Imóveis

Imóveis próximos ao Parque do Povo batem recorde de valorização

Preços dos apartamentos entre a Av. Faria Lima e a Av. Nações Unidas aumentaram mais de 100% nos últimos três anos

Por: Mariana Barros - Atualizado em

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O Parque do Povo, no Itaim: construção da área verde foi um dos motivos da valorização dos imóveis (Foto: Fernando Moraes)

Desde que o Parque do Povo, no Itaim Bibi, foi inaugurado, em 2008, duas coisas cresceram sem parar: as mais de 200 mudas de árvores plantadas ali e o valor dos prédios vizinhos. O já bastante cobiçado quadrilátero formado pelas avenidas Cidade Jardim, Brigadeiro Faria Lima, Juscelino Kubitschek e Nações Unidas ficou ainda mais desejado após ganhar seu próprio jardim. Nos últimos três anos, o preço do metro quadrado por lá mais que dobrou, chegando à cifra atual de 23.000 reais. É bem mais alto do que a média do bairro (15.000 reais) e fica hoje apenas atrás do da Vila Nova Conceição, em termos de valores da capital. O fenômeno assombra até mesmo profissionais do mercado. “Não é comum uma arrancada com esse ritmo”, afirma Alexandre Villas, diretor da imobiliária Imóvel A.

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A proximidade dos escritórios da Faria Lima, dos restaurantes do Itaim e dos Jardins, além de pontos de lazer como o Shopping Iguatemi e os clubes Pinheiros e Hebraica, faz do lugar um dos mais bem localizados da cidade. “De povo, o parque não tem nada”, brinca Roberto Coelho da Fonseca, da imobiliária que leva o seu sobrenome, a respeito da concentração de paulistanos endinheirados que se tornaram moradores dos arredores ou frequentadores. “Muita gente migrou em busca de praticidade e conforto”, complementa ele.

O publicitário Nizan Guanaes, dono do grupo ABC de Comunicação, e o executivo Olavo Setúbal Júnior, conselheiro do Itaú Unibanco, estão entre os que cederem aos seus atrativos. Por sua vez, o empresário Carlos Jereissati Filho não apenas faz parte do grupo de moradores do quadrilátero como é também um dos principais investidores da região. Ele é um dos empreendedores que estão por trás do lançamento do Shopping JK Iguatemi, na Juscelino, previsto para ocorrer em abril de 2012.

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O economista Rodrigues: "A vida ficou mais tranquila" - sobre a segurança oferecida pelos novos prédios na área (Foto: Fernando Moraes)

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Outro fator determinante para a consolidação da área foi a segurança oferecida pelos novos prédios, que os torna fortalezas mais eficazes contra roubos do que as mansões do Jardim Europa ou do Morumbi. “A vida ficou mais tranquila”, afirma o economista Vitor Betoni Rodrigues, que se mudou de uma casa na Cidade Jardim para um apartamento na Rua Leopoldo Couto Magalhães Júnior, bem próximo ao banco de investimentos onde trabalha, na Faria Lima. “Há tantos agentes particulares nas calçadas que me sinto à vontade até para deixar o carro na rua”, diz.

A explosão imobiliária vem fazendo a festa de muitas empresas do setor. Em novembro de 2010, quando a JHSF lançou as catorze unidades do Edifício Vitra, na Rua Horácio Lafer, o preço médio de cada uma era de 9,5 milhões de reais. Pelas previsões da empresa, em junho de 2012, quando a obra estará mais avançada, a cotação dos apartamentos poderá chegar a 12 milhões de reais.

No mês passado, a construtora São José viu esgotar as dezessete unidades de seu novo empreendimento na Rua Professor Artur Ramos sem gastar um tostão com publicidade. Detalhe: as vendas foram concretizadas apenas dez meses após o início da comercialização. “A coisa aconteceu só no esquema da propaganda boca a boca”, afirma Mauro Cunha Silvestri, presidente da companhia. Cada proprietário desembolsou em média 16 milhões de reais.

Outro endereço, localizado na Rua Salvador Cardoso, da incorporadora Vitacon e com assinatura do arquiteto Marcio Kogan, acumula fila de espera antes de ficar pronto. “Temos dez unidades e pelo menos três interessados em cada uma”, diz Alexandre Lafer Frankel, sócio da empresa. Um dos felizes proprietários é o cirurgião plástico carioca Daniel Rzezinski, que há dois anos pagou 2 milhões de reais pelo apartamento hoje avaliado em 2,6 milhões de reais. “É o Leblon paulistano”, compara. “Não há nada igual na metrópole.”

Fonte: VEJA SÃO PAULO