Especial Educação

Alunos de escolas e faculdades criam robôs no processo de aprendizado

Área representa uma das últimas fronteiras de um tipo de conhecimento que começou a ser desenvolvido por alguns estudantes quase como brincadeira

Por: Ana Alice Vercesi, Guilherme Soares Dias e Jussara Soares - Atualizado em

Alguns laboratórios da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo são o que há de mais próximo por aqui da realidade futurista apresentada em obras de ficção científica como as do escritor Isaac Asimov. Entre outros trabalhos realizados na Poli, um grupo de estudantes participa de um esforço internacional para desenvolver uma nova geração de autômatos capazes de compreender as emoções dos humanos e agir de acordo com elas.

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A área representa uma das últimas fronteiras de um tipo de conhecimento que começou a ser desenvolvido por alguns estudantes quase como brincadeira, na forma de equipes com versões cibernéticas de Neymar e outros craques para disputar a Copa do Mundo de Futebol de Robôs (a última edição foi realizada em junho na Holanda).

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O professor Edson Davi Ferraz e a turma do Colégio Magno: maquete sofsticada para explicar a transposição do Rio São Francisco (Foto: Divulgação)

Embora se encontre em um estágio mais avançado em pesquisas realizadas nesse campo, a Poli não está sozinha na utilização desses equipamentos no processo de aprendizado. Na faculdade de medicina da Anhembi Morumbi, no bairro da Mooca, uma das atrações é o robô-cobaia Roberto. Trata-se de um modelo SimMan 3G importado da Noruega em 2009 ao custo de 280 000 reais. Ele abre os olhos, chora, é capaz de falar o que sente, sangra, recebe medicamentos e tem reações fisiológicas como as dos humanos.

Tudo isso ocorre graças a um software que permite programar uma infinidade de sintomas. Como a engenhoca funciona pelo sistema wireless, pode ser “atendida” em qualquer lugar, o que possibilitaa os estudantes simular inúmeras situações de socorro fora do ambiente hospitalar. “A robótica não é só um equipamento para treinar a habilidade técnica, mas se trata de um conceito educacional para simular situações que os alunos vão vivenciar no dia a dia. É preciso trabalhar em equipe, ter liderança e tomar decisões rápidas”, explica a médica Karen Abrão, diretora da Escola de Ciências da Saúde da Anhembi Morumbi.

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Curso de medicina na Anhembi Morumbi: “paciente” comprado por 280 000 reais (Foto: Mário Rodrigues)

Esse tipo de tecnologia também tem sido um aliado para incrementar os recursos pedagógicos dos universitários de cursos nas áreas de computação,mecatrônica e engenharia elétrica na Universidade Federal de São Paulo e na Universidade Federal do ABC, entre outras. A demanda levou algumas empresas a investir em produtos para a área acadêmica.

O RoboDeck, uma plataforma criada pela companhia XBot, mostra na prática o conteúdo de disciplinas como linguagem de programação, telecomunicação, robótica e sistemas digitais. O robozinho custa 28 000 reais. Desde seu lançamento, em 2010, foram vendidas cerca de vinte unidades a universidades de todo o país. “Criamos uma metodologia, com software e hardware, que acelera o aprendizado. Está comprovado que educar por meio do entretenimento é mais eficaz”, afirma Antonio Valerio Netto, diretor educacional da XBot e doutor em computação pela USP. Mesmo quem ainda está longe de chegar à universidade está aprendendo, de maneira divertida, geografia, biologia, matemática, física e história com a ajuda da robótica.

A turma do 6º ano do ensino fundamental do Colégio Global, em Perdizes, começou a se enfronhar nessa área depois de uma visita recente ao Porto de Santos. A missão era fazer uma réplica do local, com direito a navios, estradas e equipamentos. Os jovens acabaram construindo uma versão com recursos da eletrônica. “O mais legal foi montar o guindaste, que se movimentava por um controle remoto que fiz com meus amigos”, conta o estudante Hector Fugihara, de 12 anos.

No Colégio Magno, no Jardim Marajoara, onde a aula de robótica existe há dez anos, 75 estudantes do 6º ano do fundamental se esforçam no momento para simular em uma maquete tridimensional de 50 metros quadrados como será a transposição do Rio São Francisco, no Nordeste. “Os professores de geografia acharam que era importante que eles construíssem algo para entender melhor a questão da seca”, explica o professor Edson Davi Ferraz, de 53 anos, que orienta os garotos na construção das bombas automáticas, que farão o serviço mais pesado.

Fonte: VEJA SÃO PAULO