Cientista

Beatriz Barbuy

A astrofísica ganha prêmio da Unesco e coloca o Brasil mais perto das estrelas

Por: Henrique Skujis - Atualizado em

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Beatriz Barbuy: cientista premiada (Foto: Fernando Moraes)

Ela mesma assume não ser fácil explicar os benefícios de seu trabalho para a humanidade. Pelo menos para os pobres mortais, é jogo duro entender a importância dos estudos de Beatriz Barbuy no campo da evolução da composição química das estrelas. Seja como for, a paulistana filha de filósofos já faz parte do time dos cientistas mais respeitados do mundo. Soma 200 artigos em revistas internacionais e, em março, pelo conjunto de seus estudos sobre o universo, recebeu em Paris o prêmio L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência. Além do prestígio, Beatriz embolsou 100 000 dólares. Meses depois, em agosto, ela conseguiu trazer para o Rio de Janeiro a Assembleia-Geral da União Astronômica Internacional, da qual era vice-presidente. “Isso mostra a importância do país no mundo da astrofísica”, diz Beatriz, que passou a observar o céu com outros olhos na adolescência, quando ganhou do irmão o livro Um, Dois, Três... Infinito, do físico russo George Gamow (1904-1968). Depois de se formar em física na USP, precisou ir para a Europa para fugir da reserva de mercado que proibia a importação de computadores para o Brasil. “Há 25 anos, ninguém dava muita bola para uma mulher brasileira querendo ser astrônoma na Europa”, lembra Beatriz. Hoje, aos 59 anos, solteira, ateia e crente de que existe vida fora da Terra, ela é convidada de honra em inúmeros congressos nos quatro cantos do planeta.

Fonte: VEJA SÃO PAULO