EXPOSIÇÕES

Ana Maria Pacheco é coisa nossa

Desconhecida por aqui, a goiana radicada em Londres ganha retrospectiva

Por: Jonas Lopes - Atualizado em

Ana Maria Pacheco
Esculturas da instalação Noite Escura da Alma: abordagem teatralizada e universal (Foto: Divulgação)

Em poucos casos o velho lugar-comum de que santo de casa não faz milagres é tão verdadeiro quanto no de Ana Maria Pacheco. A goiana de 69 anos, radicada em Londres desde 1973, possui uma sólida carreira na Europa e nos Estados Unidos.

Constam no seu currículo peças em coleções particulares, um trabalho de residência artística na prestigiosa National Gallery, em Londres, um cargo de direção numa escola de belas-artesde Norwich, também na Inglaterra, além de períodos em quelecionou em universidades do Reino Unido. Ainda assim, a artista nunca tinha exposto num museu brasileiro.

Isso começa a mudar com uma retrospectiva na Pinacoteca. Entre as cinquenta obras selecionadas pelo curador Carlos Martins, estão gravurase esculturas cujo impacto acaba ressaltado pela montagem em espaços não muito grandes da instituição.

Apesar da trajetória internacional, Ana Maria, formada em letras e filosofia, não deixa as origens de lado na hora de criar. A história do Brasil norteia a maioria dos trabalhos, sobretudo os gráficos. Não espere investidas em cores exóticas e tropicalizantes nem celebrações do lado alegre e carnavalesco.

A abordagem, universal e teatralizada ao extremo, quase sempre se resume ao preto e branco, e as cenas documentadas revelam um clima religioso, interiorano e arcaico. Figuras históricas, a exemplo de Tiradentes, Lampião e Zumbi, fazem nos retratos jus ao destino trágico de cada um — o ficcional Macunaíma também marca presença.

Para completar, há duas salas preenchidas com instalações escultóricas sombrias e violentas. Numa delas, Noite Escura da Alma, personagens rodeiam um homem cravejado de flechas, à maneira de São Sebastião. Em Memória Roubada, cabeças nas prateleiras de uma espéciede oratório observam desesperadas um coração no chão.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO