Saúde

Os médicos que receitam bombas

Fomos a quatros profissionais que prescrevem indevidamente anabolizantes e outras drogas perigosas a quem quer ganhar músculo a curto prazo

Por: Sérgio Ruiz Luz [colaborou João Batista Jr.]

Oftalmologista Mohamad Barakat
O oftalmologista Mohamad Barakat, dono de uma clínica na Avenida Brasil, aprosentou o aparelho óptico para fazer sucesso no mercado de fitness (Foto: Mario Rodrigues)

Exibir os músculos sarados no verão é um dos troféus mais cobiçados na era do culto ao corpo. No fim do ano, consultórios de nutrição esportiva na capital chegam a registrar um aumento de 50% em seu movimento. Há profissionais da área que turbinam os resultados graças a uma roleta-russa química na qual se destaca o abuso dos esteroides anabolizantes. Hormônios masculinos sintetizados em laboratório, eles estimulam a produção de proteína nas células musculares e, em sua utilização terapêutica, auxiliam na recuperação da massa corporal de pacientes debilitados por câncer ou aids, entre outras aplicações.

Nas últimas décadas, popularizaram-se muito no meio das academias, onde são chamados de “bombas” graças ao seu efeito potente no organismo. Utilizadas em alta dosagem, tais drogas funcionam como um elixir mágico capaz de transformar o físico de pessoas em um curto espaço de tempo, rendendo doses extras de força e acelerando o processo de recuperação depois dos  exercícios. Mas essa é uma terapia bastante perigosa. A lista de efeitos colaterais inclui doenças cardíacas e tumores no fígado. Devido a isso, a prescrição dos medicamentos a pessoas saudáveis é proibida pelo Conselho Federal de Medicina. Quem as receita para fins estéticos está sujeito a um processo que pode resultar, em última instância, na cassação do diploma. Alguns não se importam em correr os riscos. A forte demanda, a fiscalização frouxa e os altos lucros falam mais alto.

+ Quem são os médicos que receitam bombas

+ Os riscos do uso de anabolizantes para a saúde

Em São Paulo, um dos profetas da turma da malhação intensiva é Mohamad Barakat, um oftalmologista que aposentou o aparelho óptico e passou a fazer sucesso no mercado de fitness. Aos 50 anos, ele é uma espécie de propaganda ambulante do negócio. Suas camisas justas parecem cuidadosamente escolhidas para mostrar os 110 quilos distribuídos pela silhueta. “Tenho de me cuidar”, explica Barakat, contando que já foi um garoto obeso na infância. “Fiz bastante musculação e, nos últimos tempos, estou me dedicando ao tênis.” Na sala de espera de seu consultório na Avenida Brasil, batizado com o pomposo nome de Instituto de Medicina Integrada, Longevidade e Performance Humana, pode-se encontrar uma fauna variada de famosos, que inclui um esquadrão de ex-panicats, a apresentadora Adriane Galisteu, o atacante Guerrero, do Corinthians, e executivos como Lásaro do Carmo Júnior, presidente da Jequiti, empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos.

venda de receitas - homem-placa
Homem-placa no centro de SP ouve o pedido para comprar anabolizantes e indica um colega, que chega quinze minutos depois, com uma receita em branco, ao custo de 80 reais (Foto: Reprodução)

Quem vai até lá pela primeira vez preenche os dados cadastrais em um tablet. Na alta temporada, Barakat recebe por dia cerca de trinta pessoas, que pagam 750 reais por uma consulta. Na época de pico de trabalho, portanto, o endereço fatura mais de 100 000 reais por semana. “Chego a ficar aqui até as 3 horas da madrugada para atender quem procura um encaixe”, conta.

Aos que despencam ali dispostos a fazer qualquer negócio, o especialista diz ter uma fórmula. “Falo para essas pessoas que vou deixá-las ótimas para o verão... de 2015”, brinca, emendando a história de um rapaz que lhe pediu insistentemente uma poção para encurtar o caminho rumo à sonhada barriga tanquinho. “Abri a gaveta e falei para ele: ‘Tome, aí vai o pó de pirlimpimpim’ ”, lembra. Moral da história: “Não existe um passe mágico”. Seguindo a mesma linha de raciocínio, Barakat diz ser contra a aplicação de esteroides anabolizantes para fins estéticos. “Nunca uso hormônios se o indivíduo tem saúde normal. Acho inadmissível”, afirmou categoricamente a VEJA SÃO PAULO.

