Pé-de-anjo

Basílio, o amuleto do Corinthians

O autor do gol que tirou o Corinthians da fila, em 1977, arriscou a sua popularidade ao aceitar ser técnico do Timão

Por: Mauricio Teixeira - Atualizado em

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Basílio, técnico do Corinthians (Foto: Silvio Porto)

Nascimento: São Paulo-SP, em 4/2/1949

Período: em 1985, 87, 89/90 e 92

Títulos pelo Corinthians: Campeão Paulista de 1777 e 1979 (como jogador)

Em 1977, o ‘pé-de-anjo’ de Basílio colocou fim ao jejum de mais de duas décadas sem um título sequer para o Corinthians. Em 1985, pela primeira vez, João Roberto Basílio arriscou a popularidade de amuleto maior do clube para se lançar como treinador. Na função, foram ao todo quatro passagens pelo clube e mais de 100 partidas sob seu comando. Nenhum título, mas também nenhum arranhão ao mito de 1977.

 

Depoimento:

“Quando eu era treinador, me resguardava um pouco mais. Muitos dos lugares em que eu ando hoje, eu não andava naquela época. Você passa a ter muita cobrança e, nesta função, tem que lidar com a razão e o torcedor do Corinthians é pura paixão. Todas as segundas-feiras eu ia até a Igreja das Almas em Santana acender minhas velas para pedir proteção. E as pessoas sabiam que mais ou menos no mesmo horário eu ia lá. Tinha um em especial que foi umas três semanas seguidas e só ficava me observando. Um dia eu cheguei lá e este torcedor, muito respeitoso, me esperou terminar a minha oração. Na saída, me abordou e perguntou se podia falar comigo um minuto. Primeiro me deu um abraço e agradeceu por 1977, cheio de carinho. Depois, me deu um terço que, segundo ele, tinha a bênção especial de um padre de não sei onde. E disse que eu devia levá-lo sempre para o campo para ter proteção e sorte. Agradeci, guardei o terço e, quando estava saindo, vi que estava bom demais para ser verdade. Ele disse: ‘Só mais uma coisinha: fulano está mal, hein? Não está na hora de dar uma uma chance para o ciclano?’ Enfim, fazia parte. Tem que ter jogo de cintura e paciência. No final das contas, é sempre um barato. São todos técnicos.”

 

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Fonte: VEJA SÃO PAULO