Crime

Celso Kamura: "Após o 'rapa', adeus ao dúplex"

Cabeleireiro da presidente teve o apartamento roubado na Aclimação

Por: Daniel Bergamasco [com reportagem de Flora Monteiro, Ricky Hiraoka, Nathália Zaccaro e Pedro Henrique Araújo]

Celso Kamura Capa 2258
Celso Kamura: no novo endereço, reforço na segurança (Foto: Deco Rodrigues)

Maquiador e cabeleireiro estreladíssimo de gente famosa, a começar pela presidente Dilma Rousseff, Celso Kamura se habituou a tomar cuidados em seus deslocamentos. “Quebraram o vidro do meu carro duas vezes e, desde então, só ando em veículos blindados”, revela. Há cerca de seis meses, um novo caso exigiu uma mudança mais radical. Seu apartamento dúplex de cobertura, na Aclimação, foi roubado.

+ Violência: somos todos reféns

+ Celso Kamura: cada cabelo, uma sentença

+ Algumas figuras do circo da moda na SPFW

Os bandidos renderam a empregada, a única pessoa que estava no imóvel, e “fizeram o rapa em tudo o que havia de valor e era carregável”, segundo um amigo. Assustado, Kamura saiu em busca de outro lugar para morar e, após finalmente eleger um novo endereço, passou as últimas semanas cuidando da mudança. Na procura, elegeu como fator determinante a estrutura de segurança do edifício e acabou encontrando um condomínio repleto de câmeras e portarias reforçadas. “Em São Paulo, hoje eu sei que não estou a salvo nem dentro da minha própria casa”, desabafa. Essa sensação de impotência em qualquer lugar, sem possibilidade de um refúgio totalmente seguro, pode ser tão devastadora psicologicamente quanto ficar frente a frente com o bandido.

Assim como aconteceu com Kamura, a maioria se livra aos poucos de sintomas de tensão e ansiedade exacerbada, mas há casos em que o dano permanece por anos. “Ter a casa invadida pode implicar sintomas comparáveis ao stress pós-traumático, quando a violência é presenciada e a pessoa sente que a vida foi ameaçada”, diz o psiquiatra Felipe Corchs, do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. Seja qual for o caso, parentes e amigos próximos de quem se tornou vítima têm papel fundamental na superação. “É preciso mostrar-se presente e disponível para ouvir, mas sem exageros que forcem a pessoa a ficar revivendo o que passou.”

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO