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Baladas replicam o modelo de clubes de luxo estrangeiros

Lustres de cristal e camarotes com preços altos são itens obrigatórios para receber bacanas

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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Taboo, no Brooklin: reforma para ganhar ares glamourosos (Foto: Raul Zito)

Em dezembro de 2008, uma filial da boate americana Pink Elephant desembarcou no Itaim Bibi. O empreendimento de luxo, com preços salgados de ingresso e cardápio, causou frisson no circuito noturno paulistano e desencadeou a inauguração de uma leva de outras casas com as mesmas características. Três anos depois, o resultado do movimento são boates bastante parecidas e um formato que ainda se mostra bem-sucedido. Hoje, a maioria das baladas que quer para si o status de receber bacanas inclui na composição uma lista de itens obrigatórios, grande parte deles inspirada em tendências gringas. “Os brasileiros costumam dar mais valor ao que vem de fora”, acredita Jece Valadão Filho, sócio do clube Josephine, localizado na Rua Doutor Mário Ferraz. Trata-se de franquia de uma rede de clubes de Washington que segue a mesma linha. “É uma estrutura vista como refinada entre os clientes.”

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Um ou mais lustres de cristal portentosos aparecem como o item preferido da decoração. Camarotes com preço que ultrapassa a casa dos milhares de reais, quase sempre um pouco acima do nível do chão, também agradam. Incrementar o espaço vip com garçonetes bem-vestidas e seguranças exclusivos faz valer ainda mais uma visita ao lugar. Aberta em 2009, a Taboo, no Brooklin, passou por uma reforma em agosto. Ganhou dois dos tais lustres e reposicionou os camarotes, que receberam móveis novos e ficaram 600 reais mais caros. “Quisemos nos atualizar com o mercado. Nosso objetivo era passar uma imagem de sofisticação”, diz o sócio Mário Levi.

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A pioneira Pink Elephant, fechada em fevereiro: referência para as que vieram depois (Foto: Mario Rodrigues)

Nas caixas de som desses espaços, reinam absolutos o house e o hip-hop. A carta de bebidas costuma aparecer recheada de variedades de garrafas de champanhe, que em geral chegam à mesa com uma vela de faíscas acoplada a seu gargalo, chamando atenção para quem comprou a bebida importada. A similaridade de gênero das boates é refletida também nos baladeiros. As meninas podem ser encontradas desfilando vestido curto e cabelos impecavelmente lisos, enquanto os garotos abusam da camisa social ou polo.

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Kiss & Fly, importada dos EUA: mudança no fim do mês para um ambiente renovado (Foto: Raul Zito)

Não há como negar que o modelo de luxo atrai o público jovem. Exemplos de empreendimentos que seguem a fórmula não param de pipocar por aí. Desde o começo do ano, surgiram casas como Sophie Lounge, Ballroom, Koo Club... “O pessoal se interessa pelo que está na moda”, diz Gregory Camillo, do Sophie Lounge. Para proporcionar uma aura de exclusividade, muitos clubes põem de molho na porta os frequentadores indesejados ou estabelecem preços pouco acessíveis.

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Josephine, no Itaim: o lustre de cristal é acessório fundamental (Foto: Raul Zito)

O modelo de ostentação, no entanto, não é imbatível e pode falhar. A própria Pink Elephant fechou as portas em fevereiro. Em setembro, foi a vez da Mokaï, que não aguentou a concorrência e até apelou para ofertas em sites de desconto nas últimas noites de funcionamento. Instalada na Vila Olímpia, a Kiss & Fly, importada dos Estados Unidos, encerra as atividades no fim do mês. Deve reabrir em março em um espaço ainda não definido. “Vamos evoluir no design desse novo ambiente”, promete o alemão Rudolf Piper, designer do clube. “Queremos sair da mesmice.”

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Sophie Lounge, novidade no circuito: house e hip-hop na trilha (Foto: Flávio Daner Hoenen)

Fonte: VEJA SÃO PAULO