Crime

Balões podem causar acidentes ao cair em aeroportos

Os meses de junho e julho são os que registram maior incidência devido às festas juninas

Por: Filipe Vilicic - Atualizado em

No último dia 22, por volta das 9h30, um objeto estranho desabou em um canteiro de obras do Aeroporto de Cumbica. Era um balão com 17 metros de altura. Outros cinco sobrevoavam o local naquele momento. Quinze motoqueiros, em alta velocidade, seguiam os artefatos para tentar recuperá-los. Ousados, oito deles – dois menores de idade – entraram no aeroporto para resgatar o que despencou ali. Todos foram detidos pela Polícia Militar e levados ao Distrito Policial. "Mas tivemos de liberá-los", lamenta o delegado Cristian Lanfredi, responsável pelo caso. "Apesar da obviedade da culpa, ainda não conseguimos provar que eram eles os baloeiros."

Fabricar, vender, transportar ou soltar balões é crime. A pena pode variar de um a três anos de prisão. Em 2006, 78 balões passaram pelo espaço aéreo do Aeroporto de Cumbica e 58 caíram em seu terreno de 14 quilômetros quadrados. No ano passado, foram 104 balões, sendo que 42 desabaram no local. Neste ano, 32 dessas ameaças voadoras cruzaram os ares do aeroporto (catorze caíram). Por causa das festas juninas, os meses de junho e julho são os de maior incidência. "Os balões podem originar incêndios e atrapalhar a rota de aviões", afirma o superintendente do aeroporto, João Márcio Jordão. "Se um deles entra na turbina de uma aeronave, há risco de uma tragédia." Na noite de 11 de maio, um balão de cerca de 5 metros de altura foi parar no pátio de manobras, a apenas 50 metros de distância de um Airbus da TAM. "Se funcionários do aeroporto não tivessem desviado sua trajetória, ele se chocaria com a aeronave", conta Jordão. O balão pegou fogo, causando um pequeno incêndio, logo apagado pelos bombeiros.

No Centro de Operações de Emergência da Infraero, quatro operadores do sistema de vigilância acompanham a rota dos balões detectados por 305 câmeras espalhadas pelo aeroporto e avisam a torre de controle de tráfego aéreo. Caso um deles esteja no trajeto de uma aeronave, o piloto precisa desviar ou até mesmo atrasar o pouso ou a decolagem. "A maior parte cai em áreas verdes e queima a mata", diz Samuel Silva, coordenador de prevenção de acidentes, emergência e contra-incêndios da Infraero. "Numa ocasião, em 2006, tivemos de pedir ajuda a bombeiros de fora do aeroporto para controlar um incêndio."

Fonte: VEJA SÃO PAULO