Paulistanas Nota Dez

Amigas criam corrente de solidariedade para senhor em busca de emprego

Publicação teve mais de 75 000 compartilhamentos no Facebook. Meninas receberam mensagens de pessoas interessadas em dar um emprego a seu Sidney

Por: João Batista Jr. - Atualizado em

Seu Sidney Yasmin
Seu Sidney ao lado de Yasmin, uma das meninas que o ajudaram: lanche para matar a fome e acabar com a fraqueza (Foto: Arquivo Pessoal)

A publicitária formada pelo Mackenzie Monique Anholeti, de 24 anos, criou uma rede de solidariedade ao postar em sua página do Facebook a foto de um senhor que passou o dia sem comer em busca de um emprego na Avenida Paulista. O caso teve mais de 75 000 compartilhamentos na rede – e gerou uma série de ofertas de ajuda. Confira o depoimento da moça a VEJA SÃO PAULO: 

+ Empresa insere autistas com habilidades fora do comum no mercado

"Era cerca de 22h30, de terça (22). Após o trabalho, eu e minha amiga Yasmin Takahassi fomos no Shopping Top Center, na Avenida Paulista, fazermos compras de Natal. Quando terminamos o passeio, estávamos indo para o carro e vimos um senhor escorado na parede que fica entre a galeria e o prédio da TV Gazeta.

Ele suava, parecia que iria desmaiar. Achamos que poderia ser uma crise de diabetes. Minha amiga então foi comprar uma água para ele, que já tinha se apresentado como Sidney. Foi aí que disse que na verdade estava fraco. Quando perguntamos se havia se alimentado ao longo do dia, afirmou que não.

Minha amiga foi ao McDonald´s, único lugar aberto naquele momento, e voltou com um lanche e um suco. À medida que o seu Sidney comia, sua cor voltava ao normal e o suor, cessava. Era fome o que ele sentia.

Contou que tinha ido até a Paulista a pé. Ele mora em Carapicuíba e queria um emprego. 'Todo emprego é emprego', ele me disse, para explicar que já havia sido pintor, pedreiro, cobrador de ônibus... O seu Sidney não tem direito ao bilhete único gratuito por ter 56 anos.

Seu Sidney
Sidney: ele iria dormir na rua (Foto: Arquivo Pessoal)

Nos planos dele, ia passar a noite na Avenida Paulista para procurar emprego no dia seguinte. Compramos chocolate e bolacha água e sal em uma banca de jornal, e deixei o único dinheiro que tinha no bolso com ele: 14 reais.

O celular do seu Sidney estava sem bateria. Ele me autorizou a ligar para sua mulher para explicar que passaria a noite fora. Chamou algumas vezes, mas ela não atendeu. Enviamos então um SMS.

+ Mãe relata caso de racismo contra sua filha de 9 anos em doceria

Ele nos autorizou a publicar a sua história na internet e dar o seu telefone. Na quarta (23), por volta do meio-dia, me ligou feliz. Disse que muita gente havia telefonado. Uma das pessoas ofereceu um bico como pintor já para aquela tarde. Outra, colocou crédito em seu celular.

Eu mesma recebi inúmeras mensagens com propostas de emprego para ele. Quando postei no Facebook, queria mostrar para os meus amigos – como sou publicitária e trabalho numa empresa de eventos, alguém poderiam precisar dos serviços dele. Mas os compartilhamentos, mais de 75 000 deles, alcançaram muito mais pessoas."

Em tempo: o telefone do Seu Sidney, para quem quiser ajudar, é (11) 94426-0993.

Fonte: VEJA SÃO PAULO