Em seu consultório, entretanto, sem que ele soubesse que estava diante de um jornalista, a prática foi outra. O autor desta reportagem esteve lá em outubro, sem se identificar, pedindo ajuda para ficar malhado a tempo para o verão. Barakat é um nome bem comentado nas academias de ginástica da capital por aplicar dietas heterodoxas. O objetivo da visita anônima era checar se os boatos procediam. Em cerca de trinta minutos, depois de olhar rapidamente o resultado de um exame de sangue feito em maio, o médico alegou que a taxa de testosterona do paciente estava no limite mínimo inferior e mandou ver numa dieta de sessenta dias com quatro tipos de hormônio sintético, entre eles oxandrolona e estanazolol. O suposto problema de saúde, na verdade, era apenas uma desculpa para justificar o objetivo real. “Vou lhe dar uma carona hormonal. Você estará em um tapete mágico. Em alguns meses, você vai estar com a barriga ‘trincada’.”

Em seguida, fechando o semblante, fez uma advertência. “De repente, você pode começar a ficar mais nervoso com as pessoas. Se isso acontecer, controle, respire...”, alertou. “A  testosterona vai deixá-lo diferente.” Algum outro problema? “A diferença entre veneno e poção é a dose. Nunca ninguém morreu por causa de hormônio”, garantiu. Encerrou o atendimento receitando aplicações na forma sintética do GH, sigla em inglês para o hormônio de crescimento. Seu uso terapêutico é para casos de crianças com dificuldade de crescimento. A exemplo dos anabolizantes, apresenta uma longa lista de efeitos colaterais, que vão do aumento das extremidades do corpo, incluindo nariz e maxilar, ao câncer de fígado. No mundo fitness, virou remédio com supostos poderes de aumentar músculos, reduzir gordura e melhorar a disposição. O GH é aplicado por uma enfermeira no próprio consultório de Barakat. O procedimento custa 1 500 reais por mês. “Ao final de sessenta dias, avalie como foi o retorno do investimento em termos de resultado físico”, concluiu o médico. Ele se apresenta como nutrólogo e tem pós-graduação em endocrinologia pelo Ipemed de São Paulo, curso que não é reconhecido pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Esse não é o único profissional da metrópole que recomenda anabolizantes e outros hormônios sintéticos para quem deseja acelerar o crescimento do corpo. A reportagem de VEJA SÃO PAULO obteve receitas semelhantes de outros especialistas (leia aqui). Yasser Maciel Jorge, da Clínica Pollyanna Esteves, voltada para medicina e nutrição personalizada,  na Vila Mariana, prescreveu uma ampola de deposteron a cada sete dias. “Depois de duas ou três semanas, a gente vê como o corpo vai reagir”, disse. “Aí, aumenta a dose ou diminui.” Outro especialista, Carlos Eugênio Ventura Lopes, que tem uma clínica no Itaim, recomendou injeções de 25 miligramas de deca-durabolin duas vezes ao mês. “Fica uma coisa bem segura para trabalhar”, disse.

O cardiologista Josmar Rodrigues, mais conhecido como doutor Jota, um mineiro radicado em São Paulo desde o fim da década de 80, representa outro nome forte na área. Possui um movimentado consultório no Jardim América. “Atendo por aqui gente como o ator Luigi Baricelli e o piloto Rubens Barrichello”, conta ele, que cobra 800 reais a consulta. Aos 56 anos, o médico acorda às 5 horas para manter a boa forma. “Antes das 6 já estou na academia correndo, fazendo bike, musculação, nadando...”, enumera. Na sala do profissional, coleções de miniaturas de carro e de capacete mostram que o automobilismo é outra de suas paixões, ao lado das canetas-tinteiro Montblanc (em cima da mesa, guarda cinco canecas e um por tatinta da marca).

A exemplo de Barakat, adota “oficialmente” uma postura de condenação aos anabolizantes. “Sou contra”, disse a VEJA SÃO PAULO. “Hormônios somente quando for necessário, mas não para aquele garoto que está cheio de testosterona e quer tomar droga para ficar mais forte. Isso é altamente prejudicial.” Em outubro, também estive lá, mostrando-me interessado no milagre do verão. “Você já experimentou algum hormônio?”, perguntou Jota, antes de receitar oito ampolas de durateston. “Vá à farmácia ou venha aqui mesmo aplicar as injeções nas nádegas, uma por semana”, orientou. “Use também estanazolol, que ajuda o corpo a crescer, secando. Tome três cápsulas por dia.” Questionado sobre os riscos do tratamento, amenizou: “A dosagem é muito pequena, não vai provocar nada. Você não quer uma mudança rápida? Então tem de tomar. Só usando suplementos alimentares não vai mudar nada”. 

O parecer mais recente do Conselho Federal de Medicina sobre o assunto data de agosto e é assinado por Júlio Rufino Torres, conselheiro relator da entidade. “A utilização de anabolizantes e hormônios de crescimento por quem não tem indicação de seu uso não deve ser realizada com a finalidade de aumentar sua massa muscular ou seu porte físico”, afirma o documento.

Aqui na cidade cabe ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) fiscalizar a ação dos profissionais e punir abusos. “Quando recebemos uma denúncia, abrimos uma sindicância e, dependendo da gravidade, isso pode se transformar em um processo”, explica Mauro Aranha, vice-presidente do Cremesp. Segundo uma estimativa dele, são registradas por ano aproximadamente 200 sindicâncias na metrópole por prescrição inadequada de anabolizantes. “Cerca de 15% delas viram processos”, calcula.

A pena mais leve é uma advertência, seguida de um termo de ajuste de conduta. Para ficar com a ficha limpa, o médico aceita ser monitorado de perto por um ou dois anos pelo Cremesp. Nos casos extremos, pode-se chegar à cassação do diploma. “É algo muito raro de acontecer; não conheço nenhum caso em São Paulo”, conclui Aranha.

Além de essas drogas não serem recomendadas para essa finalidade, elas acabam sendo prescritas sem exames e em volume acima do normal. Na consulta com o doutor Jota Rodrigues, por exemplo, o médico receitou uma ampola de durateston por semana. “É aproximadamente a mesma dose que uma pessoa toma durante um mês em tratamento de reposição hormonal”, compara Paulo Zogaib, fisiologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e uma das grandes autoridades no assunto no país. “Quanto maiores as quantidades usadas, maiores são os riscos de ocorrência de efeitos colaterais”, complementa. Outros especialistas fazem coro ao alerta. “As pesquisas não validam a utilização de anabolizantes e outros hormônios e  mostram que o uso indiscriminado e banalizado pode levar a doenças muito graves”, reforça Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração (HCor).  

Periodicamente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) elabora relatórios para o Cremesp com os médicos que estão emitindo muitas receitas de hormônios. Isso acaba funcionando como ponto de partida para investigações de conduta. O outro caminho para chegar aos doutores das bombas é mais complicado, pois depende da denúncia de pacientes. “A pessoa tem vergonha de assumir em público que usou esses produtos”, afirma Alexandre Hohl, secretário adjunto da Sbem. “Seria como um viciado denunciando o traficante.” A maioria das pessoas que procuram especialistas do tipo vai em busca justamente das pílulas mágicas de crescimento, mesmo sabendo dos riscos. “Os pacientes são coniventes e os médicos, por sua vez, aproveitam a demanda crescente do culto ao físico e da transformação do corpo”, entende Mauro Aranha, do Cremesp. O órgão não tem registro de queixa ou processo contra nenhum dos quatro médicos que receitaram as drogas para o jornalista de VEJA SÃO PAULO.

A sedução do atalho anabólico é enorme para quem não pensa nas consequências. O uso das substâncias, associado a um período de malhação pesada, pode render um ganho de 3 quilos de músculos em um só mês. Sem a alavanca química, uma pessoa leva um ano para obter resultado semelhante. Alguns dos médicos que receitaram os medicamentos não tiveram problemas em falar durante as consultas como o culto à estética impulsiona seu negócio. “No ano passado, atendi um rapaz que trouxe a foto de um amigo bem musculoso, pedindo para ficar ainda mais sarado do que ele”, contou Yasser Maciel Jorge. A explicação: em um cruzeiro, o tal fortão havia feito um sucesso enorme com as mulheres. “Depois de um tempo, esse paciente ficou realmente maior que o amigo, foi ao mesmo navio e era chamado por todos de mamute.”

andressa urach
A modelo Andressa Urach é uma usuária arrependida (Foto: AGNews)

Carlos Eugênio Ventura Lopes comentou a pressão das pacientes pelas drogas. “Algumas mulheres chegam aqui dizendo que, se eu não recomendar GH, vão procurar outro médico.” Barakat teve prazer de elencar suas pacientes-celebridade, como as modelos que fizeram sucesso na onda do padrão de beleza transgênico. “Atendo Juju Salimeni, Dani Bolina e Thaís Bianca, entre outras ex-panicats”, afirmou. Elas teriam esculpido o corpo pegando carona hormonal? “Vixe... Você está brincando? Usaram bem mais do que você vai usar.” Juju Salimeni deu entrevistas recentes dizendo que se arrependeu de ter tomado anabolizantes durante uma fase de sua vida. Procurada por VEJA SÃO PAULO, não quis falar mais sobre o assunto. Dani Bolina negou incrementar suas formas voluptuosas com os medicamentos. “Consigo resultados malhando bastante e cuidando da alimentação”, jura. Thaís Bianca diz que é uma usuária arrependida. “Você consegue um resultado, mas perde tudo depois”, afirma. “Não compensa.”

Uma das que sofreram com essas dietas foi Andressa Urach, de 26 anos, vice-campeã do concurso Miss Bumbum 2012. “Eu era muito magra na adolescência, sofria bullying e tinha o sonho de entrar para a TV, por isso resolvi fazer um tratamento para encorpar”, conta,  embrando-se das primeiras aplicações que fez de anabolizantes há dez anos. Ela realizou um intensivão hormonal em 2011, antes de disputar o concurso de “legendete por um mês”, como são conhecidas as figurantes do programa Legendários, de Marcos Mion. “Junto com as drogas, fiz três meses de treinos superpesados e consegui o corpo que desejava”, diz. Apesar  de alcançar o objetivo, ela começou a sofrer graves efeitos colaterais, todos eles associados à dieta de medicamentos. A voz ficou mais grossa, a acne começou a avançar no rosto e o tamanho do clitóris aumentou.

andressa urach 13 anos
Andressa Urach, aos 13 anos (Foto: Reprodução)

“Tive de fazer uma cirurgia íntima para corrigir isso e fiquei traumatizada”, afirma. “Não tomaria  essas drogas novamente.” Mais dramático foi o caso de Maria Melilo, a vencedora do Big Brother Brasil em 2011. Em novembro, ela passou por  uma cirurgia para estirpar um câncer no fígado no Hospital Sírio-Libanês. Segundo Maria, o tumor teria sido causado pelo consumo de anabolizantes. Fora do campo médico, um dos primeiros usos conhecidos das substâncias do gênero ocorreu na II Guerra Mundial, quando soldados nazistas recebiam doses do medicamento antes das batalhas para aumentar sua agressividade.

A droga migrou para o campo dos esportes em 1954. Durante o Campeonato Mundial de Halterofilismo em Viena, na Áustria, o médico americano John Ziegler ficou espantado com o físico avantajado dos soviéticos e as quantidades assombrosas de peso que içavam. Depois da competição, Ziegler convidou um médico daquele país para beber em um bar e, entre um drinque e outro, ele teria confessado que a turma estava fortalecida por anabolizantes. Na volta para os Estados Unidos, Ziegler começou a fazer experiências usando a terapia em atletas de lá. Poucos anos depois, vários competidores de modalidades diferentes estavam em busca das pílulas milagrosas do doutor. Em 1976, elas entraram para a lista negra do Comitê Olímpico Internacional. O maior escândalo dos Jogos ocorreu em 1988, quando o velocista canadense Ben Johnson perdeu a medalha de ouro dos 100 metros livres em Seul, pois o controle de doping apontou o estanazolol como combustível ilegal de sua impressionante arrancada rumo à linha de chegada.

O surgimento dos campeões de laboratório estimulou muitos amadores a iniciar a mesma corrida química. Em São Paulo, o negócio começou a se popularizar nas academias a partir dos anos 60. Mesmo com várias campanhas de conscientização sobre os riscos dos produtos (a mais recente delas é da rede Bio Ritmo, com o lema “Diga não aos anabolizantes”), os fanáticos  pela malhação ainda formam o grosso do público consumidor.

Hoje, quem não recorre aos médicos para conseguir as drogas acaba indo ao mercado negro. No centro da cidade, alguns homens-placa funcionam como corretores de receitas frias. Pode-se conseguir uma delas por 80 reais. Na internet, sites com nomes sugestivos como Anabolizando oferecem a venda e a entrega dos produtos. “É difícil flagrar os responsáveis pelo crime, pois algumas dessas páginas são administradas fora do Brasil”, afirma Adriano Caleiro, titular da 2ª Delegacia de Crimes contra a Saúde Pública, que trata dos casos que envolvem a venda irregular de medicamentos. “A cada quinze dias, instauramos dois ou três inquéritos sobre o assunto, vários deles tendo como responsáveis pelas vendas personal trainers e gente que atua no ramo de fitness.” Nas academias daqui, uma mulher fornece as drogas no esquema delivery, depois de um depósito bancário feito pelo comprador (veja abaixo).

Enzo Perondini fisiculturista
O fisiculturista Enzo Perondini: "É um caminho que ninguém sabe onde vai terminar" (Foto: Fernando Moraes)

A facilidade atual de acesso aos produtos surpreende até quem lida com isso há tempo. “Ficou mais tranquilo, com certeza”, atesta o fisiculturista Enzo Perondini, de 50 anos, dez vezes campeão brasileiro entre 1990 e 2002. “Na época em que eu me dopava, comecei a comprar de um fornecedor da Lapa indicado pelos meus amigos.” Consumidor frequente desse tipo de substância em sua carreira, assumiu em público a prática em 1998, quando enfrentava sérios problemas de saúde em decorrência do uso, como uma suspeita de câncer no fígado. Foi banido do esporte, converteu-se à religião evangélica e virou pastor. Hoje, convive com sequelas de saúde como hipertensão, além de um rim com apenas 40% de sua capacidade.

Depois de um tempo afastado do circuito de torneios, voltou aos palcos neste ano, exibindo sua massa de 120 quilos nos campeonatos do Musclemania, nos Estados Unidos, que possuem controles mais rigorosos de doping (no auge dos tempos de preparação química, Enzo pesava mais de 150 quilos). “Estou limpo e não vou voltar a aplicar injeções”, garante. De tempos em tempos ele dá palestras alertando sobre os riscos de alguém repetir sua experiência e se mostra indignado com os médicos que recomendam essas drogas. “Quem receita não pode garantir que nada de ruim acontecerá ao paciente”, entende. “Os anabolizantes são como uma estrada que ninguém sabe onde vai terminar.”

Remédio anabolizante Estanazolol
Anabolizante Estanazolol (Foto: Ivan Dias)

O inacreditável serviço de "bola-delivery"

No universo de algumas academias da cidade, é bem comentado um serviço de entrega em domicílio de anabolizantes, sem a necessidade de apresentação de receita médica. A reportagem de VEJA SÃO PAULO encomendou por telefone, no último dia 5, uma remessa de decadurabolin, oxandrolona e estanazolol, ao preço de 750 reais. Quatro dias depois do depósito feito em uma conta bancária do Bradesco na capital em nome de Laura Profes, um motoboy entregou o pacote no endereço indicado (depois disso, a revista encaminhou o material para a 2ª Delegacia de Crimes contra a Saúde Pública).

O comércio clandestino de medicamentos controlados rende de dez a quinze anos de cadeia. A responsável pelo serviço já esteve envolvida com tráfico de drogas. Em 2006, Laura foi presa em flagrante no Aeroporto Salgado Filho, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, transportando 923 comprimidos de ecstasy. Acabou condenada a quatro anos de prisão e está recorrendo em liberdade.

