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Sesc Belenzinho tem "Arte Povera — Obras da Coleção Mart"

Mostra apresenta a vanguarda italiana dos anos 60, com dezoito trabalhos pertencentes ao Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Trento e Rovereto

Por: Jonas Lopes

Metro Cúbico 2202
Metro Cúbico de Infinito, de Michelangelo Pistoletto: espelhos colados em caixa criam efeitos ópticos (Foto: Divulgação)

É impossível não associar a arte italiana ao esplendor de seu passado. As obras-primas dos períodos renascentista, maneirista e barroco, assinadas por gênios do quilate de Michelangelo, Caravaggio, Tintoretto e Giotto, continuam influentes e cultuadas. Para um grupo de vanguardistas da metade dos anos 60, porém, superar essa tradição era o grande objetivo. Surgia naquele momento um movimento cuja trajetória é resgatada na coletiva Arte Povera — Obras da Coleção Mart, em cartaz no galpão do recém-inaugurado Sesc Belenzinho. Na seleção, dez artistas apresentam dezoito trabalhos pertencentes ao Museu de Arte Moderna e Contemporânea de Trento e Rovereto.

Por trás do conceito de arte povera (arte pobre, em italiano) está o uso de materiais pouco nobres, ordinários mesmo (como terra, madeira, ferro, plástico, folhas de jornal e panos), para romper com a beleza, tão característica do classicismo, e o mercantilismo. É o caso de Michelangelo Pistoletto, que colou espelhos em pedaços de árvore e em uma caixa de madeira para criar efeitos ópticos, respectivamente, em “5 Troncos Divisão Multiplicação" e "Metro Cúbico de Infinito”.

Alighiero Boetti (1940-1994), por sua vez, deixou a tinta de lado e recorreu ao bordado em “Ter Fome de Vento” e em “Mapa”. A instalação “Claro Obscuro”, de Mario Merz (1925-2003), traz iglus feitos de lenha, vidro e estruturas metálicas, enquanto Giulio Paolini zomba das esculturas do século XVI em “Intervalos” (Lutadores), com uma peça dividida em duas partes, cada metade exposta em uma parede diferente.

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Fonte: VEJA SÃO PAULO