Medicina

Procura por ambulatório que atende crianças e adolescentes transexuais cresce 60%

Aumento ocorreu nos últimos seis meses; busca é maior por parte de famílias de crianças entre 5 e 12 anos

Por: Adriana Farias - Atualizado em

transexualidade transexual criança
Leandro, de 9 anos, usa o nome social de Luiza (Foto: Mario Rodrigues)

A procura por atendimento no ambulatório do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas que recebe crianças e adolescentes com questões de transexualidade cresceu 60% nos últimos seis meses.

+ Mudança de gênero: a complexa transformação de crianças e adolescentes

Com um trabalho inédito na área, o Ambulatório Transdisciplinar de Identidade de Gênero e Orientação Sexual (Amtigos) é o único no estado e foi o primeiro do Brasil a atender jovens com menos de 18 anos. Além dele, no país, há somente o Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

As histórias dos menores em tratamento psicológico ou hormonal e os bastidores desse ambulatório especializado foram tema de reportagem de capa de VEJA SÃO PAULO de julho de 2015, quando o centro atendia apenas quinze crianças e 36 adolescentes.

crianças e adolescentes trans
A capa de VEJA SÃO PAULO de julho de 2015 (Foto: Veja São Paulo)

Agora, o local está com triagens agendadas até 19 de setembro deste ano. Na lista de espera aguardando para conseguir uma consulta há um total de vinte crianças e 35 adolescentes. O agendamento pode ser feito por e-mail: amtigos.ipq@hc.fm.usp.br.

“Vamos tentar abrir brechas nos horários para tentar acelerar os atendimentos”, diz Alexandre Saadeh, coordenador do Amtigos. Ele explica que a procura tem sido maior por parte de famílias com crianças entre 5 e 12 anos. “O que ocorreu foi que os pais estão ficando muito mais atentos às questões de gênero após as reportagens veiculadas.”

+ Jovem transexual diz que teve dados vazados após alistamento militar

“O importante é refinar a questão do diagnóstico, pois recebemos muitas crianças que podem ser homossexuais no futuro, mas não têm questões de gênero, como a transexualidade, que é se identificar com o sexo oposto ao que nasceu”, explica. “Muitas vezes são meninos mais afeminados ou que apenas gostam de brincar de boneca, fato que pode significar absolutamente nada.”

a um passo da transformação
O psiquiatra Alexandre Saadeh: "Muitas vezes são meninos que apenas gostam de brincar de boneca, fato que pode significar absolutamente nada" (Foto: Fernando Moraes)

Saadeh destaca os benefícios do acompanhamento desses jovens: “ Ver de perto como a criança lida consigo mesma e constrói sua personalidade. Evitar que se considere um monstro, uma aberração. Queremos adultos mais integrados e tranquilos para lidar com quem são”.

Fonte: VEJA SÃO PAULO