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  • Italianos

    Fasano

    Rua Vitório Fasano, 88, Jardim Paulista

    Tel: (11) 3062 4000 ou (11) 3896 4000

    VejaSP
    10 avaliações

    O ritual se repete em todo jantar quando o Fasano abre as portas para receber uma clientela ávida por suas receitas italianas. Até que tudo fique pronto para esse fino repasto, um batalhão de pessoas trabalha duro na cozinha. Essa turma de forno e fogão está sob as ordens do chef Luca Gozzani, nascido na Toscana. São 21 pessoas, entre elas um responsável pelas massas inigualáveis, um açougueiro dedicado aos vários tipos de corte e uma confeiteira, autora da tentadora seleção de sobremesas. No belo salão precedido por um piano-bar, desfilam para lá e para cá mais 26 profissionais, todos eles sob o olhar seguro e atento do maître-gerente Almir Paiva, o “senhor serviço”. Nesse time masculino pilotado por ele, figuram outros quatro maîtres, nove garçons e cinco auxiliares, os cumins. Completam a esquadra de atendimento dois especialistas em harmonização com vinhos, o mestre Manoel Beato e o italiano Massimo Leoncini, escolhido o sommelier número 1 nesta edição. Na sucessão de iguarias, há especialidades clássicas como o bacalhau mantecato com azeitona e tortino de grão-de-bico (R$ 98,00), o surpreendente agnellotti de galinha-d’angola sobre creme do coração da burrata (R$ 109,00) e o filé de angus no ponto pedido, com toucinho toscano, ciboulette e batata recheada ao forno (R$ 142,00).

    Preços checados em 22 de julho de 2015.

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  • Indianos

    Tandoor

    Rua Doutor Rafael de Barros, 408, Paraíso

    Tel: (11) 3885 9470

    VejaSP
    11 avaliações

    Marcante, o aroma de especiarias deixa clara a especialidade da cozinha do casal Mansha e Lakhi Daswani. O perfume fica mais evidente no almoço de segunda a sexta, quando é montado um bufê típico (R$ 38,90). Nesse horário e no jantar os pedidos também podem ser feitos à la carte. Para começar, os pastéis samosa repletos de batata e vegetais, levemente picantes, são fritos em formato triangular (R$ 18,90 por quatro unidades). A maior parte do cardápio traz pedidas vegetarianas, como a couve-flor cozida com batata e especiarias (R$ 35,90), nem sempre trazida à mesa quentinha, e o arroz frito com ervilha e sementes de erva-doce (R$ 11,90). Uma das melhores receitas, a almôndega de queijo recheada de uva-passa vem no molho cremoso com castanha-de-caju (R$ 35,90). Não abre mão da carne? Pois há variadas preparações de frango (ao curry sai por R$ 42,90), carneiro (ao molho de tomate, cebola e especiarias; R$ 52,90) e alguns poucos peixes e frutos do mar, como camarão ao molho de espinafre (R$ 62,90).

    Preços checados em 12 de agosto de 2015.

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  • Chope e cerveja

    Cervejaria Nacional

    Avenida Pedroso De Morais, 604, Pinheiros

    Tel: (11) 3034 4318 ou (11) 4305 9368

    VejaSP
    12 avaliações

    Introduziu o termo brewpub ao paulistano numa época (2011) em que tipo de bar que faz a própria cerveja era raro na capital. A produção se concentra no térreo, onde enormes tanques de fermentação ficam à vista de quem chega. Depois de armazenado em barris, o líquido chega às chopeiras dos dois pisos superiores, prontas para a prova. Com o intuito de experimentar os cinco títulos fixos da casa, nerds do lúpulo e do malte costumam pedir o sampler com todos eles (R$ 35,00) dispostos em copinhos de 120 mililitros. A bebida aparece nas versões de trigo, pilsen, india pale ale, brown ale e o stout. Antes ou depois, peça as fermentadas sazonais, muitas vezes feitas em parceria com outras cervejarias. Às terças e quintas, os goles ganham a companhia de música ao vivo (jazz, MPB, rock, blues...), a partir das 20h. Um bom sanduíche, o maracanã burguer (R$ 32,00) traz um bifão de 200 gramas de carne mais queijo, bacon, picles, alface, tomate, cebola-roxa e maionese da casa, acompanhado de fritas.

    Preços checados em 15 de julho de 2015.

