Crítica

'O Filho do Outro' aborda o conflito entre árabes e judeus

O filme narra a história de judeus e palestinos que são forçados a conviver devido a uma troca de bebês

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

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AVALIAÇÃO ✪✪✪

Francesa de origem judaica, a diretora Lorraine Levy foi mexer num vespeiro em seu terceiro longa-metragem. Ambientado em Israel, O Filho do Outro, para variar, aborda o confl ito entre árabes e judeus. Mas há um ponto de partida original e uma narrativa atraente no roteiro coescrito pela própria cineasta. Na trama, Joseph Silberg (Jules Sitruk) mora em Tel-Aviv, tem 18 anos e vai prestar o serviço militar obrigatório. Um exame de rotina traz a surpresa: seu sangue não é compatível com o de seus pais.

A doutora francesa Orith (Emmanuelle Devos) e o oficial do Exército Alon (Pascal Elbé), ambos judeus, não entendem o que se passou, até um médico deduzir: Joseph pode ter sido trocado na maternidade. Um dia depois de seu nascimento, o local foi alvo de ataques e as mães saíram às pressas. De volta ao hospital em Haifa onde ele nasceu, Orith e Alon encontram Leïla e Saïd Al Bezaaz (papéis de Areen Omari e Khalifa Natour), pais de Yacine (Mehdi Dehbi). A revelação chega tal qual uma bomba: o palestino é fi lho dos judeus e vice-versa. Como lidar com uma situação tão complexa diante de inimigos históricos?

A cineasta foi criticada pela esquerda francesa por seu enredo não ter um posicionamento. Suas opiniões, contudo, são explícitas: Lorraine prega a paz em Israel e a tolerância entre os povos. De forma delicada, a história vai convertendo a desarmonia em cordialidade. Enquanto Yacine, que mora em Paris e quer se formar em medicina, encontra uma forma de ganhar dinheiro nas praias de Tel-Aviv, Joseph vai visitar sua nova família num vilarejo da Cisjordânia e percebe afi nidades musicais.

Embora erga uma bandeira branca, a realizadora não deixa de focar os dramas diários sofridos pelos palestinos. Para saírem de seu território, eles têm de passar pelos postos de controle sob grossa revista. Saïd era engenheiro e virou mecânico por falta de opção. A mudança de comportamento dos personagens indica uma utopia, mas faz bem saber que, um dia, a ficção pode se tornar realidade.

 

Fonte: VEJA SÃO PAULO