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'Contos do Edgar' traz mundo sombrio de escritor para São Paulo

Produção da Fox adapta histórias do escritor norte-americano Edgar Allan Poe para a realidade do paulistano

Por: Anna Carolina Oliveira - Atualizado em

Edgar - Contos do Edgar
Versão brasileira: Marcos de Andrade interpreta Edgar, o peronsagem-narrador que trabalha em uma dedetizadora (Foto: Divulgação)

Dos Estados Unidos para capital paulista, as histórias sombrias de Edgar Allan Poe (1809 - 1849) chegam à cidade com a estreia de Contos do Edgar. A série, fruto da parceria entre a Fox e a O2 Filmes, terá o primeiro episódio exibido nesta terça (2), às 22h15, no canal pago Fox.

Toda gravada em São Paulo, a produção que mistura suspense e terror é de Fernando Meirelles com direção de Pedro Morelli. "A série mostra o submundo de uma São Paulo fria e impessoal, cenário ideal para retratar os desejos e os medos de todos os paulistanos", define Morelli. Em vez de castelos e casas mal assombradas, o diretor preferiu usar endereços reais e que fazem parte do dia a dia da cidade, como apartamentos antigos do centro, botecos e cemitérios.

+ Saiba onde algumas cenas de Contos do Edgar foram feitas

Contos de Edgar - Gaby Amaranyos
Gaby Amarantos faz Berê, a cantora de boate do episódio piloto (Foto: Divulgação)

Cinco episódios fazem parte da 1ª temporada e o piloto já conta com uma participação especial. Gaby Amarantos estrela o capítulo Berê, baseado no conto Berenice. Na trama, ela interpreta uma cantora de boate com problemas de autoestima por causa de seus dentes. Seu primo, Cícero (Maurício de Barros) paga o tratamento estético no dentista e acaba fascinado pelo sorriso da moça. A história é contada pelo protagonista Edgar (Marcos de Andrade), que é a voz de todas as tramas da série. A narração em primeira pessoa, aliás, é uma característica típica das obras do escritor norte-americano e que foi preservada no show.

Na entrevista a seguir, o diretor Pedro Morelli fala mais sobre a escolha da cidade como cenário e de como foi feita a adaptação dos contos. 

 

Por que escolheu São Paulo como cenário para os contos de Edgar Allan Poe?  A obra de Poe é extremamente macabra e fúnebre. Ela fala da perversão da mente humana, que atravessa séculos intacta. A cidade de Sao Paulo tem um lado cinzento e sombrio, que serve perfeitamente como cenário para a adaptação dos contos. A série mostra o submundo de uma São Paulo fria e impessoal, cenário ideal para retratar os desejos e os medos de todos os paulistanos. 

Como foi feita a adaptação dos contos?  Para fazer a adaptação, buscamos a essência de cada conto, os elementos mais importantes de cada um deles. A partir disso, fizemos uma recontextualização das histórias originais para o universo paulistano contemporâneo, fugindo dos clichês de filmes de terror. Ao invés de castelos e casas mal assombradas, nossas locações são realistas e voltadas à cultura popular brasileira: oficinas mecânicas, botecos etc., retratando o lado underground de São Paulo. O objetivo é abordar diversos meios sociais da cidade, sempre mostrando seu lado obscuro ao tratar de temas indigestos.

Como foi a definição da personalidade e profissão do novo Edgar? Por que um paulistano que trabalha em uma dedetizadora?  A personalidade do novo Edgar foi livremente inspirada pelo que se conta da vida de Edgar Allan Poe. Fizemos um homem perturbado, cuja vida está desmoronando. O Edgar da série não consegue esquecer sua esposa que desapareceu, trabalha e mora de favor e bebe muito. Além disso, escolhemos um dedetizador por duas razões principais: primeiro, é uma atividade que leva o profissional pra dentro da casa dos clientes, fazendo-o entrar na intimidade deles e, assim, permitindo que se conheça um pouco mais de suas vidas privadas (o que é importante para a estrutura da série, em que a cada capitulo Edgar narra a estória de um novo personagem); além disso, os dedetizadores lidam de forma fúnebre com as pragas da sociedade, as coisas sujas e nojentas nas quais nós não queremos mexer. É uma metafora poderosa para as histórias que veremos, já que elas mostram justamente os elementos obscuros da mente humana, aqueles que preferimos não investigar a fundo. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO