Noite

Bares que fazem a própria cerveja ganham força na capital

Nos últimos seis meses, a cidade ganhou dois novos brewpubs

Por: Nathalia Zaccaro - Atualizado em

Lorenzo Defour, na Les 3 Brasseurs
Defour, no Les 3 Brasseurs: investimentode 7,5 milhões de reais (Foto: Lucas Lima)

Da decoração aos petiscos oferecidos no cardápio, passando pelo sotaque dos proprietários, a influência francesa sobre o novo bar da cidade é evidente. O nome do negócio não deixa dúvida: Les 3 Brasseurs, ou, em uma tradução livre, os três cervejeiros. A rede, originária da cidade de Lille, no norte da França, já tinha 42 lojas espalhadas pelo mundo e inaugurou seu primeiro endereço na América do Sul no último dia 22, no número 470 da Rua Jesuíno Arruda, no Itaim.

Trata-se de um brewpub. Em outras palavras, um bar que produz sua própria cerveja. No caso, cinco estilos de chope: os pilsens blonde e chopp 250, o weiss blanche, o red ale ambrée e o pale ale itaim, esse último feito em homenagem ao bairro que abriga a novidade.“Pretendo abrir ainda outras quatro casas por aqui. A próxima deve ser na Vila Madalena”, adianta Lorenzo.

Defour, um dos sócios do grupo que controla a marca. O investimento na primeira unidade girou em torno dos 7,5 milhões de reais. Para agradar à clientela paulistana, foram feitas algumas adaptações no modelo. “Na Europa, servimos a bebida a 5 graus, aqui ela só chega à mesa se estiver a 1 grau negativo”, conta Defour. O menu ganhou sugestões como mandioca frita (19 reais) e picanha no réchaud (92 reais). Defour chegou a cogitar incluir no menu a tradicional feijoada, mas desistiu.

degustação de cervejas da Cervejaria Nacional
Degustação da Cervejaria Nacional: cinco versões da bebida (Foto: Mario Rodrigues)

“Fiquei com medo de não acertar, por isso preferi servir a versão francesa do prato, o cassoulet”, explica. Outros botecos daqui, como o bar., em Pinheiros, vendem bebidas com seus rótulos, mas elas são fabricadas por produtores terceirizados — ou seja, estão longe de ser um brewpub. A vinda para cá da rede francesa reforça agora o circuito do negócio na metrópole. Até a metade deste ano, o único estabelecimento do gênero por aqui era a Cervejaria Nacional, instalada desde 2011 em Pinheiros. 

Em setembro, ganhou a companhia do imponente Karavelle, nos Jardins. O espaço, de 400 metros quadrados, serve seis tipos de geladas. “O mercado está amadurecendo cada vez mais quando o assunto é cerveja artesanal, e isso nos motivou a investir no bar”, conta Otavio da Veiga, sócio do empreendimento ao lado do empresário Dinho Diniz e do cantor Seu Jorge. Desde 2009, o trio comanda uma cervejaria com o mesmo nome em Indaiatuba, a 98 quilômetros daqui, e comercializa as bebidas da marca em mais de 100 pontos de venda na capital 

ambiente do karavelle
O ambiente do Karavelle: novidade nos Jardins (Foto: Mario Rodrigues)

Se hoje as loiras (morenas e mulatas) geladas artesanais se tornaram um investimento atraente, a realidade não foi sempre assim. Na década de 90, alguns empresários arriscaram-se nesse formato e acabaram fechando as portas de suas casas antes que os paulistanos descobrissem a vida além da latinha. Foi o que aconteceu com a gaúcha Dado Bier. Em 1996, a marca apostou em um megapub com capacidade para 2 000 pessoas no Itaim.

O negócio começou bem, mas rapidamente entrou em declínio. “Nem o público nem a Receita Federal compreenderam bem a proposta Tínhamos de pagar tantos impostos absurdos que fomos obrigados a desistir do projeto em 2001”, lembra Eduardo Bier, dono da marca. “Penso em voltar para o mercado, agora que o cenário está bem mais promissor

 

Sem fome (nem sede)

Dicas de combinações entre alguns pratos e as gelada

› Cervejaria Nacional: quem estiver a fim da saborosa feijoada (42 reais) deverá investir na encorpada cerveja sa’si (15 reais)

.› Karavelle: o polvo à provençal (69 reais) vai bemcom a versão weiss do chope da casa, que apresenta sabor condimentado (8 reais).

› Les 3 Brasseurs: o steak tartare e suas batatas fritas (39 reais) pedem um acompanhante leve.Opte pela blonde (11 reais).

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO