Animais

Número de adoções de bichos deficientes cresce na capital

Empresas também criam artigos para melhorar a vida dos pets especiais

Por: Carolina Giovanelli - Atualizado em

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O cenógrafo Lee Oliveira e a pinguim fêmea Branca: próteses para ajudá-la a andar (Foto: Fernando Moraes)

Quando o pinguim-fêmea Branca chegou ao Aquário de São Paulo, há um ano, sua patinha direita sofria com uma grave infecção. Mesmo após exames e tratamentos, não houve jeito: foi necessário amputá-la. A ave até que se virou bem por um tempo andando apoiada em um pé só. Mas os veterinários não estavam satisfeitos. Chamaram, então, o cenógrafo do espaço, Lee Oliveira, para tentar encontrar uma solução. “Pesquisei bastante e bolei um molde da patinha feito de silicone e PVC”, diz. Há cerca de quinze dias, Oliveira chegou ao produto final, após um mês de testes. “Logo que a prótese foi colocada em sua perna, a Branca saiu correndo, algo que eu nunca a tinha visto fazer”, conta a veterinária Laura Reisfeld. Depois do sucesso da experiência, a ave ganhou uma coleção de cinco “sapatinhos” coloridos (um deles verde e amarelo, para comemorar a Copa de 2014).

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Os animais deficientes físicos contam com cada vez mais novidades para viver melhor. Empresa localizada há quinze anos em Botucatu, no interior de São Paulo, a VetCar foi uma das primeiras a entrar no mercado de cadeiras de rodas para bichos. “Antes, pets que tinham sequelas muito graves que prejudicavam sua locomoção eram sacrificados”, diz o veterinário acupunturista Eduardo Diniz, dono do negócio. “Com o tempo, as pessoas viram que existem outras soluções.” Hoje, a companhia vende, em média, 65 carrinhos por mês, feitos sob medida, que custam entre 480 e 650 reais, para cães, gatos, coelhos e até furões. Cerca de 25% das encomendas são para clientes da capital. É possível fazer pedidos pela internet (www.vetcar.com.br).

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Silvia Garwood e Tony, o “gato foquinha”: graças ao esforço da dona, ele não se arrasta mais (Foto: Fernando Moraes)

Nas ONGs, os pets especiais ainda não são a primeira opção da maioria das famílias, porém isso vem mudando aos poucos. “Há quem procure exatamente aqueles que têm pouca chance de conseguir um lar”, conta Vanice Orlandi, presidente da União Internacional Protetora dos Animais. “Neste ano, doamos seis animais paraplégicos, o dobro de 2012”, afirma Cláudia Demarchi, da ONG Clube dos Vira-Latas. 

Vale lembrar que são pets que demandam mais atenção. “Eu me reviro do avesso para dar a ele uma vida normal, mas faço tudo com muito prazer”, afirma a administradora Silvia Garwood, “mãe” de Tony. Uma deficiência de cálcio, que não o deixava se levantar, não impediu que ela o acolhesse em sua casa há cinco meses. Quando ele queria ir a algum lugar, arrastava-se (por isso, ganhou o apelido de “gato foquinha”). Após várias sessões de acupuntura e fisioterapia, Tony passou a andar, ainda que com dificuldade. “Ele mudou minha vida”, derrete-se Silvia, que criou uma página no Facebook para o felino, seguida por mais de 13 000 pessoas. Outro pet especial que fazia sucesso na rede era Mocinha, uma vira-lata tetraplégica. Entre suas aventuras, aparecia visitando a praia a bordo de um carrinho. Falecida em setembro, por causa de uma doença degenerativa, ela ganhará um livro escrito pelos donos, a atriz Julia Bobrow e o fotógrafo Daniel Guth, batizado de Desistir Nunca Foi uma Opção. Será lançado no dia 16 de dezembro, na Livraria da Vila dos Jardins. “Nunca sentimos pena da Mocinha, tenho certeza de que demos a melhor vida que podíamos proporcionar a ela”, emociona-se Julia.

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A vira-lata tetraplégica Mocinha: em um passeio à praia, antes de sua morte, em setembro (Foto: Arquivo Pessoal)
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Desistir Nunca Foi uma Opção: capa do livro de Mocinha que será lançado neste mês (Foto: Divulgação)

Fonte: VEJA SÃO PAULO