Paulistano Nota Dez

Amigos desenvolvem carveboard adaptado para deficientes físicos

Sergio Pato e Marcos Rossi criaram o projeto Skate Sem Limites que já conta com uma equipe de atletas com deficiência física 

Por: Gabriela Boccaccio - Atualizado em

Skate sem Limites
Sergio Pato (à esquerda) e Marcos Rossi fundaram o projeto Skate Sem Limites em 2013 (Foto: Fernando Moraes)

Portador da rara síndrome de Hanhart, que se caracteriza pela ausência parcial ou completa dos membros superiores e inferiores, o analista financeiro Marcos Rossi nasceu fadado a uma vida de dificuldades motoras. Isso não o impediu de dedicar-se a uma série de esportes radicais: costuma surfar em Bertioga e mergulhar na Laje de Santos e em Paraty (RJ).

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Em julho de 2013, incluiu mais uma modalidade na lista ao comprar um carveboard, variação do skate com prancha larga, rodas de borracha e suspensão de molas, indicado para simular os movimentos do surfe. Com a ajuda do analista de suporte Sergio Pato, presidente da equipe Carverize Old School Team, passou dois meses adaptando o equipamento. Os dois investiram cerca de 2 000 reais para instalar um assento e uma barra estabilizadora de 1 metro com duas rodinhas. Impulsionado pelas próprias muletas, Rossi desce a ladeira do Parque da Independência a 10 quilômetros por hora.

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O sucesso do protótipo levou a dupla a criar naquele mesmo ano o projeto Skate sem Limites, que ambos acreditam ser o primeiro grupo inclusivo da modalidade no mundo. “Não ficaria satisfeito de guardar essa experiência só para mim, é gratificante ter a chance de compartilhar a sensação de andar de skate”, afirma Rossi.

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A iniciativa conta com sete alunos-atletas, que treinam duas vezes por mês diante do Museu do Ipiranga e realizam apresentações em torneios e outros eventos. Entre eles está Laura Neves, de 8 anos, que não tem os braços, apresenta má-formação nas pernas e teve sua primeira experiência com esportes radicais por ali. Rossi e Pato recebem contatos diários de interessados em se tornar aprendizes, mas, como há um só equipamento que é compartilhado com todos, não há espaço para receber um número maior de participantes. Com o objetivo de abrir novas vagas, os dois parceiros estão concentrados na construção de mais sete carveboards, que possam atender também pessoas com deficiência mental e visual.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO