Criminalidade

Suspeito de atropelar ciclista já se envolveu em acidente com morte

No último domingo (3), Sérgio Meliunas atingiu o ciclista Dorgival Francisco de Souza, de 59 anos, na Imigrantes

Por: Estadão Conteúdo - Atualizado em

Sérgio Meliunas atropelamento ciclista
O motorista de ônibus Sérgio Meliunas, de 45 anos, já havia se envolvido em outro acidente de trânsito grave (Foto: Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo)

Suspeito de matar e atropelar um ciclista na Rodovia dos Imigrantes, o motorista Sérgio Meliunas, de 45 anos, já havia se envolvido em um acidente de trânsito que resultou na morte de uma pessoa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em 2007. Nesta quinta-feira ( 7), ele passou por audiência de custódia e teve a prisão temporária decretada por cinco dias, prazo que pode ser renovado pelo mesmo período. A defesa do homem afirma que vai recorrer da decisão. 

No caso anterior, Meliunas conduzia um ônibus e acabou se envolvendo em um acidente com outros três veículos na Rodovia Anchieta, na altura do quilômetro 40, em São Bernardo. Quatro pessoas sofreram lesões corporais, segundo boletim de ocorrência da Polícia Civil. Entre elas, havia um homem de 54 anos que precisou ser levado ao hospital, mas sofreu complicações e morreu.

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Já na noite do último domingo (3) o motorista dirigia em alta velocidade um Chevrolet Vectra, de cor prata, quando atropelou o ciclista Dorgival Francisco de Souza, de 59 anos, na Imigrantes, em Diadema. Souza teve o braço direito decepado na altura do ombro. O corpo ficou abandonado na pista junto a um retrovisor do carro.Na delegacia, Meliunas afirmou que fugia de dois assaltantes. Segundo sua versão, ele parou para verificar um pneu e foi abordado por bandidos em uma motocicleta, que estavam armados com uma faca.

"Eu senti que dois motoqueiros encostaram em mim para levar o carro. Aí, um gritou: 'perdeu, perdeu, perdeu'. Eu saí correndo em disparada", disse ao Bom dia São Paulo, da TV Globo. "Ali é escuro, como você vai ver alguém de bicicleta na sua direção? Fiquei apavorado, não sabia o que fazer."

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Em depoimento, Meliunas também afirmou que estava com três amigos, com quem havia ido a um restaurante de comida nordestina no Jabaquara, na Zona Sul da capital. De acordo com sua versão, ele pensou que havia batido em uma pedra e só teria percebido que o braço do ciclista ficou preso no carro quando parou, após dirigir por mais dois quilômetros. Então, retirou o braço de Souza do veículo e o deixou na rua. "Eu não sabia o que fazer. Não tinha condições para contratar um advogado", disse.

A Polícia Civil afirma que Meliunas resolveu ir para casa, tomar banho. Depois, ele teria ido até a empresa de ônibus onde trabalha e dormido dentro de um coletivo. Foi preso em flagrante quando estava no trabalho, na quarta-feira (6) após três dias foragido. O motorista teria confessado o atropelamento e deve responder por homicídio com dolo eventual (por assumir o risco de matar), omissão de socorro e fuga do local do crime.

Os policiais conseguiram encontrá-lo após receber uma denúncia anônima, informando o endereço onde o carro estava estacionado. O veículo estava em uma casa no Jardim Laura, bairro de São Bernardo, coberto por uma capa automotiva. Ao inspecioná-lo, investigadores constataram que havia marcas de sangue e que o modelo era o mesmo que aparecia em imagens de câmeras de segurança. Os danos na lateral, no para-brisa e a ausência de um retrovisor também eram condizentes com o atropelamento.

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O seu carro foi encontrado em uma casa no Jardim Laura, em São Bernardo (Foto: Marcelo Gonçalves/Sigmapress/Estadão Conteúdo)

Inconsistente

O delegado Miguel Ferreira da Silva, titular do 4º Distrito Policial de Diadema, responsável pelas investigações, afirmou que a versão apresentada pelo motorista "não é convincente". "Temos imagens de toda a rodovia e não identificamos nenhuma motocicleta abordando ou perseguindo o carro, que anda pelo acostamento em altíssima velocidade", disse Silva."Durante o trajeto, ele passa em frente a um posto da Polícia Rodoviária e em nenhum momento para pedir ajuda ou comunicar que estava sendo vítima de roubo", apontou o delegado.

Segundo Silva, ele também não soube fornecer dados que pudessem localizar as outras três pessoas que estariam no carro, tendo informado apenas o primeiro nome e o vulgo. O delegado também questiona a declaração de que Meliunas não percebeu que havia atropelado alguém. "O braço da vítima adentrou no veículo pelo para-brisa. Existe uma quantidade enorme de material hemático (sangue) e até de pedaço de carne humana no veículo, conforme a perícia já constatou. Não é uma mão ou um dedo, é um braço. É muito grande para ele dizer que não viu", afirmou.

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Defesa

O advogado de defesa de Meliunas, Lourenço Luque, diz que vai tentar revogar a prisão temporária do cliente. "Estou analisando os fatos para entrar com recurso", afirmou. "Ainda não entrei no mérito porque foi uma audiência de custódia, portanto não sei o teor da imputação. O Ministério Público ainda vai fazer a denúncia."

Questionado sobre o envolvimento de Meliunas em acidentes anteriores, Luque afirmou que "não tem conhecimento" de nenhum caso. "Na audiência de custódia, foram citadas apenas agressões domésticas, mas ele não tem antecedente por acidente de trânsito ou homicídio", afirmou.

Fonte: VEJA SÃO PAULO