Arte e design

Galeria a céu aberto

Jardins de mansão vitoriana inglesa do século XIX servem de vitrine para obras de até 24 milhões de reais que atraem compradores de todas as partes do mundo

Por: Maria Paola de Salvo, de Aylesbury - Atualizado em

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Desde maio, quem cruza os portões dourados de Waddesdon Manor, um palácio rural vitoriano localizado em Aylesbury, cidade a uma hora de trem de Londres, pode ficar com a impressão de ter tomado a poção de encolhimento de Alice no País das Maravilhas. Objetos gigantescos que parecem ter saído da obra de Lewis Carroll estão espalhados pelos 667 000 metros quadrados dos bem cuidados jardins da propriedade construída no século XIX pela dinastia de banqueiros Rothschild. Ao passear pelas alamedas verdes, o visitante depara com um bule de chá de 5 metros de altura, uma casa de cartas quase do tamanho de um ser humano, um grande maço de cigarros preso a uma cadeira de madeira de 4,5 metros e uma figa de cerca de 2 metros no alto de uma colina. Não, não se trata de atração infantil. As esculturas para gente grande e com conta bancária maior ainda compõem uma galeria de arte a céu aberto.

São 33 obras contemporâneas à venda, por preços que variam de 200 000 a 24 milhões de reais, na exposição House of Cards — o equivalente a castelo de cartas, em inglês —, da prestigiada casa de leilões Christie's. É a primeira vez que a empresa organiza uma exibição semelhante. Quem quiser levar alguma peça para casa não precisará dar nenhum lance. Basta assinar o cheque. “Normalmente, num leilão, não é possível comercializar esculturas de grande porte como as que estão aqui”, diz Lock Kresler, diretor europeu de arte contemporânea e do pós-guerra da Christie's. “Foi uma tentativa de engajar nossa clientela nessa outra vertente da arte contemporânea.”

Muitas delas em tamanho gigante, as esculturas são uma releitura de Garoto Construindo um Castelo de Cartas (1735), do pintor francês do século XVIII Jean-Baptiste-Siméon Chardin, exposta de maio a outubro dentro do Palácio de Waddesdon. Representando décadas diferentes, a maioria das obras veio de museus e galerias de várias partes do mundo. Apenas quatro foram encomendadas especificamente para a exposição, como é o caso de Pavillon de Thé (2012), o bule de chá enorme desenhado em filigrana e assinado pela artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos. O tour de compras de obras de arte pode acabar com um chá inglês no restaurante do palácio.

Fonte: VEJA SÃO PAULO