Educação

Alunos expulsam colegas invasores em Etec de São Paulo

Estudantes tomaram conta do portão de entrada do colégio para garantir a realização das aulas

Por: Sérgio Quintella - Atualizado em

ETEC Professor Basilides de Godoy
Cerca de duzentas pessoas se juntaram para expulsar os 30 invasores (Foto: Arquivo Pessoal)

Alunos da escola técnica Professor Basilides de Godoy, na Vila Leopoldina, na Zona Oeste, contrários à ocupação ocorrida há quase duas semanas, expulsaram os trinta colegas que tomaram o prédio no último dia 3.

O grupo reivindicava melhorias na alimentação, que hoje é fornecida de forma incompleta e de pobreza nutricional.

Na noite de quinta-feira (12), cerca de duzentas pessoas, entre pais, estudantes e funcionários, se uniram, fizeram um cordão humano e conseguiram retomar a posse do local. “Um se abraçou ao outro, sem colocar a mão nos invasores, e finalmente retomamos o que é nosso”, diz o aluno Natan Kreslins, de 17 anos, do segundo ano (veja vídeo produzido pelos alunos que desocuparam o prédio).

Segundo os entrevistados, ninguém se machucou, apesar de haver relatos de que os ocupantes portavam armas brancas, correntes nas mãos e um deles trazia consigo um soco inglês. 

A reportagem não conseguiu contato com os manifestantes expulsos.

Após voltar ao local, a diretora Rosmari Antonia Colcerniani, que ficou dez dias longe dali, relata ter visto um cenário de destruição. “Quebraram carteiras, computadores, centrais de câmeras e fechaduras, e levaram cinco HD´s, com todas as informações de 66 anos de escola”, diz. “São histórias de 36 000 alunos que se perderam”.

Não há backup. Um dos computadores levados custa cerca de 15 000 reais. O prejuízo total não foi contabilizado.

ETEC Professor Basilides de Godoy
Central telefônica e de câmeras também foi danificada (Foto: Arquivo Pessoal)

Para manter a ordem no fim de semana e garantir a retomada das aulas na próxima segunda (16), a direção da Etec contratou cinco seguranças e recebeu o compromisso de que a PM fará rondas na região.

Além disso, os alunos prometem fazer vigílias nos próximos dias para que nenhum intruso ocupe a escola. A diretora da instituição garante que a "merenda seca" será trocada por refeições no segundo semestre deste ano.

ETEC Professor Basilides de Godoy
Computadores danificados após ocupação que durou dez dias (Foto: Arquivo Pessoal)

Em nota, o Centro Paula Souza, responsável pelas ETEC´s, contabiliza mais de 120 000 reais de prejuízos. Veja a íntegra do comunicado:

"Nove Escolas Técnicas Estaduais (Etecs) foram desocupadas de quinta-feira para sexta-feira, 13. São elas: Etec São Paulo, no Bom Retiro, conhecida como Etesp; Etec Prof. Basilides de Godoy, na Vila Leopoldina; Etec Jaraguá; Etec Prof. Horácio Augusto da Silveira, na Vila Guilherme; Etec Zona Sul, no Jardim São Luís; de Pirituba; Etec Albert Einstein, na Casa Verde; Etec Paulistano, na Freguesia do Ó; e de Etec Taubaté.

Numa apuração apenas inicial, já foram computados mais de R$ 120 mil em prejuízos ao patrimônio de duas dessas unidades tomadas e da sede administrativa da instituição.

Além dos estragos a mobiliário e instalações, à central de telefonia e ao circuito de câmeras, na Etec Prof. Basilides de Godoy os ocupantes levaram hard disks (HDs) com o banco de dados de mais de 30 mil alunos que já passaram pela escola.

Ocupada por quase duas semanas, a Etesp teve portas arrombadas, fechaduras e móveis danificados, estragos na alvenaria, encanamento e até em materiais usados pelos alunos. Os ocupantes invadiram a sala do diretor, abriram sua caixa de correio eletrônico e imprimiram uma pilha de emails. Alguns documentos já haviam sido rasurados e jogados pela janela na quarta-feira. Nas Etecs Horácio Augusto da Silveira, de Pirituba, Paulistano e de Taubaté, não foram registrados danos decorrentes das ocupações.

As Etecs Zona Sul e Jaraguá ainda não oncluíram a perícia do patrimônio. Além dos prejuízos materiais, o atraso do calendário escolar obrigará as unidades a fazerem reposição de aulas. Estudam nas Etecs desocupadas nesta sexta-feira mais de 11 mil alunos.

O Centro Paula Souza reconhece o direito às reivindicações, mas informa que elas já foram atendidas. A partir de agosto, as Etecs que ainda não serviam refeição e têm alunos estudando em tempo integral passarão a distribuir almoço. Mesmo assim, a instituição tem se reunido com grêmios estudantis das Etecs para continuar o diálogo.

O Centro Paula Souza lamenta que um pequeno grupo se oponha à vontade da maioria de alunos que querem continuar a estudar. Lamenta ainda os atos de vandalismo praticados nas unidades invadidas e na sede administrativa, que ficou ocupada por oito dias."

Fonte: VEJA SÃO PAULO