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Cinema Caixa Belas Artes ganha sala inspirada nos antigos drive-ins

O espaço na Consolação terá filmes do passado, hambúrgueres, drinques e bate-papo liberado

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

Cinema Belas Artes drive-in
O projeto do novo ambiente: bancos originais de carros clássicos (Foto: MM18 Arquitetura)

Dois dos principais agitadores culturais da cidade acabam de unir forças. André Sturm comanda o tradicional cinema Belas Artes, na Consolação, que reabriu revitalizado em 2014, com patrocínio da Caixa Econômica Federal, e o Museu da Imagem e do Som. Nesse último, organizou exposições disputadas, como as mostras baseadas em David Bowie, em Tim Burton e na série Castelo Rá‑Tim‑Bum. O empresário Facundo Guerra encarrega-se do centro cultural Mirante 9 de Julho, dos bares Riviera e Z Carniceria e das casas noturnas Club Yacht, Cine Joia e Lions. Todos os estabelecimentos promovem eventos com gente saindo pelo ladrão.

A expectativa diante de uma parceria entre a dupla é de que ela renda bons frutos. Eles se preparam para inaugurar na cidade uma sala de cinema com irresistível charme vintage. O local terá inspiração nos drive-ins. Vale ressaltar: aqueles das antigas, com motoristas a bordo de carros estacionados de frente para a telona e comida à disposição, e não os estacionamentos que funcionam como concorrentes dos motéis. Guerra e Sturm iniciram os trabalhos para pôr em cartaz a nova atração no dia 17 do mês passado.

Facundo Guerra André Sturm
Guerra, do Riviera Bar, e Sturm: parceria no empreendimento (Foto: Alexandre Battibugli)

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O espaço escolhido foi a sala número 3 do Belas Artes, que foi fechada para reforma. “Queremos que a experiência seja tão importante quanto o filme em si”, afirma Guerra. Ele visitou cinemas estrangeiros a fim de reunir referências para o projeto, em desenvolvimento há cerca de dois anos. Tudo estará pronto até sexta (17), data da inauguração do lugar, com O Fabuloso Destino de Amélie Poulain na primeira sessão, às 13h. Além da projeção de filmes, o espaço vai oferecer opções gastronômicas criadas no vizinho Riviera Bar, situado logo do outro lado da rua.

No tempo em que os drive-ins tinham vez por aqui, o principal deles funcionava na Marginal Tietê: o Auto Cine Chaparral, inaugurado em 1971 e fechado nos anos 80. Os espectadores paravam na área de exibição, uma caixa de som era acoplada à janela do carro e uma equipe de garçons zanzava pelo estacionamento para servir bebidas e sanduíches. No caso do Belas Artes, por causa do espaço limitado do negócio, os bólidos ficarão de fora. Mas os motivos automobilísticos permanecerão.

cinema drive-in belas artes
A sala: pronta para a inauguração (Foto: Facundo Guerra /Reprodução Facebook)

No lugar das poltronas tradicionais, serão colocados bancos restaurados de carros de décadas passadas, entre eles Dodge, Impala e Cadillac. Na bilheteria, o frequentador escolhe, por exemplo, ocupar o Galaxie 1975. Com o objetivo de incentivar um programa em grupo, vende-se um ingresso (na faixa dos 50 reais) para o banco todo, onde cabem até três pessoas. Aqueles clientes que estiverem sozinhos conseguem usar as poltronas no fundo, mais em conta — o preço ainda será definido. Os tickets no primeiro mês de funcionamento terão valor promocional de 20 reais. Iluminam o ambiente, com capacidade para 83 pessoas, faróis e lanternas originais de veículos.

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O cardápio, com cerca de cinquenta itens, contempla drinques inspirados em longas-metragens criados pelo bartender Kennedy Nascimento, os clássicos milk-shakes, sobremesas e lanches. O misto de bar e cozinha foi instalado na parte de trás do lugar, com estilo baseado no trailer Airstream. Não há garçons. O público faz o pedido no balcão (antes e durante a sessão) e recebe um pager, que vibra quando tudo fica pronto. Uma bandeja serve de apoio.

Cinema Belas Artes sala
A sala antes da reforma: fechada a partir de terça (17) (Foto: Alexandre Battibugli)

Na programação, vez ou outra pode surgir uma nova produção, mas a ideia é reviver clássicos “pop cult”. Valem de criações de Quentin Tarantino, passando por Metrópolis, de Fritz Lang, a figurinhas carimbadas da Sessão da Tarde do naipe de Os Goonies e Os Caça-Fantasmas. A sessão deve durar aproximadamente três horas, com exibição de curtas e clipes antes do longa-metragem, a meia-luz.

Uma regra de ouro do cinema, ainda mais preciosa em salas dedicadas às fitas de arte como o Belas Artes, será quebrada: o silêncio não é obrigatório. Trata-se de uma boa notícia para aqueles que adoram comentar o que se passa na telona. O uso de celular também não ficará vetado, mas vale o bom-senso. “Não queremos por aqui um clima de jogo de futebol, mas procuramos uma experiência solta e divertida”, explica Sturm. “Não é um transe com a tela”, completa Guerra. Considerando o currículo dos envolvidos, há boa chance de o novo espaço virar um blockbuster.

auto cine chaparral
A fachada do Auto Cine Chaparral, em 1986: capacidade para 180 carros (Foto: Oswaldo Luiz Palermo/Estadão Conteúdo)

Fonte: VEJA SÃO PAULO