Ditadura

Análise de ossadas de vala clandestina em São Paulo é entregue

Familiares de desaparecidos políticos receberam as primeiras informações sobre as avaliações do material encontrado em 1990 no Cemitério de Perus

Por: VEJA SÃO PAULO

Cemitério Perus
De um total de 1 049 caixas com ossadas entregues ao grupo em outubro, 112 foram analisadas (Foto: Reprodução)

Após uma espera de 24 anos, familiares de desaparecidos políticos receberam na sexta-feira (12) as primeiras informações sobre as análises das ossadas encontradas em 1990 em uma vala clandestina do Cemitério de Perus, em São Paulo.

Segundo informações do coordenador científico do grupo constituído pelo governo para analisar o material, o médico legista Samuel Ferreira, os resultados iniciais podem ser considerados promissores.

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De um total de 1 049 caixas com ossadas entregues ao grupo em outubro, 112 foram analisadas até agora. Nesse primeiro conjunto, em três casos foram constatados sinais compatíveis de que as mortes decorreram de projéteis de armas de fogo. E em outros quatro verificou-se a existência de ações contundentes, como pancadas ou quedas, que resultaram em fraturas de ossos ainda em vida. Segundo Ferreira, elas podem ter decorrido de acidentes e também de torturas, entre outros fatores.

A média de morte por projéteis de arma de fogo e o registro de ações contundentes está acima da média, segundo o legista. Isso seria um dos sinais de que a vala teria sido usada para ocultar os restos mortais de opositores mortos pela repressão.

Essas sete ossadas terão prioridade nas análises de DNA. Os resultados serão comparados em seguida com os dos familiares dos desaparecidos.

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O objetivo principal do grupo é localizar três desaparecidos que tiveram os nomes anotados nos registros do cemitério, mas cujas sepulturas nunca foram localizadas. A suspeita é de que os seus restos mortais tenham ido para a vala comum.

Além desses três, o grupo procura também ossadas de outros 41 opositores da ditadura que desapareceram em São Paulo e cujos restos mortais nunca foram localizados. (O Estado de S. Paulo).

Fonte: VEJA SÃO PAULO