Eleições

As mulheres de Fernando Haddad

Conheça a trajetória e os planos da esposa, Ana Estela, e da vice, Nádia Campeão

Por: Maurício Xavier - Atualizado em

Haddad
O beijo famoso, após o discurso no dia da eleição: brilho próprio na campanha (Foto: Jonne Roriz/Estadão Conteúdo)

Três horas após ser confirmado como o novo prefeito da capital, na noite de domingo (28), Fernando Haddad subiu em um caminhão de som na Avenida Paulista e fez um discurso de dez minutos. Em suas últimas frases, exaltou as duas companheiras de campanha: sua mulher, Ana Estela Haddad, e a vice, Nádia Campeão. “Elas honraram e dignificaram a luta da moradora de São Paulo. Essas mulheres darão um colorido ao nosso governo e vão orientar a nossa ação”, declarou. Em seguida, virou para o lado e deu um abraço apaixonado na nova primeira-dama. Apreciadores de cinema, os dois deixariam com inveja os atores Burt Lancaster e Deborah Kerr, que protagonizaram o beijo mais famoso das telas, em A Um Passo da Eternidade (1953). No dia seguinte, a cena teve destaque nos jornais. “O Fernando tinha acabado o discurso, eu estava emocionada, a gente olhou um para o outro e foi uma coisa natural”, lembra Ana Estela. “Ele costuma dar demonstrações públicas de carinho, mas eu não esperava que essa imagem ganhasse tanta dimensão.”

Ana Estela Haddad
(Foto: Thays Bittar/Frame/AE)

ANA ESTELA HADDAD

■ Local de nascimento: São Paulo

■ Idade: 46 anos

■ Família: casada com o prefeito eleito Fernando Haddad, de 49 anos. Mãe dos estudantes Frederico, 20, e Ana Carolina, 12

■ Formação: curso superior de odontologia em 1988, mestrado em 1997, doutorado em 2001 e livre-docência em 2011, todos pela Universidade de São Paulo (USP)

■ Carreira política: foi diretora de Gestão da Educação na Saúde da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, no Ministério da Saúde (2005-2006)

■ Bairro onde mora: Paraíso

Longe de ser um “acessório” às aparições do marido, Ana Estela teve brilho próprio nos quatro meses de campanha. Sua agenda diária era divulgada separadamente pela assessoria de imprensa do comitê, e a estimativa é que, dos eventos públicos de que participou, metade não contou com a presença do então candidato — índice similar ao da vice. “Foi uma estratégia adotada desde o início: pela quantidade de compromissos e também para ampliar a abrangência da campanha, triplicamos os esforços”, afirma Luís Fernando Massonetto, assessor pessoal de Haddad e um dos integrantes da equipe de transição do governo. “A Nádia comparecia aos locais em que o Fernando não poderia estar presente, e a Ana Estela se concentrou mais nos encontros ligados à saúde”, completa. É improvável, no entanto, que essa atuação se transforme em cargo público. “Posso colaborar com sugestões na educação e na saúde, mas o prefeito é ele”, diz Ana Estela, que voltará a dar aulas na graduação da Faculdade de Odontologia da USP, de onde estava licenciada.

De família libanesa, Ana Estela conheceu Haddad em 1980, na piscina do clube Sírio, do qual ambos eram sócios. Eles começaram a namorar em 1986 e casaram-se em 1988. Passaram o ano seguinte em Montreal, no Canadá, enquanto ele preparava sua dissertação de mestrado em economia e ela fazia estágio em odontologia. Moraram na década seguinte em São Paulo — a maior parte do tempo em um apartamento de 200 metros quadrados no Paraíso, ainda hoje o lar da família. Em 2003, mudaram-se para Brasília, onde ele trabalhou nos ministérios do Planejamento e da Educação (chegou a ministro), e ela nos da Educação e da Saúde (foi diretora em uma secretaria). Voltaram à capital paulista no começo deste ano, para a campanha à prefeitura. Por aqui, Ana Estela gosta de frequentar restaurantes, bares e lanchonetes do Itaim, como o Pomodori, o Espírito Santo e o The Fifties. Para compras, vai aos shoppings Pátio Paulista, perto de sua casa, e ao Iguatemi. Mas confessa que, nos últimos meses, não teve tempo de ir a esses locais só com o marido. “A gente mal tem conseguido passar momentos em casa com os filhos, imagine então fazer programas sozinhos...”, lamenta.

A exposição da família, crescente durante a campanha, será praticamente inevitável após o início da gestão, o que traz certo receio. “O Frederico é um adulto, tem 20 anos e maturidade para lidar com isso. Minha preocupação maior é com a caçula, a Ana Carolina, de apenas 12 anos. Gostaria que ela tivesse uma vida normal.” O assédio ao marido célebre também causa uma pontinha, ainda que discreta, de ciúme. “Ele é uma figura pública e recebe muitas manifestações de carinho nas ruas, o que me deixa orgulhosa”, explica. “Mas existem momentos em que ocorrem excessos, e eu sou humana.”

Curiosamente, o posto de primeira-dama esteve vago na metrópole durante quase toda a última década — exceto pelo mandato de um ano e três meses de José Serra, entre 2005 e 2006. A explicação é que, parte do período, a cidade esteve sob o comando de Marta Suplicy e, depois, do solteiro Gilberto Kassab. A partir de janeiro, Ana Estela assume a posição prometendo mudar a imagem do cargo.

Curiosamente, o posto de primeira-dama esteve vago na metrópole durante quase toda a última década — exceto pelo mandato de um ano e três meses de José Serra, entre 2005 e 2006. A explicação é que, parte do período, a cidade esteve sob o comando de Marta Suplicy e, depois, do solteiro Gilberto Kassab. A partir de janeiro, Ana Estela assume a posição prometendo mudar a imagem do cargo. “O nome ‘primeira-dama’ traz uma carga de estereótipo e pode ser repaginado. Mas primeiro  vou me inteirar sobre qual é sua função exata na estrutura municipal”, afirma.

Quem também procura um espaço próprio na administração de São Paulo é Nádia Campeão. Ainda não está definido se a vice- prefeita assumirá uma secretaria, a exemplo do que fez Alda Marco Antonio na Assistência Social durante o segundo mandato de Gilberto Kassab. A engenheira agrônoma, que foi secretária de Esportes na gestão de Marta Suplicy entre 2001 e 2004, não nega o interesse de ter papel ativo no governo. “Não sou de ficar parada e gostaria de atuar de alguma forma. Não tenho,  entretanto, nenhuma preferênciaem relação à função”, diz. Uma das possibilidades é a futura Secretaria das Mulheres, que Haddad prometeu criar. “As mulheres representaram 60% dosparticipantes dos nossos atos decampanha, sejam militantes, sejam eleitoras. Eram as pessoa sque mais se aproximavam para conversar sobre os problemas dacidade”, lembra.

NÁDIA CAMPEÃO

■ Local de nascimento: Rio Claro

■ Idade: 54 anos

■ Família: casada com o médico Walter Sorrentino, de 58 anos. Mãe do engenheiro agrônomo Maurício, 29, e do engenheirode alimentos Bernardo, 28

■ Formação: curso superior de agronomiana Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), em Piracicaba,concluído em 1979

■ Carreira política: foi secretáriamunicipal de Esportes durante a gestão deMarta Suplicy (2001-2004)

■ Bairro onde mora: Perdizes

Paulista de Rio Claro, a 190 quilômetros da capital, Nádia viveu a infância e a juventude em sua cidade natal. Aos 17 anos, mudou-se para Piracicaba, onde cursou agronomia na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, que concluiu em 1979. Passou a década de 80 no Maranhão, trabalhando em atividades sociais de auxílio a pequenos produtores rurais. Em São Paulo desde 1990, atuou como assessora parlamentar na Câmara e na Assembleia Legislativa para vereadores e deputados estaduais do PCdoB, partido ao qual é filiada desde 1978. No governo de Marta, fez parte do grupo que implantou os Centros Educacionais Unificados (CEUs), a principal marca da gestão. Candidatou-se em duas ocasiões, sem ser eleita: a vereadora, em 2004, e a vice-governadora, na chapa encabeçada por Aloizio Mercadante, em 2006.

Sua principal atividade nos momentos de folga são caminhadas e corridas nos parques da Água Branca e Villa-Lobos. Chegou a participar de provas de rua, de 6 quilômetros, mas teve de abandoná-las por falta de treino constante. Também praticou tênis e disputou os Jogos Abertos do Interior de São Paulo entre 1972 e 1974. Casada com o médico Walter Sorrentino, costuma frequentar algumas das principais atrações de Perdizes, bairro onde mora: compra na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, assiste a shows no Sesc Pompeia e vai à Pastelaria Brasileira, na frente do Palestra Itália (é palmeirense). Também gosta da cantina Pasquale, em Pinheiros, e da Hamburgueria do Sujinho, na Consolação. Ela e Ana Estela até ensaiaram uma amizade pessoal durante a campanha. “Tentamos combinar algumas vezes de sair para comer uma pizza, só que nunca deu certo, pelo tempo apertado.” Terão os próximos quatro anos para isso. 

Fonte: VEJA SÃO PAULO