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Aumento do IPTU: preparem os bolsos

A prefeitura envia à Câmara Municipal projeto que aumenta o IPTU em até 60%

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Desde 2001, o imposto predial e territorial urbano (IPTU) teve seus valores corrigidos apenas de acordo com os índices da inflação. Para o próximo ano, no entanto, essa situação vai mudar. Na última segunda-feira, o prefeito Gilberto Kassab anunciou que sua equipe reviu a Planta Ge nérica de Valores (PGV), uma grande planilha que reúne o preço do metro quadrado dos terrenos da cidade. Ele enviou então à Câmara Municipal um projeto de lei que prevê a atualização do valor venal (cerca de 70% do valor de mercado) dos 2,8 milhões de imóveis paulistanos. Pela proposta, que ainda depende da aprovação dos vereadores, os valores de referência de 1,7 milhão de unidades sofrerão reajuste médio de 31%. Resultado de um cálculo complicado que leva em conta a metragem, a localização e a idade do imóvel, além de outras variáveis, o IPTU está diretamente atrelado às oscilações do mercado. ' Está va mos defasados, e a mudança é uma questão de justiça tributária ', afirma o secretário municipal de Finanças, Walter Aluisio Morais Rodrigues. ' Imóveis valorizados vêm pagando menos do que deveriam e os que se des valorizaram, bem mais.'

Nos últimos oito anos, o boom imobiliário e a revitalização de alguns bairros inflaram o preço do metro quadrado em diversas regiões da cidade. Antes repleta de galpões, a Barra Funda, por exemplo, remodelou-se e passou a atrair novos empreendimentos. Na Rua Joaquim Manuel de Macedo, o metro quadrado pulou de 83 para 290 reais, um aumento de 249%. Há, por exemplo, tratamento acústico para minimizar o barulho. A iluminação tem tons suaves de rosa e laranja. O teto ondulado e o mobiliário de madeira, somados às grandes janelas com vista panorâmica, ajudam a espantar o aspecto de fast-food. Uma das opções gastronômicas é o Folha de Uva, a primeira filial da casa árabe, cuja matriz fica na Rua Bela Cintra.

Outra atração do piso, o boliche Villa Bowling foi inspirado no luxuoso Red Rock Lanes, de Las Vegas, e custou 5 milhões de reais. Em seus 1 200 metros quadrados, há doze pistas, sala de games e restaurante. Equipamentos e tecnologia foram importados dos Estados Unidos. ' Queremos ressuscitar o boliche' , afirma o empresário Caco Cruz, jogador profissional e dono de três dessas casas no Rio de Janeiro. ' O pessoal com bom poder aquisitivo perdeu o costume de jogar há pelo menos quinze ano '.' Para tentar reverter isso, Cruz aposta em telas de LCD para marcar os pontos, iluminação de boate e bolas criadas pelo estúdio italiano Pininfarina, responsável pelo desenho de alguns modelos da Ferrari. Cada bola custou 150 reais (o empresário comprou 200 delas).

' A capital paulista comporta esse tipo de investimento ', acredita Armando d’Almeida Neto, vice-presidente da Multiplan, administradora do Vila Olímpia, do Morumbi e do Anália Franco. Esse último, aliás, acabou de ganhar 76 lojas em um 3º piso. Segundo a Alshop, 30% dos centros de compra paulistanos estão com expansões em curso (veja algumas no quadro ao lado). Funcionando há menos de dois anos, o Cidade Jardim promete abrir mais cinquenta lojas em março. Antes disso, em dezembro, inaugura a primeira filial da grife Carolina Herrera no país. O concorrente Iguatemi não fica atrás. No dia 10 de dezembro, um de seus corredores receberá a marca italiana de vestuário Missoni. ' Como a lei brasileira garante a renovação automática do contrato do lojista que é bom pagador, um shopping

só consegue se modernizar se passar por ampliações' , explica Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce. Antigos, reformulados ou novíssimos, os shoppings paulistanos não parecem ter problema para atrair consumidores. Juntos, eles recebem 85 milhões de pessoas por mês (os frequentadores habituais de cada endereço entram diversas vezes nessa conta). Pelo visto, sempre cabe mais um.

O QUE VEM POR AÍ

Estes serão inaugurados...JK Iguatemi: localizado no número 2041 da Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, tem abertura prevista para março de 2011. O investimento é de 186,6 milhões de reais.

Metrô Tucuruvi : o empreendimento do grupo JHSF será integrado à Estação Tucuruvi do metrô. Entre as 238 lojas, já estão ga rantidas as âncoras Renner e Ria chuelo. Deve ficar pronto em setembro de 2011.

Mooca: focado nas classes A e B, será erguido em um terreno de 112 000 metros quadrados. Terá boliche, academia, cinemas da rede Cinemark e um teatro. Inauguração prometida para abril de 2011.

...e estes ampliados

Cidade Jardim: pronto desde a abertura do shopping, em 2008, o 2º piso receberá em março cinquenta novas lojas, na maioria nacionais.

Eldorado: está em obras de revitalização, que têm custo de 7 milhões de reais. A fachada restaurada deve ficar pronta ainda neste ano. Até 2010, a praça de alimentação oferecerá mais espaço para os clientes.

Frei Caneca: a construção de um anexo começa no primeiro semestre do ano que vem. Deve terminar apenas no início de 2012, quando o shopping passará a ter mais 18 000 metros quadrados de área construída — um aumento de 25% em relação à área atual.

Ibirapuera: no primeiro trimestre do próximo ano, começam as obras para a troca de piso, iluminação e mobiliário. A reforma ocorrerá durante a madrugada e deve durar até 2012. Há pouco mais de dois anos, o shopping aguarda aprovação dos órgãos públicos para ser ampliado.

Interlar Aricanduva: ao fim da expansão, prevista para o primeiro semestre do próximo ano, ganhará 38 000 metros quadrados de área construída e 2 100 novas vagas gratuitas de estacionamento. Investimento de 40 milhões de reais.

Pátio Higienópolis: recebeu no início do ano autorização do Conpresp para a ampliação, que deve ficar pronta no primeiro semestre de 2010. Para isso, comprometeu-se a restaurar um casarão vizinho tombado pelo patrimônio histórico.

SP Market: com custo de 200 milhões de reais, a expansão está dividida em três fases. A primeira delas, com duas novas áreas de lojas, deve ser concluída até dezembro. Ao fim do projeto, previsto para outubro de 2011, o centro terá 102 000 metros quadrados a mais de área construída.

Fonte: VEJA SÃO PAULO