Crime

Evidencias reforçam suspeita de que filha planejou assassinato dos pais

Polícia entrou com mandado de prisão preventiva contra a advogada Roberta Tafner e seu marido, Willians de Sousa, suspeitos de matar os pais dela em Alphaville

Por: Mariana Barros

Tereza e Wilson 2196
Relação delicada: Tereza e Wilson com a filha Roberta, em janeiro (Foto: Reprodução)

Sob a garoa fina da manhã de quarta-feira (15), policiais da delegacia de homicídios da seccional de Carapicuíba faziam campana em frente a um edifício em São Bernardo do Campo. Após uma madrugada em vigília, eles aguardavam o momento certo de subir ao apartamento onde dormiam Roberta Tafner, 29 anos, e seu marido, Willians de Sousa, 31. Os dois estavam hospedados ali desde o início de outubro, quando se tornaram os principais suspeitos de um brutal assassinato: o dos pais dela. Na madrugada do dia 2 daquele mês, a advogada Tereza Cobra, 60 anos, e o ex-marido dela, o empresário Wilson Tafner, 64, foram mortos em sua casa de veraneio em um condomínio em Santana do Parnaíba.

Separados, os dois viviam em Alphaville, em Barueri, em residências distintas, mas costumavam passar o fim de semana juntos. Naquela madrugada, ao se prepararem para dormir, foram surpreendidos por um cruel algoz. Munido de uma faca, ele desferiu 26 estocadas nas vítimas, todas na cabeça e no rosto. Como em determinado momento o cabo da arma se soltou, o criminoso foi até a cozinha, abriu o gaveteiro das facas, pegou outra e concluiu a empreitada. “Saber onde estavam as facas, além do fato de os cachorros não terem latido, indica que o autor conhecia as vítimas”, afirma Marcos Velloza, chefe de investigação. “E a barbaridade dos golpes revela ódio e vingança.” A apenas 65 metros desse cenário de horror fica a casa de Roberta e Sousa. Trata-se de uma residência ampla, com piscina, que os pais tinham cedido para que a filha, casada há um ano, se instalasse com o marido.

Willians de Sousa 2196
Sousa (à esq.), na delegacia: brigas com os sogros eram constantes (Foto: Fernando Moraes)

Sousa não trabalha nem estuda. Já Roberta, advogada como a mãe, foi demitida há três meses do escritório de Tereza por suspeita de desfalque. A relação entre elas vinha se deteriorando desde o casamento, realizado em comunhão de bens, contra a vontade de Tereza. De acordo com testemunhas, Roberta e Sousa pressionavam os pais dela para que passassem a casa onde moravam para o nome dos dois e cedessem 30% da empresa paterna. Wilson Tafner deixou alguns seguros de vida, que totalizam 1 milhão de reais. Filha única do casal, Roberta tem apenas um irmão por parte de mãe, Maurício, com quem é brigada.

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Roberta: rumo à prisão em Itapevi (Foto: Fernando Moraes)

Na última quarta, ela e Sousa foram acordados por volta das 7 horas com os policiais adentrando o apartamento em que estavam. Laudos do Instituto de Criminalística de Osasco revelaram que o sangue da amostra colhida no banheiro do casal era compatível com o de Tereza. Esse mesmo material foi encontrado em outros quinze pontos entre a casa das vítimas e a dos acusados. Tais evidências foram suficientes para que se obtivesse mandado de prisão preventiva contra os dois, sob a acusação de homicídio triplamente qualificado: meio cruel, sem possibilidade de defesa das vítimas e motivo torpe, já que a polícia acredita que mataram por dinheiro. “Roberta e Sousa negam peremptoriamente, mas tudo leva à constatação de que o executor foi ele e de que houve participação dela”, diz o delegado Zacarias Tadros.

Ambos foram encaminhados para cadeias públicas. Ela, para a de Itapevi, e ele, para a de Carapicuíba. Os bens das vítimas e os dos acusados estão bloqueados. Antes de ser levada pelos policiais, Roberta entregou as joias que a mãe usava no dia em que foi morta. Seus advogados pretendem entrar com habeas corpus para que os dois aguardem o julgamento em liberdade. Outros nove laudos ainda serão entregues, incluindo o exame das impressões digitais das facas.

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Roberta: entregando as joias da mãe à polícia (Foto: Imagem cedida pela polícia)

As principais evidências

■ O sangue da amostra recolhida no banheiro do casal é compatível com o de Tereza.

■ Além dessa amostra, foi encontrado sangue em outros quinze pontos entre a casa das vítimas e a dos acusados.

■ Sousa disse à polícia que um ferimento em sua mão fora resultado de um soco na parede. Segundo a polícia, porém, ele forjou por duas vezes, na frente de duas testemunhas, ter dado essa pancada. Os machucados teriam sido causados por outro tipo de lesão, como um golpe em uma pessoa. Tereza foi encontrada com uma mancha roxa no olho esquerdo.

■ Com a quebra do sigilo telefônico e o rastreamento dos locais de ligações, a polícia reconstituiu o trajeto de Sousa naquele dia. Segundo a investigação, ele mentiu sobre o percurso e fez zigue-zague para ganhar tempo e deixar que outra pessoa encontrasse os corpos.

Fonte: VEJA SÃO PAULO