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Coletivo que fez Dilma 'cantar' Anitta faz sucesso no YouTube

Autor das músicas do Duka7, paulistano Guilherme Toledo fala sobre o humor politicamente incorreto (e divertido) de um grupo que começa a fazer ruído na web

6.set.2013 por Tiago Faria

O paulistano Guilherme Toledo, de 29 anos, aprendeu a conviver com uma aflição que persegue quem trabalha com web: nunca se sabe se aquele vídeo que levou horas ou dias para ser produzido se tornará um fenômeno de popularidade ou se desaparecerá discretamente na teia das redes sociais, soterrado pelo assunto que todo mundo passou a comentar incessantemente. “Internet é uma caixinha de surpresas”, resume. “É como jogar num cassino.”

Pode-se concluir, portanto, que o músico tem feito uma série de apostas certeiras desde que, há apenas quatro meses, ajudou a colocar em prática o Duka7. Formado com quatro amigos que se reúnem via banda larga – o gaúcho Braian Rizzo, o cuiabano Evel Nogueira e os paulistanos Bruno Felix e Luciano Andrade -, o coletivo se transformou rapidamente em uma revelação em um dos nichos mais lucrativos da internet: o humor.

        Coletivo de humor Duka7: Evel Nogueira, Luciano Andrade, Guilherme Toledo, Bruno Felix e Braian Rizzo
Coletivo de humor Duka7: Evel Nogueira, Luciano Andrade, Guilherme Toledo, Bruno Felix e Braian Rizzo
(Foto:

Divulgação

)

O maior exemplo a ser seguido nesse filão, no momento, é o grupo Porta dos Fundos. Ao completar um ano de existência, em agosto, comemorou um faturamento estimado em 3 milhões de reais. No caso do Duka7, as expectativas ainda são pequenas: seus integrantes não conseguem se sustentar com as criações divulgadas no YouTube. Mas os primeiros resultados, ao menos em quantidade de cliques, começam a aparecer. Uma montagem em que a presidente Dilma Rousseff canta o sucesso Show das Poderosas, da funkeira Anitta, já foi visto quase 2,5 milhões de vezes. No YouTube, os ganhos no Brasil para cada mil visualizações varia entre 90 centavos a 4 dólares.

O principal êxito dessa turma levou 48 horas de trabalho quase ininterrupto para ser produzido. A inspiração veio do canal norte-americano de vídeos Barack Dubs, que edita discursos do presidente Barack Obama em cima de letras de canções pop. Eles estrearam com uma atualização, feita em desenho animado, da música Eduardo e Mônica, da Legião Urbana. Resultado: 1 milhão de cliques. Desde então, fizeram Dilma “cantar” a música Piradinha, tema da personagem Valdirene (interpretada por Tatá Werneck) na novela Amor à Vida, e o jornalista Marcelo Rezende interpretar o funk Amor de Chocolate, de Naldo.

A área de atuação do coletivo é diversificada. Além de paródias, eles criam as chamadas “versões literais” de clipes (cujos versos das músicas descrevem a ação encenada) e remixes debochados – em um deles, o deputado e pastor Marco Feliciano fala sobre cura gay ao som do hino disco YMCA, do Village People. “O grupo tem um pouco uma estrutura de banda”, explica Guilherme, que fica responsável pela parte musical das criações. Antes de se tornar conhecido no YouTube, ele tocava em uma banda de baile. Hoje, se dedica apenas à carreira solo e, principalmente, aos projetos para internet.

O método de trabalho do grupo, que se comunica via Skype todos os dias (mas ainda não conseguiu se encontrar pessoalmente para clicar uma foto oficial), consiste em ficar atento aos assuntos mais discutidos no Brasil e, sem perder o timing, aliá-los a técnicas aprendidas em sites internacionais. Ainda assim, o resultado das experiências é sempre imprevisível. O Duka7 será o próximo Porta dos Fundos? “É impossível prever o comportamento das pessoas na internet. As coisas mudam e estão fora do nosso controle. A gente nunca sabe como vai ser no mês seguinte. Mas estou otimista.”

Para conhecer o canal do YouTube de Guilherme Toledo, clique aqui.

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