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Tradicional reduto de samba, Bar do Cidão fecha as portas

Aberto nos anos 90, o boteco cult de Pinheiros serviu sua última cerveja na manhã desta quarta (15); local vai dar lugar a um edifício

Por: Saulo Yassuda - Atualizado em

No bar do Cidão, os artistas tocam e cantam em clima descontraído
No bar do Cidão, os artistas tocavam e cantavam em clima descontraído (Foto: Fernando Moraes)

Ponto de encontro de amantes do samba, o Bar do Cidão, em Pinheiros, fechou as portas definitivamente. A roda de samba de despedida durou até as 6h desta quarta (15). Hoje, a dona do bar, Rose de Melo, entrega o imóvel ao proprietário.

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O local vai ir abaixo para dar espaço a um edifício -- ela não soube revelar se residencial ou comercial. Alguns imóveis ao fundo e ao lado do boteco já foram demolidos para dar espaço ao empreendimento. "Eu continuaria numa boa", afirma a proprietária.

Apesar de pequeno e muito simples, o ambiente do finado bar -- com paredes de azulejo antigo, mesas simplórias e fotos nas paredes -- atraía músicos, universitários e turistas estrangeiros descolados desde 1997.

O mérito era das animadas rodas de samba de raiz, que deixavam o público de pé até altas horas. Cervejas em garrafa, cachaças e encorpados caldinhos faziam a alegria da clientela.

Em 2012, o bar perdeu seu fundador, Aparecido Pereira de Melo, o Cidão, um ex-motorista de carreta. A viúva, Rose, comandava desde então o negócio, mantendo a autenticidade do local.

Rose vai mudar de ramo. "O ano de 2012 foi muito bom de dinheiro; 2013 nem tanto", revela a ex-dona de boteco. Sua próxima empreitada é abrir uma casa de bolos na região de Pirituba. "É uma chance de eu poder trabalhar durante o dia", diz.

Vai sentir saudades? A capital tem boas opções de bar de samba. Algumas delas abaixo:

 

  • Bares variados

    Ó do Borogodó

    Rua Horácio Lane, 21, Pinheiros

    Tel: (11) 3814 4087

    VejaSP
    5 avaliações

    Eis um pequeno e festivo boteco de samba, com um quê da Lapa carioca. Em seus quinze anos recém-completos, recebeu (e ainda recebe) um sem-número de apresentações de gente como Juliana Amaral, Anaí Rosa e Inimigos do Batente. Os shows servem de ímã para uma galera sem frescura e também para muitos gringos em busca de interação. Cervejas em garrafa (Eisenbahn e Amstel, R$ 14,00 cada uma), servidas em copo americano, e caipirinhas (R$ 22,00) feitas sem lá muito cuidado cumprem o papel de deixar a coisa toda ainda mais animada.

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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  • Bares variados

    Bar do Alemão

    Avenida Antártica, 554, Água Branca

    Tel: (11) 3879 0070

    VejaSP
    4 avaliações

    Uma bem-vinda reforma se estendeu por todo o primeiro semestre deste ano. A cozinha, que antes ocupava uma espécie de puxadinho no canto esquerdo do salão, foi transferida para a parte dos fundos. Tudo foi feito sem descaracterizar a decoração, em estilo germânico. Também continua preservada a esmerada programação musical, a cargo do dono, o compositor Eduardo Gudin. Às segundas segue firme e forte o chorinho — nos outros dias, há samba e MPB. Tudo regado a chope Brahma (R$ 7,90) e a boas caipirinhas (R$ 15,50). Se a fome bater, é melhor fcar na porção de bolinhos de arroz (R$ 21,00).

    Preços checados em setembro/outubro de 2016.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO