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Sergio Guizé vai protagonizar o remake da novela "Saramandaia"

Figura carimbada nos palcos de São Paulo, o ator paulista estrela a nova produção global

Por: Dirceu Alves Jr. - Atualizado em

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Sergio Guizé: 26 peças de teatro, dez filmes e dois seriados na TV (Foto: Mario Rodrigues)

Em uma manhã de outubro do ano passado, o ator paulista Sergio Guizé, de 32 anos, acordou assustado com o barulho do telefone em seu apartamento, no Bixiga. Era a diretora de núcleo da Rede Globo Denise Saraceni avisando que a emissora lançaria em junho de 2013 o remake da novela Saramandaia, escrita por Dias Gomes em 1976, e gostaria de tê-lo no papel de João Gibão. “Eu nem sabia que personagem era e simplesmente falei que achava legal, agradecendo o convite”, lembra o ator, que desligou o aparelho ainda meio sonolento.

Na véspera, o canal por assinatura GNT havia levado ao ar o segundo episódio do seriado Sessão de Terapia, dirigido por Selton Mello, no qual ele representava o atirador de elite Breno. Bastaram dois capítulos — e ainda viriam outros seis — para que o rosto desconhecido fosse percebido por um público bem mais amplo que o das plateias dos teatros.

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Em Sessão de Terapia: o atormentado atirador de elite chamou atenção na Globo (Foto: Divulgação)

Figura carimbada nos palcos de São Paulo, Guizé pode ser visto até o fim do mês em duas peças. Ele protagoniza a comédia Chá com Limão no Teatro Gazeta, na pele de um ator canastrão, de sexta a domingo. Já no drama Pornô — Falcatrua Nº 18.633, que faz uma sessão semanal no Teatro Ecum, comprova a versatilidade como um compulsivo usuário de drogas.

Além de ecoar nos bastidores da Rede Globo, a performance em Sessão de Terapia, como o sujeito que procura o psicólogo Theo para se livrar do trauma de ter matado uma criança, surpreendeu os colegas do próprio seriado. “O Guizé é como o Neymar em campo, vai criando o personagem de acordo com a intuição e estimula os outros atores”, compara Zé Carlos Machado, intérprete de Theo.

Na Globo, o promissor ator já havia feito participações esparsas no seriado Tapas e Beijos, em que aparecia de peruca loira e muito maquiado na pele do travesti Lorraine, e pontas nas novelas Da Cor do Pecado (2004) e Caminho das Índias (2009). “Nessa última, eles me prometeram que eu iria representar um esquizofrênico que cresceria no decorrer dos capítulos, mas, na maioria das cenas, eu mal falava. Houve dia em que nem fui gravar”, reclama ele, ainda decepcionado com o tratamento na época.

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Últimas sessões: Guizé (à dir.) despede-se da comédia Chá com Limão no dia 31 (Foto: João Caldas)

Em Saramandaia, porém, Guizé salta de figurante de luxo para protagonista no papel consagrado por Juca de Oliveira. “Percebi que é uma grande responsabilidade”, reconhece o ator, que começa a gravar suas cenas na segunda (1º). Ele assinou contrato de três anos com a emissora, vai ter um flat à disposição no Rio de Janeiro e esteve há duas semanas em Los Angeles, ao lado dos atores Gabriel Braga Nunes e Vera Holtz.

Por lá, tirou o molde de seu corpo para os efeitos especiais que serão exibidos na trama e ainda comprou uma guitarra novinha. O instrumento foi batizado nos recentes shows da banda Tio Che, um quarteto roqueiro no qual Guizé canta e toca há treze anos.

A nova versão da novela, adaptada pelo autor Ricardo Linhares, ganha um tom contemporâneo. Na década de 70, João Gibão aparecia como um matuto atormentado e com medo de todos, inclusive da fogosa Marcina (papel de Sonia Braga revivido pela atriz Chandelly Braz), em uma referência à repressão política. Agora, Gibão será um garoto apaixonado que não se declara temendo a rejeição se a moça descobrir que ele é diferente — tem uma corcunda, que, no original, o levou a criar asas e voar. A dificuldade de aceitação aos que fogem ao padrão dá a tônica do remake.

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Peruca loira e maquiagem: intérprete do travesti Lorraine no seriado Tapas e Beijos (Foto: Mario Rodrigues)

“Acredito que a experiência teatral tenha feito de Guizé um ator de composição, cheio de emoção, o que é necessário para o Gibão”, afirma Linhares, que o escalou, ao lado de Denise Saraceni, sem sequer submetê-lo a testes. Em quinze anos, Guizé contabiliza 26 espetáculos e dez filmes.

Filho de um motorista de ônibus e de uma ex-manicure, ele se formou em artes plásticas — é pintor nas horas vagas — e morou em Santo André até 2006. A vida melhorou quando estreou a comédia Toc Toc, em 2008, dirigida por Alexandre Reinecke, a primeira que lhe deu um salário fixo, na época por volta de 4 000 reais. “O Guizé vai se dar muito bem na TV numa época em que ator bom e bonito virou raridade e, como é um cara humilde, saberá administrar a fama”, acredita Reinecke, responsável por Toc Toc e Chá com Limão.

Durante a temporada carioca de Toc Toc, em 2009, Guizé começou a namorar Alessandra Negrini, com quem ficou dois anos e dividiu o palco na peça A Senhora de Dubuque. Logo sentiu o efeito da invasão de privacidade. “Eu tenho medo de como as pessoas vão me ver depois dessa novela. Por isso, ficarei o mais isolado possível, concentrado no trabalho. Quando terminarem as gravações, quero passar três meses em Londres estudando inglês”, planeja Guizé, que namora hoje a artista plástica Marina Previato e jura ser vacinado contra o deslumbramento. “Não vou ser visto por aí ofendendo fotógrafo.”

Nome: Sergio Tadeu Corrêia Guizé

Local e data de nascimento: Santo André (SP), 14 de maio de 1980

Formação: artes plásticas pela Fatea, em Santo André

Currículo: participou de 26 peças de teatro, dez filmes e, na TV, dos seriados Sessão de Terapia e Tapas e Beijos

Fonte: VEJA SÃO PAULO