feliz, ouvindo sua canção favorita”, contou. Outro caso marcante foi o encontro com um paciente renal. “Ele não saía da cadeira de rodas, mas gostou tanto da apresentação que fez força para se levantar e me abraçar.”

A boa repercussão fez com que a ação fosse expandida também a asilos, como a Casa Bonsai Recanto do Idoso, em Piracicaba, no interior paulista, onde Betth se apresenta quinzenalmente. Ela também frequenta a residência de paulistanos que sofrem de doença terminal ou debilitante. Em algumas dessas atividades, oferece uma palestra com relatos de sua história. “Nesses momentos, costumo tocar Sonho Impossível, conhecida na voz de Maria Bethânia”, diz. Aos 64 anos, Betth concilia o trabalho voluntário com eventos corporativos, tem quatro CDs lançados e publicará a autobiografia A Autoconfiança – Oxigênio da Vida, no dia 3 de outubro.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO