Arte

Dupla de curadores cruzou a América Latina buscando fotos escondidas

Conheça as histórias mais curiosas que eles decobriram em dez anos de viagens

Por: Julia Flamingo - Atualizado em

Arquivo Ex-Machina
Resultado do garimpo pode ser visto na mostra Arquivo Ex Machina, no Itaú Cultural (Foto: Secretaria de Cultura Nah Sinafo FN México.)

Em meio a tantas exposições e eventos de fotografia que acontecem na cidade no mês de junho, uma mostra se destaca como imperdível para os apreciadores não só de fotografia, mas história, antropologia, museologia e tantas outras áreas (que possivelmente também terminam com ia). Arquivo Ex Machina, no Itaú Cultural, reúne 150 imagens garimpadas em arquivos de toda a América Latina. A ideia é trazer à luz documentos escondidos, além de questionar o papel da fotografia como registro histórico.

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Os curadores Iatã Cannabrava e Claudi Carreras têm viajado para países como Argentina, Peru, Equadros, Colômbia e Bolívia pelos últimos 10 anos para fazer contatos com pesquisadores. Acharam verdadeiros tesouros fotográficos. "Encontramos três grupos principais de pesquisadores", conta Canabrava. "Aqueles que fazem releituras de arquivos, outros que fazem intervenções e um terceiro que os inventa", explica.

Veja abaixo quais são as histórias mais curiosas por trás das séries garimpadas pela dupla:

1 - O nascimento do selfie

Arquivo Ex Machina
(Foto: Julia Flamingo)

Rikio Sugano (1887-1963) foi um aventureiro japonês que viajou o mundo todo, retratando a si mesmo em lugares exóticos. Ele é, provavelmente, um dos primeiros homens obcecados por selfies. Sugano costumava deixar suas imagens nos lugares onde passava para divulgar suas eventuras e, às vezes, dava de presente cartões que levavam as fotografias. Por isso, já foram encontradas 5700 imagens no mundo todo, que são hoje conservadas no Centro da Imagem de Lima. 

2 - Indígenas fora de cena

Arquivo Ex Machina
(Foto: Arquivo Histórico do Ministério de Cultura e Patrimônio do Equador)

O fotógrafo José Domingo Laso (1870-1927) queria mostrar com seus retratos que a cidade onde vivia, Quito, no Equadror, era progressista. Por isso, raspava dos seus negativos a imagem dos índios, ou desenha vestidos e grandes chapéus para cobrir o povo que, para ele, sujava a paisagem. Quem descobriu a embromação foi o próprio bisneto do fotógrafo.

3 - Fotografia ostentação

Arquivo Ex-Machina
Mostra reúne fotografias sobre conflitos na América Latina (Foto: Col Felipe Teixidor)

A pesquisadora mexicana Mayra Mendoza descobriu que as fotografias feitas durante a Revolução Mexicana, de personagens bogodudos e de chapéus, carregando grandes armas e munição era, na verdade, uma encenação. Os guerrilheiros posavam para fotógrafos que criavam cenários a fim de fazer uma publicidade da Revolução. Imagens supostamente feitas antes ou depois do campo de batalha não apresentam nenhum indício de desordem. Pelo contrário: são harmoniosas e organizadas.

4 - Passado inventado

Arquivo Ex Machina
(Foto: André Penteado)

Cabanagem foi a revolta social ocorrida no Pará entre 1835 e 1840. Revolucionários mataram seu governador e mantiveram-se no poder por mais de um ano. O episódio causou a morte de mais de 30 000 pessoas. Porém, não sobrou nenhum documento. Fissurado pela história, André Penteado percorreu o Belém e o interior do Estado para procurar traços do episódio e criar fotografias que poderiam recontar essa história.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO