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Baladas exclusivas de Nova York são opções para as celebridades

Clubes proíbem a entrada de fotógrafos e geram ambiente seguro para os famosos comemorarem e dançarem

Por: Alvaro Leme e Maria Paola de Salvo, de Nova York - Atualizado em

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Primeiro eles deram pinta no tapete vermelho em frente ao Metropolitan, museu de Nova York que promovia uma de suas noites de gala. Ou melhor, A noite de gala. Tratava-se do baile do Costume Institute, evento beneficente frequentado por celebridades que se consideram — e algumas são mesmo — a última bolacha do pacote. Teve show da cantora do momento, Lady Gaga, que fez o povo suar com o sucesso ‘Bad Romance’. Daí, no melhor estilo “vamos para onde, hein, gente?”, esticaram a noite. Seu destino: o Boom Boom Room, balada mais exclusiva de Manhattan.

Quem foi? Os atores Ben Stiller e Jude Law, a cantora Katy Perry, a modelo Bar Refaeli... E um monte de figuras que nos acostumamos a ver apenas quando estamos sentados numa sala escura com um pacote de pipoca nas mãos. Com um diferencial: nesse caso, todos em suas versões “pessoa física” e soltinhos devido à proibição de fotógrafos, condição ‘sine qua non’ desse mundinho.

Instalado no 18º andar do Hotel Standard, no bairro conhecido como Meatpacking, o Boom Boom Room tem uma vista deslumbrante do luar sobre o Rio Hudson ou do edifício Empire State, dependendo do ângulo. Abriu as portas em setembro, já concorrido. Mérito do proprietário, o bem relacionado empresário André Balazs. Para dar uma ideia do quanto, basta dizer que Madonna compareceu à inauguração. Dividiu um dos sofás de couro do local com o modelo brasileiro Jesus Luz e o amigo fotógrafo Steven Klein. Ao contrário do que ocorre em alguns endereços AAA, pedir um champanhe caro não significa que moças em trajes sumários trarão a garrafa com foguinhos de artifício. “Ninguém quer aparecer porque pediu uma bebida”, comenta o gerente do bar, Jasper Soffer. A variedade de coquetéis e drinques é extensa, com mais de uma centena de itens com preço mínimo de 20 dólares (36 reais). “Estou no ramo há mais de uma década e nunca vi tamanha seleção”, continua Soffer. Há um cardápio dedicado apenas a tequilas, as preferidas dos descolados.

Exceto pela ausência do tal foguinho, os demais itens do BBR (sigla usada por habitués) seguem à risca a cartilha posta em prática por casas noturnas mundo afora. Comecemos pela fila na porta: quem está fora quer entrar, mas quem está dentro não sai. Só passam pela hostess os muito bem-vestidos — seja do ponto de vista chique, seja do ponto de vista estiloso — e se o nome constar de uma lista aprovada pelo proprietário. Exceto, lógico, quando se trata de alguém conhecido. Estrela do seriado ‘Gossip Girl’, a gatíssima atriz Blake Lively ilustra exemplarmente esses casos à parte. Naquela noitada pós-Costume Institute, surgiu feliz e contente com uma camiseta de malha branca, tênis All-Star e saia de paetê. Foi barrada? Claro que não. “Celebridades são importantes principalmente no início”, conta o empresário Noah Tepperberg, um dos nomes quentes da cena novaiorquina, sócio das concorridas Avenue e Marquee. “Atraem a atenção da imprensa e fazem o nome do clube ficar conhecido.” O princípio é posto em prática também para dois de seus concorrentes, Eugene Remm e Mark Birnbaum. Proprietários do SL, que abriu as portas em setembro de 2009, são donos ainda do Tenjune, cenário do lançamento do disco ‘Circus’, de Britney Spears, em 2008. “As pessoas querem dançar perto de uma estrela de cinema para se sentir inclusas”, define Remm. “É a mesma motivação de uma mulher que compra um sapato Christian Louboutin.”

Depois que pipocam nas colunas sociais as primeiras notícias de que o lugar recebe gente famosa, chega a hora de conter o estouro da boiada. Um passo essencial na criação de uma balada bemsucedida. “Se nos primeiros dois anos você deixa qualquer um ter acesso, pode dar adeus ao seu negócio”, ensina Shu de Jong, que controla o fluxo de interessados em badalar no Marquee. O público é menos estrelado que o do BBR, de uma faixa etária de 30 e poucos. Numa fria madrugada de sexta-feira, homens de terno e gravata enfileiravam-se na porta com mocinhas de vestido curto. “Eles sabem que vão esperar um pouco, mas serão recompensados com uma festa e tanto quando passarem da porta.” Seus critérios ao selecionar os eleitos, além do nome na lista e da boa aparência, incluem a atitude. Se o sujeito já chega querendo intimidade, diminui drasticamente suas chances de cruzar a cordinha de veludo que separa quem é de quem não é. Os aprovados colocam os pezinhos na pista de dança apenas depois de adquirir garrafas de bebida. Em geral, uma para cada quatro pessoas. A vodca mais barata, Svedka, custa 375 dólares (675 reais). Quem quer impressionar logo de cara pode pedir o item mais caro da carta, o champanhe Cristal jéroboam (3 litros), que sai por 9 025 dólares (16 245 reais).

A localização do imóvel integra o rol de fatores cruciais para que uma boate decole. Todas as mencionadas acima estão no Meatpacking District, antiga área industrial no oeste de Manhattan que virou reduto de descolados — de dia, em lojas de grifes finas, e, à noite, trajados nos clubes com peças adquiridas numa delas. As casas de Nova York têm uma importante lição a ensinar a parte de suas coirmãs paulistanas: gentileza. O porteiro do Avenue, apesar da cara amarrada e de fazer ouvidos moucos a meia dúzia de abordagens da reportagem de VEJA SÃO PAULO, pediu desculpas minutos depois. “Estava agilizando a entrada de um grupo de vinte russos”, alegou. No Boom Boom Room, a hostess barra os não listados com tamanha classe que as pessoas nem parecem ficar frustradas. Segundo Jeffrey Jah, outro figurão escolado no circuito nova-iorquino, é questão de sobrevivência, sobretudo na economia pós-crise. Sócio da 1OAK, uma das primeiras a chegar ao Meatpacking e com previsão de abrir filial em São Paulo no segundo semestre, ele foi um dos donos da Lotus (a Boom Boom Room de dez anos atrás, por assim dizer). “Depois da crise econômica, só quem presta serviços muito bons permanece”, afirma. Apesar de a recessão ter feito o segmento perder o fôlego, não chegou a assustar. “Sempre vai existir gente com motivos para sair e comemorar com amigos.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO