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Ator de "Cidade de Deus" vive na Cracolândia

Rubens Sabino, de 33 anos, disse para jornal que está desde fevereiro sem usar o crack, mas continua nas ruas

Por: Veja São Paulo - Atualizado em

Rubens Sabino
O ator Rubens Sabino disse que consumiu crack por três anos, mas está livre da droga desde fevereiro (Foto: Nehn/Brazil Photo Press/Folhapress)

Famoso por interpretar o traficante Neguinho no filme Cidade de Deus em 2002o ator Rubens Sabino, de 33 anos, mora agora na Cracolândia, no centro de São Paulo.  Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, ele afirmou que consumiu crack por três anos, mas está livre da droga desde fevereiro. Mesmo assim, continua nas ruas.

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Sabino disse que ainda que pretende se mudar para Portugal em junho deste ano. Hoje, ele circula nas ruas e albergues na região e carrega poucos pertences nos ombros. “Sou usuário desde os 13 anos. Quando fiz Cidade de Deus, já fumava, bebia, vida louca”, disse à reportagem.

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O ator conversou com o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy (Foto: Nehn/Brazil Photo Press/Folhapress)

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De acordo com o jornal, ele conversou com o secretário de Direitos Humanos e Cidadania, Eduardo Suplicy. O ex-senador deu 450 reais a Sabino. “Em outra época, já estaria na boca. Hoje eu venci.”

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Rubens Sabino interpretou um traficante no filme “Cidade de Deus” (Foto: Reprodução)

Em novembro de 2014, VEJA SÃO PAULO encontrou na Cracolândia a ex-modelo Loemy Marques, que saiu do interior de Mato Grosso em busca de oportunidades, mas foi morar nas ruas de São Paulo. Após a reportagem, ela foi internada em uma clínica para dependentes químicos e hoje segue na luta contra o vício. 

 

Sabino falou com a imprensa na quarta (30), durante a  ação de retirada de barracos na região da Cracolândia que terminou em confrontos entre usuários de drogas e policiais militares.

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Por volta das 17h30, os dependentes fizeram uma barricada de fogo e atiraram pedras contra os policiais, que revidaram com bombas de gás lacrimogêneo. Houve corre-corre e parte da Avenida Rio Branco chegou a ser fechada. Um grupo tentou atear fogo a um ônibus, mas a polícia impediu o ataque. Outro coletivo foi depredado nas proximidades do terminal Santa Isabel.

Antes, por volta das 13h, outro conflito começou após dois policiais militares à paisana que estavam infiltrados na operação efetuarem três disparos que atingiram duas pessoas. Uma delas, baleada no pescoço, foi levada à Santa Casa e passou por cirurgia. A outra vítima foi atingida na perna.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os dois agentes foram agredidos pelos moradores de rua e um deles efetuou um disparo para o chão, que recocheteou e feriu os dois homens. Após os tiros, um dos policiais foi agredido com uma barra de ferro. O advogado Fábio Marcos Cruz, que atua em defesa dos dependentes da Cracolândia, presenciou a ação. Ele disse que os disparos foram intencionais e que o posto policial da região tentou encobrir o caso. Questionada, a secretaria negou que houve prevaricação.

Na manhã de quarta (29), a prefeitura começou a remoção de barracos entre a Alameda Cleveland e Rua Helvétia, na Cracolândia. No local, está sendo construída uma praça.

Em janeiro do ano passado, quando foi iniciado o programa Braços Abertos, a prefeitura também removeu barracos da mesma região. No local, viviam aproximadamente 300 pessoas, em 150 barracos. Os dependentes foram encaminhados a hotéis da região. O Braços Abertos prevê a ressocialização de usuários de crack. Para os que desejam participar, são oferecidos tratamento médico e 15 reais por semana por trabalhos de limpeza de rua.

Em março deste ano, reportagem de VEJA SÃO PAULO acompanhou por um mês o trabalho de varrição de ruas e praças e entrou nos abrigos contratados pela gestão municipal. O programa da prefeitura tem hotéis insalubres e viciados que recebem sem trabalhar.

Fonte: VEJA SÃO PAULO