Cinema

"Amor por Contrato" faz crítica pertinente à sociedade de consumo

Estreia do diretor alemão Derrick Borte, comédia dramática mostra família quase perfeita

Por: Miguel Barbieri Jr.

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Mick, Jenn, Kate e Steve, os Jones: modelo de felicidade (Foto: Divulgação)

As primeiras sequências dão conta de mostrar uma típica família americana de mudança para um condomínio de luxo. Eles são os Jones, modelo de felicidade perante os vizinhos. Sempre com um sorriso no rosto, adoram ostentar seus bens — do carrão último tipo ao celular de novíssima geração. Longe de estranhos, porém, deixam de lado a perfeição e se entregam a situações incomuns. Kate (Demi Moore) não dorme com o marido, Steve (David Duchovny), que se dá por satisfeito ao dividir a cama com Jenn (Amber Heard), sua jovem filha. Logo o espectador descobre os motivos de tudo isso na comédia dramática "Amor por Contrato". Os Jones só fingem ser parentes e trabalham para uma empresa de marketing cuja especialidade é provocar o desejo de consumo nas pessoas à volta deles. Com um roteiro crítico e bem amarrado, além de uma combinação harmoniosa entre a tragédia e o humor, a fita marca a estreia em longa-metragem do alemão Derrick Borte.

Como há um fundo romântico no enredo, o ator da série “Arquivo X” (Duchovny) e a heroína de “Ghost” (Demi) interpretam personagens interessados um no outro. Ou seja: a farsa de Steve e Kate pode estar fadada ao fracasso. Ainda faz balançar a estrutura familiar (e profissional) o comportamento errante dos filhos: Jenn se enrabichou por um homem casado; e Mick (Ben Hollingsworth), seu “irmão”, confessa indevidos segredos depois de fumar maconha. Em suma, não é nada fácil manter a vida de aparências. O filme flui bem, embora sustente sua história numa manjada lição moral e aponte para um desfecho conservador. Ajuda a chegar ao satisfatório resultado a atuação afiada do quarteto protagonista.

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Fonte: VEJA SÃO PAULO