Cinema

'Antes que o Mundo Acabe' é um gracioso retrato da adolescência

Comédia dramática é dirigida pela gaúcha Ana Luiza Azevedo

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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Mim, Daniel e Lucas: amigos, amigos, amores à parte (Foto: Divulgação)

Ter 15 anos significa não saber direito o que acontece à sua volta. É uma época de: 1) hormônios em ebulição; 2) primeiras paqueras; 3) pensar em seguir uma profissão; 4) refletir sobre o futuro. A situação pode se complicar se: a) seu pai for um sujeito que você nunca viu mais gordo; b) sua namorada lhe der o fora; c) seu melhor amigo estiver sendo acusado de roubo. Daniel, o protagonista da graciosa comédia dramática Antes que o Mundo Acabe, vive tal fase de incertezas. E a diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo, inspirada no livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha, acerta em cheio no seu primeiro longa-metragem de ficção.

Colocado de escanteio no cinema nacional, o universo dos adolescentes ganhou força em 2010. Enquanto ‘Os Famosos e os Duendes da Morte’ buscou um caminho contemplativo, ‘As Melhores Coisas do Mundo’ traçou um panorama por vezes deprê. A fita produzida pela Casa de Cinema de Porto Alegre transpira muito mais autenticidade. Também exala nostalgia a trajetória de Daniel (Pedro Tergolina), garoto de Pedra Grande, uma fictícia e pequena cidade do Rio Grande do Sul. Lá, esse rapazinho vai experimentar as dores do mundo adulto. Algumas coisas o fazem chegar mais cedo ao rito de passagem. Seu pai mandou da Tailândia uma carta de reaproximação, a namoradinha dele, Mim (Bianca Menti), acenou com um cartão vermelho e o amigo Lucas (Eduardo Cardoso) pode ser um amigo... da onça.

Vencedora de seis prêmios no Festival de Paulínia 2009, incluindo melhor direção, a produção não tem elenco famoso nem pretende conquistar plateias na base do grito, do escândalo ou da polêmica. Trata-se de um filme despretensioso, honesto em sua fórmula despojada e apurado como crônica de costumes do interior brasileiro. Criativo nas entrelinhas, conserva o frescor da adolescência, sob o olhar maduro de quem já passou por ela.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

 

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO