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Baixo Augusta triplica número de lançamentos de imóveis em dez anos

A região abriga diversas casas noturnas e é procurada por moradores de 25 a 35 anos

Por: João Batista Jr.

Baixo Augusta - Cidade 2271
Prédios na Augusta: dois dos cinco em construção na rua (Foto: Fernando Moraes)

O fechamento do clube Vegas, em abril, causou comoção em parte dos 10.000 frequentadores mensais de suas duas pistas de dança. Com inspiração na cidade de Las Vegas (EUA) e no antigo Cassino da Urca, do Rio de Janeiro, a então principal balada da Rua Augusta ficava em um terreno de 400 metros quadrados próximo à esquina com a Rua Dona Antônia de Queirós. Há seis meses, a área foi oferecida para compra ao sócio da casa, Facundo Guerra, por 2,5 milhões de reais. Recusada, acabou sendo adquirida por uma incorporadora. O mesmo ocorre com vários imóveis vizinhos, devido à revitalização do quadrilátero formado pela Rua Augusta, Avenida Paulista, Rua da Consolação e Praça Roosevelt.

Ao se instalar na rua em maio de 2005, ao lado de inferninhos e bares estilo pé-sujo, o Vegas trouxe playboys, patricinhas, alternativos de butique e celebridades ao local. Essa turma eclética formava filas para curtir alguns dos principais DJs do mundo, caso de James Murphy, Carl Craig e Mark Farina. Na esteira desse burburinho, cerca de cinquenta estabelecimentos ligados à noite abriram por lá nos últimos sete anos. “Fomos vitimados pelo próprio sucesso”, diz Guerra, que nos últimos tempos pagava um valor de aluguel três vezes maior que os 3.000 reais da época da inauguração.

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O Baixo Augusta, como é chamada a região, virou a bola da vez por ainda possuir áreas disponíveis e ser bem servido de estações de metrô (Consolação e Paulista). No momento, cinco prédios estão em fase de fundação ou sendo levantados entre a Avenida Paulista e a Rua Martins Fontes. Outros oito terrenos foram comprados por incorporadoras, o que significa que em breve mais tapumes tomarão conta da paisagem. “O assédio do mercado vai se intensificar”, acredita o vice-presidente de Comercialização e Marketing do Secovi-SP, Elbio Fernández Mera. “Por ser um ponto boêmio, a maior parte dos lançamentos tem um ou dois dormitórios e é destinada a moradores de 25 a 35 anos.” 

Não à toa, os futuros prédios oferecem atrativos descolados. Batizado de Mood pela Cyrela, um condomínio de 399 unidades terá cinema ao ar livre, além de serviços como “dog walker” (passeador de cachorro). “Tudo é pensado para atender um público que já frequenta o entorno do edifício”, afirma a diretora de incorporação, Rosane Ferreira. Esse empreendimento foi lançado em novembro de 2010 com o preço do metro quadrado a 6.500 reais — hoje vale 10.000 reais. A demanda reprimida pelo centro fez o Ca’d’Oro, no local do antigo hotel homônimo, ter suas 900 unidades vendidas em apenas 48 horas, segundo a incorporadora Brookfield. Futuros proprietários protagonizaram discussões acaloradas no estande de vendas no dia do lançamento, em setembro de 2011. “Quando vi a confusão, fui fechar negócio na sede da empresa”, lembra a economista Ana Rodrigues, que adquiriu uma unidade de dois dormitórios por 660.000 reais. Atualmente moradora de Moema, ela trabalha em um banco de investimentos sediado na Avenida Paulista. “Vou levar dez minutos para chegar ao escritório”, aposta. A obra deve terminar no fim de 2014.

Baixo Augusta - Favelão na Rua Paim - Cidade 2271
Favelão vertical com 276 quitinetes, na Rua Paim, interditado pelo Contru: contraste com os novos empreendimentos (Foto: Fernando Moraes)
Baixo Augusta - Cidade 2271
Ana Rodrigues, futura moradora da região e Marcio Taka, da Cyrela: mercado aquecido (Foto: Fernando Moraes)

As imediações também passam pelo processo de verticalização. Até então conhecida pelo tráfico de drogas, a Rua Paim conta com quatro lançamentos. Um apartamento ali de um dormitório custa 500.000 reais. No entanto, ainda há um favelão vertical de nome pomposo (Demoiselle, senhorita em francês) que causa arrepios: está interditado pelo Departamento de Controle de Uso de Imóveis (Contru) desde 1988, mas continua sendo habitado. A presença de espigões não tem mudado o DNA notívago da Augusta. O Astronete, clube de rock retrô, instalou-se na via após uma temporada na vizinha Rua Matias Aires. Em junho abre as portas a balada Mono, nas proximidades do Studio SP e do Caos. Com investimento de 300.000 reais, terá capacidade para 300 pessoas. “A Rua Augusta ainda é a nossa maior referência de vida noturna”, diz o sócio e DJ Fabio Spavieri.

CANTEIROS MIL

Alguns dados sobre o crescimento na área

 

Tabela Baixo Augusta - Cidade 2271
(Foto: Veja São Paulo)

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO