Estilo

Barbeiros apostam em decoração à moda antiga

Com móveis das décadas de 50 e 60, salão na Rua Augusta aposta em visual retrô para atrair clientes

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

O ambiente remete à década de 50. Não, a barbearia não é dos tempos em que o rock?n?roll engatinhava. Mas quem cruza as portas da 9 de Julho, localizada na galeria Ouro Velho, na Rua Augusta, entra numa espécie de túnel do tempo. "Com o aumento no número de cabeleireiros, as barbearias estão começando a desaparecer", afirma o proprietário, Tiago Cecco. "As que sobraram são impessoais." Ele abriu o negócio justamente em um dia 9 de julho, o de 2007. O nome homenageia também a Revolução Constitucionalista de 1932. "Antigamente, as pessoas discutiam grandes questões no barbeiro." Ali, a barba é feita com navalha e toalha quente. Há toques peculiares, como o uísque e o chope servidos (de graça) aos clientes e a loção pós-barba com essência de rum. "Quando não existia loção, usava-se rum mesmo", conta Cecco.

Móveis antigos compõem o clima nostálgico. As cadeiras de ferro fundido e cromado são de 1954. A máquina registradora, de 1959, foi encontrada pelo barbeiro durante uma visita a um antiquário. Os anos 50 cederam ainda a vitrola de maleta. Mesmo os objetos novos reproduzem o estilo da época, caso das lixeiras e da geladeira. Na parede, dezenas de quadros evocam ícones da cultura pop do século passado, a exemplo de Elvis Presley e Ella Fitzgerald. Aos 27 anos de idade, Cecco usa topete, suspensórios e tatuagens. O visual surpreende quem espera um tiozinho com a tesoura nas mãos. "Mas os clientes logo vêem que não é uma brincadeira de moleque", diz ele, que começou cuidando do cabelo dos amigos na garagem de sua casa, na Pompéia. Não é raro que os cortes ocorram ao som dos roqueiros Ramones e Brian Setzer. "Fui juntando dinheiro para abrir algo que fizesse, além de uma viagem ao passado das barbearias, uma referência à história do rock."

Barbearia 9 de Julho. Rua Augusta, 1371, loja 105, ( 3283-0170. Segunda a sexta, das 9h às 20h; sábado, das 10h às 16h. Corte: R$ 20,00. Barba: R$ 15,00.

Fonte: VEJA SÃO PAULO