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“Não sou justiceiro”, diz homem fantasiado de Batman

Microempresário que protesta pelas ruas da cidade pendurado em prédios e pontes ajudou a prender o ladrão que roubou seu celular no Capão Redondo

Por: Redação VEJASAOPAULO.COM - Atualizado em

Acostumado a ser detido após ficar pendurado em pontes e prédios da cidade para protestar, desta vez o homem que circula por São Paulo fantasiado de Batman prendeu um homem que roubou o seu celular dentro de uma padaria no Capão Redondo, na Zona Sul. A irmã do suspeito afirma que o homem-morcego armou a situação, mas ele diz que apenas exerceu seu direito de cidadão.

 

Assim como os heróis dos filmes e histórias em quadrinho, o Batman do Capão Redondo não gosta de revelar sua identidade secreta. O microempresário Dias tem 39 anos e sempre morou no bairro da Zona Sul da cidade.  Na entrevista, ele explica como toda a ação aconteceu, revela seus objetivos e diz: “me chamaram para ser candidato para governador”.

A irmã do rapaz que você ajudou a prender diz que foi uma armação. Isso é verdade? Como tudo aconteceu? 

É mentira. Eu estava fantasiado de Batman porque tinha acabado de participar de uma reunião com os representantes da saúde municipal para discutir a situação da AMA (Assistência Médica Ambulatorial) do Capão Redondo. Fui direto para a padaria onde eu sempre frequento. Esqueci o meu celular no balcão e o rapaz roubou. Fui avisado pelo dono do estabelecimento e fui atrás para recuperar.

Mas você sempre sai com uma corda? 

Faz parte do personagem, eu uso essa corda para fazer rapel. Algumas pessoas que estavam lá queriam bater no rapaz e até mesmo atear fogo. Eu não deixei. Esperei a polícia chegar por 1h30, mas não apareceu. Oficiais da Guarda Civil Metropolitana passaram no local e levaram o rapaz para a delegacia.

Essa foi a primeira vez que uma situação assim aconteceu com você? 

Essa foi a segunda vez. Mas na outra ocasião eu não estava fantasiado. Dois trombadinhas pararam uma mulher. Eu consegui segurar o que tinha roubado o celular dela. Logo, uma viatura da Polícia Militar passou no local mesmo sem eu chamar e levou os dois rapazes. 

Você pretende sair pelas ruas da cidade atrás dos vilões?

Não, esses foram casos isolados. Não tenho o objetivo de fazer o trabalho dos policiais, não sou justiceiro. Meu negócio é protestar. 

Você já foi preso?

Fui detido vinte vezes por ficar pendurado em pontes e prédios em meus protestos.

Como surgiu o grupo Loucos pela Paz?

Eu comecei a protestar em 2012. No começo eu e um amigo apenas usávamos maquiagem, como caveiras, representando pessoas mortas pela violência. As fantasias surgiram depois.

Por que você escolheu o Batman?

Eu queria o Homem-Aranha, mas a roupa não ficou legal. A do Batman caiu bem. Hoje o grupo conta com vários personagens que protestam por segurança na cidade. Tem o Zorro, a Mulher Maravilha, a Mulher Onça, Robin, Motoqueiro Fantasma, entre outros. Somos mais de doze pessoas. Além dos protestos, também participamos de ações sociais.

Como foi a reunião com os representantes da saúde municipal?

Quando eu encontrei o prefeito, ele prometeu essa reunião. E finalmente aconteceu. Antes, o atendimento na AMA Capão Redondo demorava oito horas. Agora a pessoa é atendida em trinta minutos, não faltam mais medicamentos. Agora, vou lutar por outras unidades. 

Você pretende se candidatar?

Eu fui convidado por um partido para ser candidato a governador, mas não estou preparado para isso. Posso sair para deputado federal, mas ainda tenho quinze dias para responder. Eu nunca protestei para me promover. Sempre para lutar pela sociedade. Por isso, tenho medo que as pessoas confundam.  

Fonte: VEJA SÃO PAULO