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  • Hamburguerias

    Nico Hamburgueria

    Rua Cisplatina, 31, Ipiranga

    Tel: (11) 2062 8000

    VejaSP
    7 avaliações

    Nostalgia define o clima desta lanchonete. Sob o comando do casal Sandra e Osvaldo Nico Gonçalves, donos também do Nico Pasta & Basta, do Bar do Nico e da Sala Vip, todos no Ipiranga, o salão é decorado por brinquedos. Seguramente você encontrará algum boneco que marcou a sua infância em uma das prateleiras. Estão ali personagens da Família Dinossauro e dos Flintstones, além de Tintim, Topo Gigio, Shrek e até um Minion de pelúcia. Se a diversão é garantida, o serviço demorado e a apresentação dos lanches nem sempre agradam. O hambúrguer de 180 gramas compacto e um tanto seco (R$ 13,50) pode ser incrementado por queijo estepe (R$ 4,20), batata palha roxa (R$ 5,60) e maionese rosé (R$ 3,40). Se quiser variar do pão tradicional, escolha entre integral, ciabatta e australiano (R$ 3,50 cada um), todos fornecidos pelo competente padeiro Rogério Shimura — ponto positivo. No capítulo dos aperitivos, a batata frita xadrez (R$ 18,50) divide a preferência do público com asinha de frango picante (R$ 19,00) e milho-verde na manteiga (R$ 10,90).

    Preços checados em 28 de janeiro de 2015.

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  • Os músicos Paulo Tatit e Sandra Peres, do Palavra Cantada, gostam mesmo de comemorar. No Carnaval, eles costumam fazer uma apresentação recheada de marchinhas para as crianças. E agora, nas festas de fim de ano, é hora de espalhar o espírito natalino com o show Lá Vem o Papai Noel. Inédito, o espetáculo traz no repertório músicas já bem conhecidas do grupo, a exemplo de Criança Não Trabalha, Pindorama e Fome Come, composições especiais para a data, caso de Mais um Ano e Noite Feliz, além da no nova canção O Meu Papai Noel. Há uma surpresa preparada para o fim da exibição: o bom velhinho vai aparecer para brincar com a garotada. Acompanham a dupla os instrumentistas Daniel Ayres, Julia Pittier, Marina Pittier, Michelle Abu e Wem. Dia 22/12/2013.
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  • Conhecido como um dos maiores fotógrafos de seu tempo, o lituano Antanas Sutkus apresenta 35 imagens inéditas em preto e branco, que mostram o cotidiano de seu povo. Crescido na dura realidade da União Soviética, o fotógrafo - hoje com 74 anos - fugia da censura socialista e ignorava as linhas estéticas que eram ditadas pelos poderes repressivos. Por isso, muitas de suas imagens foram guardadas em arquivos e mostradas ao público após a década de 90. De 13/11 a 5/1º/2014.
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  • Jovem revelação da arte europeia, o inglês Eddie Peake ganha a primeira individual na América do Sul. Caustic Community (Masks and Mirrors) compila dezenove pinturas, além de um vídeo. Preços não fornecidos. Até 8/2/2014.
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  • Entre as opções, Tribos, com Antônio Fagundes, e Crazy for You, com Claudia Raia e Jarbas Homem de Mello
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  • O ator Cassio Scapin uniu forças com o dramaturgo Cássio Junqueira e o diretor Elias Andreato para montar a biografia de uma mulher de opiniões firmes, a atriz paulistana Myriam Muniz (1931-2004). Marcado por sutilezas e repleto de subtextos, o monólogo Eu Não Dava Praquilo faz as últimas sessões em São Paulo e, em janeiro, começa a viajar pelo Brasil. Vestindo preto, Scapin manuseia um xale e um cigarro e modula a voz para alcançar o tom esganiçado da homenageada, revivendo sua trajetória artística e pessoal. O ator venceu os prêmios APCA e Qualidade Brasil e foi indicado ao Shell de 2014. Dias 2 e 3/7/2014.
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  • A caixa Quatro Tons de Odair José, que relançou quatro discos do artista em 2013, foi responsável pela reavaliação de sua obra, até então quase sempre lembrada apenas como brega. Em cada um desses trabalhos é notável a ousadia de Odair na escolha dos temas, tais como a separação (Pense Pelo Menos em Nossos Filhos) e até as drogas (Viagem). Em meio à onda que vasculha sua história, ele lança o 35º álbum, intitulado Dia 16, trabalho que tem por intenção mostrar o lado mais rock 'n' roll do cantor e compositor. Ao violão, Odair divide o palco com Marco Camarano (guitarra), Marcos Bisco (teclado), Odair José Jr. (baixo) e Caio Mancini (bateria). Dia 12 e 13/3/2015.
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  • Foi uma grata surpresa o lançamento do disco 66 (2012), do trio de rock O Terno. Munidos de referências sessentistas, Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme Peixe (baixo) e Biel Basile (bateria) contribuíram para dar no vos ares à cena paulistana, sem medo de fazer amplo uso da ironia e do bom humor . A fórmula certeira voltou no trabalho homônimo (2014), que foi gravado de forma independente. Os arranjos deliciosamente bregas de Bote ao Contrário dividem espaço com a balada Ai, Ai, Como Eu Me Iludo. As guitarras raivosas de O Cinza e Vanguarda? devem ser responsáveis por bons momentos ao vivo. Nesta apresentação gratuita o trio traz composições dos dois álbuns. A noite começa com a apresentação de Marcelo Callado. Dia 30/7/2015.
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  • Filmes / Cinemas

