Barcos

Pequeno grande notável

Lançado em junho, o Iseo associa a tradição do estaleiro italiano Riva a elementos modernos como o iPad

Por: Adriana Marmo - Atualizado em

Iseo
O novíssimo Iseo: capota conversível para curtir o sol (e se proteger, caso o tempo mude) (Foto: Divulgação)

Dez camadas de verniz aplicadas com spray. Outras dez, com pincel. Esses são alguns dos detalhes do processo de fabricação de barcos do estaleiro italiano Riva, conhecido por criar modelos de primeiríssima linha. As mesmas vinte demãos, claro, estão no mais novo integrante da tradicional famiglia, o Iseo, lançado em junho. Como a maioria dos caçulas dos dias de hoje, esse já tem um pé no mundo high-tech — vem com um iPad que permite ao proprietário consultar GPS, previsão do tempo e cartas náuticas ou rodar músicas e filmes digitais.

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O Iseo tem motor Yanmar 6BY2 260, de 6 cilindros e 260 cavalos: suficiente para erguer cabelos ou fazer voar os chapéus (Foto: Divulgação)

O nome Iseo é o mesmo do lago na Lombardia às margens do qual nasceu a Riva, na cidade de Sarnico. Para entender o grande impacto dos lançamentos da empresa, é preciso analisar sua trajetória: criada em 1842, angariou admiradores devido ao esmero e à sofisticação de seus veículos aquáticos. Manteve-se um negócio familiar por mais de um século. Sua época de ouro se deu na década de 60, quando iates da marca flutuavam de Montecarlo a Portofino, passando por Saint-Tropez, levando a bordo da estrela italiana Sophia Loren ao príncipe Rainier de Mônaco. Vendida em 1969, perdeu seu norte. Trinta e um anos depois, foi incorporada pela Ferretti, conglomerado de luxo náutico que engloba outras sete grifes de barcos. Só aí deixou de navegar à deriva.

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Uma das principais características do “baby” é seu tamanho: 27 pés (pouco mais de 8 metros de comprimento). “É pequeno, mas com o conforto de um iate de luxo”, define Mauro Micheli, da Officina Italiana Design, uma das empresas que assinam o projeto. Nem por isso o barco passa despercebido, seja pelo reluzente mogno envernizado do casco, seja pela decoração interna — que, aliás, pode ser customizada com sofás da marca italiana Poltrona Frau. “O Iseo reforça nossa tradição: tem um toque artesanal, elegância,

design, velocidade e força”, afirma Norberto Ferretti, presidente do Grupo Ferretti. Outro atrativo é ter sido criado para “viver” ao lado do dono, como um cão de pequeno porte, daqueles que a gente carrega aonde vai. Por isso, vem com carreta para ser transportado pelo carro do proprietário de maneira simples, rápida e ágil. O motor Yanmar 6BY2 260, de 6 cilindros e 260 cavalos, com rabeta Yanmar 350, alcança até 34 nós. Algumas versões chegam a 41 nós (cerca de 70 quilômetros por hora). É o suficiente para erguer cabelos ou fazer voar os chapéus.

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O “baby” por dentro: acabamento caprichado, com estofados que podem ser customizados (Foto: Divulgação)

O Iseo custa 280.000 euros (644.000 reais). Por enquanto, não está nos planos do Grupo Ferretti produzi-lo no Brasil, onde acaba de inaugurar uma fábrica de 145.000 metros quadrados em que dão expediente 600 empregados. Fica em Vargem Grande Paulista, no interior de São Paulo. Quando estiver a todo o vapor, terá capacidade para construir por ano até 120 iates de até 83 pés. Os olhos dos homens de negócios italianos brilham ao falar do Brasil, hoje um dos mercados mais importantes do planeta e que, segundo eles, oferece grandes possibilidades de expansão. No último salão náutico do Rio de Janeiro, em abril, foram vendidos cerca de 80 milhões de reais em embarcações da marca produzidas por aqui. Além disso, compraram-se também uma Ferretti 730, uma Ferretti 620 e uma Aquariva, todas importadas da Itália.

Fonte: VEJA SÃO PAULO