Educação

Alunos fazem "vaquinha" para professores demitidos da PUC Campinas

Docentes foram desligados após denúncias de perseguição e incitação à violência; na PUC-SP, instituição começa a pagar reajuste salarial definido há dez anos

Por: Estadão Conteúdo

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PUC Campinas: CPI investiga trotes violentos (Foto: Divulgação)

Alunos da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp) arrecadaram mais de 45 000 reais para doar a três professores demitidos da instituição na semana passada. Os docentes são acusados de perseguição a estudantes e de participarem de festas e eventos em que acontecem casos de violência contra calouros. 

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Desde a demissão dos professores, a Puccamp vem enfrentando uma série de protestos de alunos e residentes. Além disso, dois docentes pediram demissão em solidariedade aos colegas. Eles defendem que os professores foram mandados embora injustamente e que não foram apresentadas provas que atestem as denúncias. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Trotes, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), investiga o caso. 

Outro grupo de alunos favorável às demissões encaminhou um dossiê à universidade para denunciar casos de abusos físicos e psicológicos praticados por veteranos e professores. No documento, os estudantes relatam que as relações na universidade são "arcaicas e agressivas" e que os calouros são reprimidos nas festas com "empurrões, tapas e escarradas no rosto, são urinados e ofendidos verbalmente". O documento encaminhado para a direção da Puccamp ainda tinha áudios e imagens de mensagens trocadas em redes sociais de uma das professoras demitidas, que teria incitado a violência contra os alunos. 

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Segundo a universidade, antes das denúncias feitas à CPI, duas sindicâncias internas foram abertas para apurar a participação de alunos e docentes em um "esquema de intimidação e de ameaças que visa a obrigar os alunos ingressantes a manter a estrutura de poder e hierarquia da chamada 'Família Med Puccamp', que, entre outros, favorece a ocorrência de trotes humilhantes e violentos". A instituição informou ainda que, por ter considerado que alguns dos fatos denunciados se caracterizavam como atos ilícitos passíveis de responsabilização criminal, encaminhou as denúncias ao Ministério Público Estadual (MPE) em setembro do ano passado. A promotoria afirmou que o caso está sob sigilo. 

Após 10 anos, PUC-SP começa a pagar reajuste de professores

Já na PUC São Paulo, o clima é de comemoração. Dez anos após conseguir reajuste salarial, os professores começaram a receber os valores devidos da incorporação de 7,66%, que havia sido definida em 2005. À época, a instituição enfrentava sua mais grave crise financeira. Além de não ter pago o valor do reajuste, a universidade demitiu 30% de seus professores e funcionários. 

O pagamento começou a ser feito no mês passado. O acordo de 30 milhões foi assinado em março entre o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP), a Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc), e a Fundação São Paulo, mantenedora da universidade.

Terão preferência os 170 docentes que não aceitaram nenhum acordo individual anterior e, portanto, ainda não receberam nenhum reajuste salarial. O pagamento para o primeiro grupo será feito em cinco anos. O valor final que cada docente receberá é a soma da dívida ao longo de dez anos e inclui ainda repasses para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). 

Em nota, a Apropuc informou que o acordo representa uma "vitória histórica" para os professores que vão receber o que "é de direito". A PUC-SP não informou o número total de professores beneficiados, mas, à época do início do processo, 2 159 docentes solicitaram receber a diferença.

Fonte: VEJA SÃO PAULO