    Duas fitas gays abordam as relações de forma distinta

    Atualizado em: 13.Dez.2013

    Além da Fronteira e Um Estranho no Lago estreiam no circuito 
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  • Após a morte acidental da mãe, as jovens Iris (Ambyr Childers) e Rose (Julia Garner) ficam encarregadas de cuidar do caçula (Jack Gore). Os irmãos e o pai, Frank Parker (Bill Sage), levam uma vida muito particular numa pequena cidade americana. Além de se vestirem como no século passado, não se aproximam de estranhos, têm aparência pálida e seguem costumes rígidos. Ocorrem ainda desaparecimentos misteriosos no vilarejo, o que aumenta mais as suspeitas sobre a esquisita família. No desenrolar do drama de terror, dá para notar como sobrevivem os Parker. A última cena, contudo, é estarrecedora. Em constante clima de tensão, o diretor Jim Mickle demonstra estilo ao manter o suspense sem apelar para truques baratos. Estreou em 13/12/2013.
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  • A atriz Cate Blanchett e o filme Gravidade foram recompensados nas associações de críticos
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  • Da Coreia do Sul vem A Filha de Ninguém e, da China, Um Toque de Pecado
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  • Filmes

    Quatro belas atrizes em cartaz na cidade

    Atualizado em: 13.Dez.2013

    Jennifer Lawrence aparece como a protagonista em Jogos Vorazes - Em Chamas e Scarlett Johansson é uma mulher difícil de ser conquistada em Como Não Perder Essa Mulher
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  • Com montagem da Royal Opera House, de Londres, o balé Dom Quixote ganha exibição em salas da rede Cinemark: Eldorado, Mooca Plaza, Cidade Jardim, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista e Villa-Lobos projetam o espetáculo no sábado (21/12/2013), às 11h. No domingo (22/12/2013), os dois primeiros complexos mais o Iguatemi realizam a sessão no mesmo horário. No Cidade Jardim, Metrô Santa Cruz, Pátio Higienópolis, Pátio Paulista e Villa-Lobos será às 14h. Em três atos, a apresentação tem duração de três horas com dois intervalos. Em cena surge a história de Dom Quixote e seu fiel escudeiro, Sancho Pança, inspirada no clássico de Miguel de Cervantes (1547-1616). A coreografia é do bailarino cubano Carlos Acosta. No Cidade Jardim, o ingresso custa R$ 70,00 e nos demais cinemas, R$ 50,00.
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  • Filmes

    Nove filmes que são exibidos em apenas uma sala

    Atualizado em: 13.Dez.2013

    Os Belos Dias e La Jaula de Oro são algumas das opções
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  • Filmes

    Dois atores que atuam e dirigem

    Atualizado em: 13.Dez.2013

    Domingos Oliveira e Joseph Gordon-Levitt dobram de função nos filmes Primeiro Dia de um Ano Qualquer e Como Não Perder Essa Mulher, respectivamente
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  • Filmes

    As melhores escolhas em duas mostras na cidade

    Atualizado em: 13.Dez.2013

    Indicamos três filmes que valem ser revistos na 14ª Retrospectiva do Cinema Brasileiro e na Mostra o Cinema de Maurice Pialat
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  • Entre as opções, Linha de Frente e Jackass Apresenta Vovô Sem Vergonha
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  • Comportamento

    O pinguim natalino

    Atualizado em: 13.Dez.2013

Fonte: VEJA SÃO PAULO